Estilo de Vida
Controlando o Estresse
O
primeiro passo para dominar o estresse – grande demônio dos
tempos modernos – é tomar consciência de que ele surge como
resultado de um estilo de vida inadequado.
Por Mike George
O texto aqui apresentado é um excerto
do livro Aprenda a Relaxar, de Mike George, lançado
recentemente pela Editora Gente. Tradução: Débora
Pita.
Estresse
é uma palavra excessivamente usada. Muitas vezes parecemos
disputar uns com os outros o papel de mais estressado e nos
sentimos gratificados quando as pessoas reconhecem o estresse
pelo qual passamos. Na realidade, temos a tendência
de estar tão prontos para nos gabar do estresse que
dificilmente paramos para pensar de onde ele vem e qual sua
relação com o modo como vivemos.
Os
desencadeadores do estresse evoluíram com o tempo.
Levantamentos mostram que, embora as condições
de trabalho tenham melhorado muito, ainda trabalhamos por
longas horas e fazemos malabarismos com as crescentes pressões
de nossa vida profissional e familiar. A sociedade moderna
espera que sejamos capazes de pensar mais rápido e
alcançar excelência em tudo. Em nome do progresso
civilizado, demo-nos uma condição moderna, a
qual chamamos de estresse.
Em face do perigo percebido, passamos por imediatas mudanças
fisiológicas. Os níveis de hormônio e
de adrenalina aumentam, injetando mais sangue e fortalecendo
a consciência sensual. Durante períodos de estresse
diário, o corpo reage de forma similar, mas num estado
de alarme (normalmente entendido como lute ou
fuja) prolongado que, se deixado sem averiguação,
pode desencadear uma disfunção física
ou mental.
Para
a medicina tibetana, o estresse relaciona-se com o desequilíbrio
de três humores. Se presente em excesso, cada humor
causa determinados sintomas. Assim, se sofremos de estresse
do aperto, os músculos ficam tensos; o estresse
da bile provoca impaciência e irritabilidade;
e o estresse fleumático faz surgir a depressão
e a fadiga. Poucos no Ocidente concordam com o ponto de vista
tibetano, contudo a idéia dos humores é interessante
pela importância que dá ao equilíbrio.
Se nos encontramos fora de equilíbrio (por exemplo,
nossas ambições estão desequilibradas
em relação à vida familiar), então
o estresse aparece como uma conseqüência clássica.
Os sintomas de estresse variam de pessoa para pessoa e também
na gama de desencadeadores específicos. Geralmente
ele se manifesta por meio de algum tipo de dor, que pode ser
interpretada como uma dor mensageira: alguma coisa precisa
mudar. Na maioria das vezes, se estamos estressados, um problema
comum parece intransponível, e a menor das tarefas
nos intimida. Não é preciso ser médico
para diagnosticar o estresse. Nem é preciso habilidades
especiais para tratá-lo. Se conseguirmos descobrir
suas causas reais, podemos curar a nós mesmos
contanto que não nos habituemos a considerar o estresse
como parte natural da vida diária, nem como um meio
de obter simpatia ou elogios.
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Ricardo
Giraldez
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| Modernas
condições de emprego: trabalho sob pressão e por longas
horas. |
O
primeiro passo para combater o estresse é aceitar que
ele é resultado do nosso estilo de vida e das nossas
atitudes ele não é um sinal de falhas
ou defeitos inerentes que possamos ter. Cada vez mais se espera
que sejamos bons em tudo, não apenas no trabalho e
em casa, mas também no jardim, no planejamento das
férias e até mesmo quando relaxamos. Começamos
a esperar tanto de nós que os locais para onde vamos
e as coisas que fazemos para relaxar, por si sós, tornam-se
desencadeadores de estresse.
Muitas vezes ouvimos pessoas dizerem que trabalham melhor
sob pressão. Se considerarmos a curva da
adrenalina, até podemos ser tentados a encontrar um
pouco de verdade nisso. Por certo tempo, à medida que
os níveis de adrenalina crescem com um pouco do aumento
da pressão, o desempenho pode melhorar. No entanto,
uma vez que a produção de adrenalina alcance
certo nível, a pressão inevitavelmente se transforma
em níveis cada vez maiores de estresse e a curva do
gráfico começa a declinar drasticamente, até
finalmente chegar ao ponto de colapso. Se nos forçarmos
até nossos limites, talvez encontremos sucesso. Se
nos forçarmos para além de nossos limites, certamente
experimentaremos estresse.
Por fim, precisamos aceitar que, apesar de a vida poder ser
estressante, essa não é uma das suas características
intrínsecas. Se aprendermos a entender nossas necessidades
e capacidades, conseguiremos ter controle sobre o estresse.
Nada força o estresse sobre nós. Todos podem
manter longe esse demônio moderno.
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