PAR PERFEITO
I-CHING
RUNAS
VIDENTE
NUMEROLOGIA
TARÔ
HORÓSCOPO
 CAPA
 ÍNDICE
 ENTREVISTAS
 CHATS ANTERIORES

 CANAIS

 Guia Cósmico
 Área 51
 Encantamentos
 Transcendendo
 Reconectando
 Paranormal

 BIBLIOTECA PLANETA

 Edições Anteriores
 Especiais

 BUSCA

Procure outras matérias

 

 


Edição 346

ASSINATURAS
EXPEDIENTE
PUBLICIDADE
NEWSLETTER
FALE CONOSCO


LIVROS

LIVRO: O Casamento entre o Céu e a Terra
Leonardo Boff
Editora Salamandra

A árvore da vitalidade: o guaraná

Aguiri, menino da tribo Saterá-Maué da área cultural do Tapajós-Madeira, tinha os olhos mais lindos e espertos que jamais se vira naquela região. Os pais agradeciam freqüentemente ao Grande Espírito por essa graça singular. Muitas mães pediam ao céu que fizesse nascer também para elas um filho com olhos tão bonitos.

Aguiri se alimentava de frutas que colhia da floresta em cestos que sua mãe lhe fazia e gostava de partilha-las com outros coleguinhas de jogos.

Certa feita, o menino dos olhos lindos distraiu-se na colheita das frutas, indo de árvore em árvore até afastar-se muito da maloca. Aí percebeu, com tristeza, que o sol já transmontara e que se fazia escuro na floresta.

Não achando mais o caminho de volta, decidiu então dormir no oco de uma grande árvore, protegido dos animais noturnos e perigosos. Mas não estava a salvo do temido Jurupari, um espírito malfazejo que vaga pela floresta, ameaçando quem anda sozinho. Ele também se alimenta de frutas. Mas tem o corpo peludo de morcego e o bico adunco de coruja.

Jurupari sentiu a presença de Aguiri e, sem maiores dificuldades, o localizou no oco da grande árvore. Atacou-o de pronto, sem permitir que pudesse esboçar qualquer defesa.

De noite, os pais e todas as mães que admiravam Aguiri ficaram cheios de preocupação. Ninguém conseguiu pregar o olho. Mal o sol raiou, os homens saíram pela mata afora em busca do menino. Depois de muito vaguear daqui e dali, finalmente encontraram seu cesto, cheio de frutas que ficaram intocadas. E no oco da grande árvore deram com o corpo já frio de Aguiri. Havia sido morto pelo terrível Jurupari, o espírito malfazejo.

Foi um lamento só. Especialmente choravam os curumins, seus colegas de folguedos. Ficaram inconsoláveis. Eis que se ouviu no céu um grande trovão e um raio iluminou o corpo de Aguiri. Todos gritaram:

-É Tupã que se apiedou de nós. Ele vai nos devolver o menino.

Nisso se ouviu uma voz do céu, que dizia suavemente:

-Tomem os olhos de Aguiri e os plantem ao pé de uma árvore seca. Reguem esses olhos com as lágrimas dos coleguinhas. Elas farão germinar uma planta que trará felicidade a todos. Quem provar o seu suco, sentirá as energias renovadas e se encherá de entusiasmo para manter-se desperto e poder trabalhar incansavelmente. E assim foi feito.

Tempos depois, nasceu uma árvore, cujos frutos tinham a forma dos olhos bonitos e espertos de Aguiri. Fazendo do fruto um suco delicioso, todos da tribo sentiram grande energia e excitação.

Deram, então, àquela fruta, em homenagem ao curumim Aguiri, o nome de Guaraná, que em língua tupi significa "a árvore da vida e da vitalidade".

E até os dias de hoje se toma Guaraná em muitos lugares do mundo, comprovando ser um dos mais saborosos sucos extraídos de sementes que existem na natureza e um revitalizador incomparável das energias vitais.

 

 


<< volta


| ISTOÉ ONLINE | DINHEIRO | ISTOÉ GENTE | ÁGUA NA BOCA | EDIÇÕES ANTERIORES |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE |
© Copyright 1996/2001 Editora Três