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História
Medieval
O
Sabá das Feiticeiras
Nascidos nos rituais de fertilidade dos povos pagãos, os sabás
das feiticeiras tiveram, na Idade Média, sua imagem deturpada
pela Igreja católica. Depois de consideradas festins diabólicos,
as cerimônias foram extintas nas fogueiras da Santa Inquisição.
Por
Paulo Urban,
médico psiquiatra, acupunturista e psicoterapeuta
junguiano. E-mail: paulourban@ig.com.br
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Gravura
medieval
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A
sexta-feira é 13. Muita gente tem medo dela! Seu
nome sugere feitiçaria e, para muitos, sua ocorrência
no calendário é prenúncio do azar. Toda
sexta-feira, entretanto, acha-se associada à idéia
do Sabá, como ficou conhecido a partir da época
medieval o festim em que as bruxas reunidas banqueteavam em
presença do Demônio. Também às
sextas, à luz da Lua cheia, os amaldiçoados
lobisomens se transformam, e os vampiros propalam-se em vôo
sedento de sangue à procura de suas vítimas.
E quanto ao maldito número 13? É o número
da morte, do azar, do mau agouro, dizem alguns. Para outros,
contradizendo, pode simbolizar a sorte por trazer em si as
transformações, visto que o 13 representa o
rompimento dos limites, a quebra dos padrões estatutários
impostos pelo 12. Expliquemos melhor. O 12 expressa as coisas
inteiras, os sistemas fechados e completos. Observe-se que
são 12 os meses do ano, as horas do dia e da noite;
também o número de deuses do Olimpo e de constelações
e signos do zodíaco; e 12 são as notas musicais,
tons e semitons. Já o 13 é aquele que ultrapassa
a ordem conhecida das coisas, promove a revolução
do novo, e se intromete em nosso mundo de modo a perturbar
nossa aparente sensação de segurança,
advinda da ordinária dimensão à qual
estamos acostumados. Associado ao jogo, às vicissitudes
da vida, igualmente à sorte e ao azar, o 13 ainda compõe
o número de cartas de cada um dos quatro naipes dos
baralhos comuns. E eram 12 os apóstolos presentes à
última ceia de Cristo, de onde se criou a superstição
medieval de que, quando 13 se reúnem à mesa
para comer, um em breve irá morrer.
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J.M.R
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Predicadas
pelo estranho 13,
as sextas-feiras, noites de sabá, impõem maior
respeito ao imaginário popular; se a noite for de Lua
cheia então.
Na
mitologia assírio-babilônica, data-se além
de oito mil anos a crença de que Isthar, a Lua, tornava-se
indisposta a cada plenilúnio, quando então se
observava o sabattu, período de recolhimento dos homens
em respeito à Grande Deusa. Veja-se que provém
da antigüidade mais remota o útil conselho dado
aos maridos para que estes não provoquem suas mulheres
em fase pré-menstrual. Durante a indisposição
de Isthar, guardava-se o sábado, que primitivamente
era mensal, dia considerado nefasto, no qual não se
autorizava qualquer tipo de trabalho, nem viajar ou cozinhar
alimentos. Com a percepção de que Isthar apresentava
fases cíclicas, crescente, cheia, minguante e nova,
a cada sete dias renovadas, a prática do sabattu estendeu-se
a todas as semanas, de modo a demarcar sempre o último
dia da semana.
Sábado, em português, vem do latim sabbatum,
que, por sua vez, foi emprestado do grego sábbaton.
Este seria proveniente do hebraico sahabbat, que, etimologicamente,
deriva do verbo sabat (parar). Outras fontes o extraem de
seba (sete), ou o tomam como corruptela do termo sabiat
(sétimo dia). Tenhamos em conta ainda que o hebraico
sabbat guarda enorme semelhança com sapatu, que em
dialeto árcade primevo significava parada, descanso,
também sono da Lua. Nesse caso, o termo
hebraico seria originário do grego, ao contrário
da primeira hipótese
"Foi
durante o século 12 que se difundiu mais rapidamente a
idéia do sabá, reunião à qual compareciam as bruxas voando
em suas vassouras." |
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Gravura
medieval
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| Pan,
representado na figura de faunos ou bodes: culto nas
sabátidas. |
Em
meio às divergências semânticas, muitos
acreditam que a Igreja, em sua obstinada caça às
bruxas, tenha julgado conveniente escolher um nome da tradição
judaica, especificamente aquele que denota o período
de oração que se inicia ao pôr-do-sol
das sextas-feiras, para nomear o conclave das feiticeiras.
Agindo assim, transformaria judeus, bruxas e demais hereges
em inimigos comuns da fé cristã, em gatos de
um mesmo saco. Além disso, no início das perseguições,
denominava-se sinagoga o local escondido nas florestas destinado
à reunião das bruxas.
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Originais
Caça
às Bruxas
Inventando
o Demônio
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