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Transcendendo: Corpo

Edição 346 -Julho 2001
  Estilo de Vida
Controlando o Estresse

O primeiro passo para dominar o estresse – grande demônio dos tempos modernos – é tomar consciência de que ele surge como resultado de um estilo de vida inadequado.

Por Mike George
O texto aqui apresentado é um excerto do livro Aprenda a Relaxar, de Mike George, lançado recentemente pela Editora Gente. Tradução: Débora Pita.

Marc Chagall, Homenagem a Apollinaire

Estresse é uma palavra excessivamente usada. Muitas vezes parecemos disputar uns com os outros o papel de mais estressado e nos sentimos gratificados quando as pessoas reconhecem o estresse pelo qual passamos. Na realidade, temos a tendência de estar tão prontos para nos gabar do estresse que dificilmente paramos para pensar de onde ele vem e qual sua relação com o modo como vivemos.

Os desencadeadores do estresse evoluíram com o tempo. Levantamentos mostram que, embora as condições de trabalho tenham melhorado muito, ainda trabalhamos por longas horas e fazemos malabarismos com as crescentes pressões de nossa vida profissional e familiar. A sociedade moderna espera que sejamos capazes de pensar mais rápido e alcançar excelência em tudo. Em nome do progresso civilizado, demo-nos uma condição moderna, a qual chamamos de estresse.

Em face do perigo percebido, passamos por imediatas mudanças fisiológicas. Os níveis de hormônio e de adrenalina aumentam, injetando mais sangue e fortalecendo a consciência sensual. Durante períodos de estresse diário, o corpo reage de forma similar, mas num estado de alarme (normalmente entendido como “lute” ou “fuja”) prolongado que, se deixado sem averiguação, pode desencadear uma disfunção física ou mental.

Para a medicina tibetana, o estresse relaciona-se com o desequilíbrio de três humores. Se presente em excesso, cada humor causa determinados sintomas. Assim, se sofremos de “estresse do aperto”, os músculos ficam tensos; o “estresse da bile” provoca impaciência e irritabilidade; e o “estresse fleumático” faz surgir a depressão e a fadiga. Poucos no Ocidente concordam com o ponto de vista tibetano, contudo a idéia dos humores é interessante pela importância que dá ao equilíbrio. Se nos encontramos fora de equilíbrio (por exemplo, nossas ambições estão desequilibradas em relação à vida familiar), então o estresse aparece como uma conseqüência clássica.

Os sintomas de estresse variam de pessoa para pessoa e também na gama de desencadeadores específicos. Geralmente ele se manifesta por meio de algum tipo de dor, que pode ser interpretada como uma dor mensageira: alguma coisa precisa mudar. Na maioria das vezes, se estamos estressados, um problema comum parece intransponível, e a menor das tarefas nos intimida. Não é preciso ser médico para diagnosticar o estresse. Nem é preciso habilidades especiais para tratá-lo. Se conseguirmos descobrir suas causas reais, podemos curar a nós mesmos – contanto que não nos habituemos a considerar o estresse como parte natural da vida diária, nem como um meio de obter simpatia ou elogios.

Ricardo Giraldez
Marc Chagall, Homenagem a Apollinaire
Modernas condições de emprego: trabalho sob pressão e por longas horas.

O primeiro passo para combater o estresse é aceitar que ele é resultado do nosso estilo de vida e das nossas atitudes – ele não é um sinal de falhas ou defeitos inerentes que possamos ter. Cada vez mais se espera que sejamos bons em tudo, não apenas no trabalho e em casa, mas também no jardim, no planejamento das férias e até mesmo quando relaxamos. Começamos a esperar tanto de nós que os locais para onde vamos e as coisas que fazemos para relaxar, por si sós, tornam-se desencadeadores de estresse.

Muitas vezes ouvimos pessoas dizerem que trabalham melhor “sob pressão”. Se considerarmos a curva da adrenalina, até podemos ser tentados a encontrar um pouco de verdade nisso. Por certo tempo, à medida que os níveis de adrenalina crescem com um pouco do aumento da pressão, o desempenho pode melhorar. No entanto, uma vez que a produção de adrenalina alcance certo nível, a pressão inevitavelmente se transforma em níveis cada vez maiores de estresse e a curva do gráfico começa a declinar drasticamente, até finalmente chegar ao ponto de colapso. Se nos forçarmos até nossos limites, talvez encontremos sucesso. Se nos forçarmos para além de nossos limites, certamente experimentaremos estresse.

Por fim, precisamos aceitar que, apesar de a vida poder ser estressante, essa não é uma das suas características intrínsecas. Se aprendermos a entender nossas necessidades e capacidades, conseguiremos ter controle sobre o estresse. Nada força o estresse sobre nós. Todos podem manter longe esse demônio moderno.


Leia mais:

Controlando o estresse

Sintomas

O Rodeio emocional

Alívio

 


Transcendendo

Os veículos para
a busca interior. Terapias, religiões, meditações, cura.
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