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Transcendendo: Mente

Edição 346 -Julho 2001
  Terapias Holísticas
Os Segredos da Boa Memória

Exercitar a mente com atividades que estimulam o raciocínio
e a memorização de informações é um santo remédio para manter o cérebro funcionando bem por mais tempo.

Por Sérgio Mortari

Rogério Borges
Carmina Sophia
Mente que brilha: a boa memória depende de hábitos construtivos.

As vivências e o aprendizado seriam totalmente despidos de utilidade, caso não nos fosse possível armazená-los e reativá-los quando necessário. A responsável pelo arquivamento desses registros feitos pelo cérebro é a memória, e o acesso a essas informações memorizadas definirá o que chamamos de “boa memória”, que, como veremos a seguir, dependerá de dois fatores muito importantes: como foi o processo de retenção da informação e de que forma é a relembrança ou a solicitação da informação para uso imediato.

É preciso entender, em primeiro lugar, que o mecanismo retentivo da experiência se processa em três etapas, que são as seguintes:

1) A memória sensorial, que é quando a informação é registrada pelos órgãos dos sentidos por alguns segundos.

2) A memória a curto prazo, onde acontece uma seleção do que deve ou não ser guardado como informação a ser utilizada posteriormente.

3) A memória a longo prazo, quando as informações passam por um processo de repetição e acabam sendo gravadas.

Já no processo de relembrança, precisamos analisar o tipo de estímulo que é enviado à memória e, nesse caso, o melhor exemplo é a necessidade de uso constante da informação. Mas o que nos interessa, no momento, e do ponto de vista médico, é o que provoca o esquecimento, o que faz com que uma informação vivenciada não fique retida na memória.

Um dos motivos para a não-disponibilidade da informação é a necessidade de não lembrar certos episódios traumáticos, acontecimentos que foram muito marcantes de forma negativa e acabaram travestidos de fobias. A senilidade como processo biológico de desgaste natural do organismo, por sua vez, pode causar no idoso lapsos de memória ou distorção dos fatos passados. A amnésia é o grau máximo de esquecimento e geralmente está associada a dano cerebral ou alcoolismo crônico.

Existem também doenças como hipertensão (pressão alta), fadiga crônica (sensação permanente de extremo cansaço provocada por distúrbios musculares), alterações endócrinas (depressão) e patologias psiquiátricas (esquizofrenia) que afetam os mecanismos cerebrais.

O mais comum, no entanto, é não lembrar onde se colocou determinado objeto, não conseguir reter o conteúdo do que foi estudado, ler várias linhas e não lembrar do que leu, ir a determinado lugar e não saber o que foi fazer lá, esquecer comida no fogo, esquecer de pagar uma conta, não ter idéia do aniversário de um parente próximo...

O que se percebe em relação à memória é que, de maneira geral, ela pode ser cultivada. Tanto quanto o físico, o cérebro precisa ser exercitado para prevenir que seus mecanismos apresentem desgastes.

Para auxiliar a preservação da memória, uma série de exercícios físicos deve ser executada regularmente. Os mais indicados são os aeróbicos, pois são os que mandam mais oxigênio para o cérebro e, assim, ajudam a ativação dos mecanismos de retenção das informações.

Os exercícios mentais devem ser praticados desde cedo para disciplinar a memória, e podem ser, por exemplo, jogos de cartas ou de encaixe, dama, xadrez, testes de conhecimentos gerais, palavras cruzadas, quebra-cabeças, tocar um instrumento musical, fazer crochê, etc. Todas essas atividades são muito eficientes porque exigem que determinadas normas de memorização sejam obedecidas.

Alcir N. da Silva
Carmina Sophia
Parceiros de jogo: o xadrez é um dos melhores desafios para o cérebro. Já o leite possui minerais que favorecem a memorização.

Ao mesmo tempo, algumas regras e hábitos podem nos ajudar a superar a falta de memória:

• Ler sobre os mais diversos assuntos em livros, jornais, revistas.

• Quando for necessário pesquisar para falar sobre um assunto específico, escrever, principalmente em forma de descrição, fazendo-se uma fotografia do tema através das palavras e de dissertação.

• Levar ao pé da letra o ditado que todo chefe que sabe o quanto o ambiente de hoje é estressante costuma ensinar aos seus subordinados: “Não fale, escreva!” Uma agenda, nesse caso, é a melhor maneira de não esquecer nada do que deve ser feito.

• Passar a redigir um diário contando suas experiências de forma bem detalhada é outra opção.

• Mentalizar, visualizar e refletir sobre situações que serão vividas como forma de familiarizar-se com a experiência futura, e assim ficar mais relaxado quando ela acontecer.

• Aprender a controlar seus sentimentos e emoções, evitando explosões de raiva, atitudes radicais, excesso de dramatização das situações, e procurar sempre ver o lado real das coisas.

• Meditar e concentrar-se num assunto por vez, evitando assim que outras experiências interfiram no aprendizado. Isso quer dizer que se deve evitar situações que propiciem a distração; jamais se deve estudar para o vestibular, por exemplo, em frente da televisão, ouvindo rádio ou num local muito agitado.

•Buscar conhecer bem seu processo de aprendizagem, procurando descobrir o que é mais fácil para você: aprender um pouco de cada vez ou tudo de uma vez só? Ou seja, a retenção do conteúdo informativo é maior quando estudado uma hora por dia em sete dias ou em sete horas num dia só? É mais fácil a compreensão do todo ou de partes separadas? Sua memória é mais auditiva ou visual? Você sente atração por testes ou prefere questões discursivas? Os símbolos são mais significativos do que as palavras? Tem mais habilidade para guardar números ou palavras? É autodidata ou prefere que as informações sejam explicadas por um professor? Você retém mais informações que tenham algum conteúdo emocional ou as que têm mais racionalidade?

Uma outra forma de reter a informação captada por longo prazo é a memorização por associação em ordem alfabética. Por exemplo, as capitais dos Estados da região Sul são mais facilmente lembradas se forem relacionadas à sigla CPAF, ou seja, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis.

Arnaldo Bento
Carmina Sophia

A alimentação também pode ajudar na manutenção da boa memória. O alho, por exemplo, funciona como um vasodilatador cerebral e o açúcar concentrado fornece “combustível” para as células nervosas, que se nutrem de glicose. Já as gorduras insaturadas, como as encontradas no azeite de oliva e no óleo de peixe, competem com o colesterol e o removem das artérias.

Minerais como o manganês e o cobre têm papel relevante no bom funcionamento cerebral e na preservação de uma memória ativa, sendo que o cobre atua como antioxidante. As melhores fontes alimentares de manganês são os grãos integrais, as nozes, os moluscos, os miúdos de animais e o leite. Já o cobre pode ser encontrado no fígado animal, nas frutas, nos legumes secos e nas ostras.

Quaisquer outras formas de administração de suplementos minerais, como a oligoterapia ou a medicina ortomolecular, devem ser prescritas por um médico.

Serviço
Sérgio Mortari: Rua Jesuíno Maciel, 427, São Paulo, fone (11) 5542-4022; e-mail: sergiomortari@uol.com.br

 


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