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Espiritualidade
no Trabalho
Por que o poder corrompe
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Priscila
Prade/Prensa Três
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| Beleza
das formas: atributo natural que fascina e influencia. |
O
que há no poder que tende a trazer à tona o
pior que existe em nós? Por que, quando tiramos o melhor
funcionário de uma equipe e o transformamos num supervisor,
quase sempre ele se transforma num tirano mesquinho do dia
para a noite? Trata-se da mesma pessoa, com as mesmas qualidades
que lhe garantiram a promoção. Mas, no exercício
do poder recém-descoberto, emerge uma sombra, um lado
escuro da nossa natureza. Qual é o sentido disso tudo?
Todos temos um profundo desejo de estar no controle, seguros
e a salvo, livres da preocupação e da ansiedade.
Essa necessidade é uma das mais profundas forças
que estão por trás de todos os nossos pensamentos
e ações. Mesmo que sejamos adultos responsáveis
e maduros, e saibamos que não viveremos para sempre,
que não poderemos ter tudo o que queremos, que não
poderemos ser felizes o tempo todo e saibamos que sofreremos
dores, teremos azar e desapontamentos no curso de nossa vida,
isso não nos impede de querer ficar livres de tudo
isso.
Em outras palavras, a criança dentro de cada um de
nós quer ser a estrela de um conto de fadas em que
todos os desejos sejam realizados. Querer isso, mesmo que
intelectualmente saibamos que não poderemos tê-lo,
é o que os budistas chamam de apego. Não precisamos
nos envergonhar de admitir que nos sentimos assim. Isso acontece
com todo mundo. Trata-se da condição humana.
É
por isso que o poder nos corrompe. O poder nos dá a
ilusão de que chegamos um pouco mais perto desse sonho
do conto de fadas, de que podemos controlar as circunstâncias
da nossa vida, de impedir que aconteçam coisas desagradáveis
e de evitar a dificuldade e o sofrimento. E não se
trata inteiramente de uma ilusão. Se você for
rico, tem o poder de evitar muitos dos inconvenientes da vida
comum. Você nunca terá de enfrentar a agitação
da hora do rush poderá contratar uma limusine.
E, se as avenidas estiverem realmente lotadas, poderá
contratar um helicóptero. Ou talvez ter um helicóptero!
Já sucumbi a algumas dessas tentações.
Quando eu era um monge budista, enfrentava o inverno sem aquecimento
central. Eu andava mais a pé do que de carro. Minha
alimentação era frugal, simples. Eu via essas
dificuldades modestas como parte do meu treinamento espiritual,
portanto, elas não me incomodavam. Agora, durante minhas
viagens de negócios, fico irritado se o hotel onde
estou é barulhento, se meu assento, no avião,
fica na fila do meio, ou se o serviço do restaurante
é lento. Porque vivo uma vida de mais riqueza e mais
controle aparente, meu estado mental é menos flexível
e menos receptivo do que na época em que eu era monge.
Pelo fato de eu ter mais poder externo, sou tentado a usá-lo
para tornar minha vida mais protegida e tranqüila. Mas
isso tem o efeito inverso. Pelo contrário, eu tenho
menos poder interior. Sou mais vulnerável e fraco.
O poder é uma ilusão, mas uma ilusão
muito convincente. Construímos toda uma sociedade ao
redor da premissa de que o poder, particularmente o poder
do dinheiro, é uma coisa boa. Segundo as imagens que
nos bombardeiam de cada tela de televisão, não
existe nada mais excitante e glamouroso do que uma vida repleta
de dinheiro e de poder.
Bom
Patrão, Mau Patrão Uma grande amiga que
estava lendo o manuscrito deste livro comentou:
Você
não parece retratar uma imagem muito boa dos patrões.
Considerei o comentário dela e concluí que provavelmente
ela estava certa. Existem bons e maus patrões, mas
acho que a maioria das pessoas já teve dificuldade
com o patrão em alguma época da vida.
Além
da corrupção intrínseca do poder, a maioria
das pessoas que tem cargos de liderança recebe pouco
treinamento, se algum, sobre como administrar o poder e suas
corrupções. Signifique o que significar, treinadas
ou não, as pessoas ascendem ao poder, exercem poder
e, em muitos casos, abusam do poder. Se os patrões
não fazem bem seu trabalho, não é porque
eles sejam pessoas ruins, mas porque as organizações
não os treinam para saber como lidar com o poder, ou
não lhes proporcionam um sistema de valores que coloque
o poder na perspectiva correta.
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