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Transcendendo: Mente

Edição 344 - Maio 2001
  Entrevista
Nuno Cobra
O Semeador de Vitórias

Preparador físico de grandes nomes, como Ayrton
Senna, Rubens Barrichello e Abílio Diniz, Nuno Cobra
acaba de lançar um livro onde mostra os principais
aspectos do seu método, que trabalha não só o corpo
mas também a mente e o espírito.

Por Fátima Afonso

Carmina Sophia

PLANETA – Em seu livro, A Semente da Vitória (Editora Senac), você afirma que, quando alguém resgata o poder do corpo, transforma-se mental e espiritualmente. Explique-nos de que maneira isso se dá.
Nuno Cobra – O meu trabalho é uma nova forma de trabalhar o corpo. Eu acredito que, nesta nova era, nós temos de avançar um pouco mais isso. Durante todo o século 20, nós tivemos a ditadura do raciocínio, do intelecto, onde o corpo praticamente não existia. Nos anos 80, quando ele foi descoberto, passou-se a buscar o culto ao corpo. Acho que isso é muito pouco.

A minha proposta é fazer do corpo um caminho para você atingir a pessoa como um todo, para desenvolver o potencial humano, chegando à mente, à emoção e ao espírito. Ele é o que nós temos de mais palpável, de mais concreto, e é o nosso maior patrimônio. Então, as coisas que você faz com ele têm um significado extremamente forte no seu espírito, na sua mente; ficar falando com uma pessoa um milhão de palavras não tem o valor de uma postura, de uma atividade.

Prensa Três
Olimpíadas: massacre ao corpo e vitórias conseguidas de forma irreal.

PLANETA – A partir do corpo, você trabalha, por exemplo, a auto-estima...
Nuno Cobra – Exatamente. Para vencer o mundo e as pessoas, você tem de vencer a si mesma. As pessoas não se valorizam, não se ocupam com elas próprias. A minha proposta é esse chamamento para o indivíduo se interiorizar, se cuidar. Com isso, vai começar a perceber que ele existe dentro da vida dele. Como você vai trabalhar espiritualmente uma pessoa que não existe? É totalmente sem sentido. Você reza, faz uma porção de orações, mas isso não é trabalhar o espírito; você está ali pedindo sempre, não está dando nada, nem se transformando. Eu tenho uma religião própria: a religião de que você tem de se cuidar.

Todo mundo diz assim: “Mas como é que se desenvolve a pessoa espiritualmente? Fazendo ginástica? É ridículo...” O meu negócio não é fazer ginástica para ficar forte e burro, não, mas dar à pessoa uma filosofia de vida, para que ela comece a se cuidar mais, a dormir e se alimentar melhor. Com isso ela vai estar exuberante diante da vida e vai ser agradável, delicada, vai amar o seu semelhante. Não é que ela vai ser boa para poder ir para o céu, mas porque é bom ser bom, isso lhe faz bem. Ajudar as pessoas é a nossa finalidade aqui na Terra, mas isso não é porque o indivíduo é o máximo, mas porque ele está no seu equilíbrio, vive bem, está centrado.

PLANETA – Uma pessoa desestruturada emocionalmente pode chegar à cura a partir desse trabalho que você propõe?
Nuno Cobra – A emoção é a rainha do corpo, da vida. Eu costumo dizer que o cérebro é completamente burro. Imagine uma pessoa que está querendo emagrecer; ela começa a comer menos, só que o cérebro não sabe. Então, ele conclui o quê? “Bom, a pessoa não comeu, portanto, está perdida no deserto ou está doente. Assim, vai aproveitar duas mil vezes mais o que ela ingeriu. Para emagrecer, a pessoa tem de comer várias vezes por dia. Você vê que é esquisito...

Tudo que está no cérebro, entra em contato com o mundo através dos órgãos dos sentidos; são eles que levam as informações para o cérebro, as quais são guiadas pela emoção. Então, a verdade não existe; existe aquilo que você entende como verdade. Esse cérebro burro é a grande arma para você ter sucesso e ser feliz. Os meus atletas foram os melhores, mas podiam não ser. Só que eles acreditaram que eram. É muito comum, por exemplo, alguém dizer: “Como fulano pode ter tanto sucesso, se ele foi um péssimo aluno?” Só que, quando se formou, ele falou: “Eu sou o máximo.” Foi lá e arrebentou. O outro que estudou pra caramba concluiu: “Eu acho que não sei.” Não adianta o indivíduo saber, se ele sofreu mais as conseqüências do tripé de anulação.



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