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Reconectando: Ambiente

Edição 346 -Julho 2001
 

Espiritualidade no Trabalho
A Força do Poder Interior

Embora dinheiro, informação, conhecimento e beleza física sejam armas potentes no ambiente de trabalho, nenhum desses ingredientes é tão significativo como o poder que vem do nosso mundo interior.

Por Lewis Richmond
O texto aqui apresentado é um excerto do capítulo 18 do livro O Trabalho Como Prática Espiritual, de Lewis Richmond, lançado recentemente pela Editora Cultrix. Tradução: Zilda Hutchinson Schild Silva.

Regis Filho

Você sabe lidar com o poder? Se sabe, então você é uma pessoa rara. A maioria das pessoas tem dificuldade com o poder. O ditado de lorde Acton sobre o poder – “O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente” – é tão citado que se tornou um clichê. Quando essas palavras foram escritas, reis e imperadores ainda detinham o poder absoluto. Isso não é tão freqüente hoje, mas o poder ainda corrompe, e, no local de trabalho, o poder, como o dinheiro, sempre é um problema. Muitos poucos locais de trabalho funcionam como democracias. Mesmo os que afirmam sê-lo não são tão democráticos quanto parecem. Eu trabalhei tanto para organizações idealistas, sem fins lucrativos, quanto para corporações que visavam lucro, e a principal diferença que vi é que, no setor dos lucros, os relacionamentos de poder são mais visíveis e mais diretos.

À primeira vista, o poder parece ser um estado de intensa energia. O diretor que grita e bate com o punho na mesa para que tudo seja feito a seu modo parece estar demonstrando poder. O policial que apita para você quando o impede de atravessar a rua está demonstrando poder. Mas, se você já passou algum tempo com alguém que tem poder real, a energia em geral é serena e sutil. Certa vez fiz uma apresentação numa companhia de dois bilhões de dólares. No meio da apresentação, o diretor-executivo entrou e sentou-se no fundo da sala. Não disse nada, mas o sentimento de cada um no aposento mudou notoriamente. Estávamos na presença do poder. O diretor que grita não está exercendo poder; ele está frustrado porque não tem poder. O poder real é silencioso. E o poder interior é o mais silencioso de todos. Ele é quase invisível, mas pode mover montanhas.

Tipos de Poder – Há muitos tipos de poder, muitos modos de uma pessoa dobrar outra à sua vontade. Naturalmente, o poder máximo é uma força mortal. Embora esse poder ainda seja exercido no mundo todo por nações contra nações e por governantes opressivos contra seus cidadãos, temos de ser gratos porque no trabalho nossos supervisores não seguram um chicote na mão nem apontam armas de fogo para nós. A escravidão e a servidão são relíquias de um passado mais cruel. Os tipos de poder que encontramos no trabalho são mais sutis do que isso.

Preeminente num sistema capitalista é o poder de propriedade. Os proprietários, ou acionistas, governam com supremacia. Certa vez perdi meu emprego porque a firma para a qual eu trabalhava pertencia a um conglomerado do Japão. Os executivos japoneses nunca tinham me encontrado e pouco sabiam sobre a companhia para a qual eu trabalhava, exceto por algumas folhas de papel que resumiam nossos ganhos desapontadores. No entanto, eles tinham o poder de acabar com meu ganha-pão, mesmo estando do outro lado do oceano.

Na maioria das firmas de qualquer tamanho, o poder da hierarquia vem em seguida. O presidente, diretor-executivo ou chefe é investido com considerável poder sobre os outros – de contratar e despedir, de promover ou rebaixar, de ofender ou vetar um bônus ou um aumento. Se é gerente ou chefe, você exerce esse poder. Você pode ser a pessoa mais amável do mundo, e seus subordinados podem lhe dizer que gostam de você e o respeitam, mas, em certa medida, eles são cautelosos com você. Você tem poder.

Malanca/Sipa-Press
Regis Filho
Policial de trânsito em ação: símbolo de autoridade.

Existem outros tipos de poder no local de trabalho. O conhecimento é poder, particularmente em nosso mundo altamente tecnológico. Quando os computadores saem fora do ar, tudo pára, até que os administradores do sistema, cujos conhecimentos especializados mantêm o resto da companhia como refém, podem fazer o sistema voltar a funcionar outra vez.

Dinheiro é poder. Alguns pensam que ele é o poder supremo. Conheci certa vez um membro de uma família aristocrática da Europa, uma senhora distinta na casa dos 60 anos. Certo dia, quando estávamos falando sobre suas experiências durante a Segunda Guerra Mundial, ela disse:

“Deixe-me contar um segredo. Não importa o que qualquer pessoa lhe disser, as guerras sempre acontecem por causa do dinheiro!”

Não sei se isso é sempre verdade, mas durante muito tempo lembrei do comentário dela. Pode ser mais verdadeiro do que gostaríamos de acreditar.

A beleza física confere poder. Para uma estrela de cinema ou modelo, a beleza pode valer milhões e deslanchar toda uma carreira. Nossa aparência física e presença muitas vezes podem ser um ingrediente importante na nossa capacidade de influenciar os outros. Certa vez li um estudo que analisava a altura física dos executivos do sexo masculino e concluiu que em média eles eram de sete a dez centímetros mais altos que o adulto médio comum. Esse foi apenas um estudo. Com a crescente diversidade de executivos em cargos de liderança (muitos dos quais do sexo feminino), essa estatística é menos importante do que já foi um dia. Mas a presença física e a aparência contam mais do que gostaríamos de admitir.

Regis Filho
Técnicos de computação: domínio sobre a empresa.

A informação é, cada vez mais, uma profunda fonte de poder. Uma participante dos meus workshops disse que já trabalhara como especialista em compensação para a companhia Fortune 500. Ela tinha acesso à informação sobre o salário de cada funcionário – quem recebia bônus e qual seu valor, quem obteve aumento e quem não, bem como os planos de opção acionária dos altos executivos. Ela nos disse que andava por uma sala imaginando qual seria o efeito se ela contasse a duas pessoas que se sentavam lado a lado, e faziam o mesmo trabalho, que uma ganhava anualmente 20 mil dólares a mais do que a outra.

“Alguém lhe ofereceu um suborno para você abrir o jogo?” – alguém perguntou.

Ela concordou vigorosamente com a cabeça.

“Vocês não acreditariam nas coisas que as pessoas me diziam.” Esse é o poder da informação.


Leia Mais:

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