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Agorafobia
Para Vencer o Pânico
Cada
vez mais comum, a agorafobia e outros tipos de ansiedade patológica
transformam em verdadeira batalha a rotina de inúmeras pessoas
que tentam manter um estilo de vida dentro da normalidade.
Por
Ramiro J. Álvarez
Dedicaremos
este espaço à mais complexa, persistente e limitadora
das manifestações fóbicas, já
que sua incidência entre a população que
atualmente segue algum tipo de tratamento psicoterápico
é bastante elevada; o grau de angústia que se
experimenta nessa situação é muito alto,
e a natureza desse quadro costuma ser mal compreendida, tanto
por quem sofre dele como por quem tenta ajudar o agorafóbico
a superar sua paralisadora angústia.
Em primeiro lugar, convém deixar claro que, apesar
de o nome técnico desse quadro de angústia provir
da palavra grega ágora (= praça), as vivências
de ansiedade patológica às quais se refere não
se limitam a experimentar terror apenas em espaços
abertos (esplanadas, planícies, praias largas ou similares),
e sim que o intrincado da angústia é muito mais
complexo e sutil, chegando a abranger uma ampla variedade
de situações ambientais, muitas vezes aparentemente
contrapostas.
Alguns autores preferem conferir a essa complexa forma de
comportamento de evitação o nome de ataques
de pânico, fazendo referência mais à
vivência de angústia experimentada pelo indivíduo
do que a possíveis situações ambientais
desencadeadoras desse estado. Porque, como veremos, esse distúrbio
de ansiedade não se apresenta associado a uma situação
específica e determinada, como os outros quadros fóbicos,
mas surge em relação a certo tipo de temores
internos que o próprio indivíduo condicionou
(associou) a numerosas experiências vitais.
O caso de João é representativo: sua duração
estendeu-se ao longo de 16 anos(!), e as diferentes fases
e complicações que foi experimentando em seu
curso podem ilustrar bem a enorme complexidade que tal distúrbio
encerra. Por isso me estenderei um pouco em descrever e comentar
esse exemplo.
João, atualmente um brilhante profissional com todo
um futuro esplêndido pela frente, era um jovem de compleição
atlética quando, pela primeira vez, aos 17 anos, experimentou
um ataque de ansiedade. Nos meses anteriores, tinha presenciado
casualmente, na mesma rua que costumava passear com seus amigos,
três casos de desmaios, tendo chegado uma das pessoas
a ferir-se seriamente ao bater o rosto contra o asfalto. João
que, por sua parte, tinha propensão a hemorragias
nasais começou a desenvolver uma espécie
de apreensão diante da possibilidade de que lhe acontecesse
um acidente desse tipo na rua. Quer dizer, começou
a relacionar a angústia por ele mesmo produzida com
determinados ambientes ou situações relacionadas
com a rua.
O primeiro ataque de pânico sobreveio-lhe em um domingo,
enquanto assistia a uma função religiosa em
meio a um bom número de pessoas: o ambiente abafado
disparou seu alarme mental sobre um possível perigo
(exagerado) de falta de ar e desfalecimento; pensamentos ansiógenos
que, por sua vez, puseram em marcha os mecanismos fisiológicos
correspondentes aos comportamentos de fuga: aumento do batimento
cardíaco, sudorese nas palmas das mãos, respiração
entrecortada... os sinais orgânico-anímicos,
que contribuíram para fechar o circuito de autogeração
de angústia, porquanto o mesmo João as interpretava
como sinal inequívoco da iminência de uma crise
cardíaca ou algo similar.
Quando, em luta com sua angústia, e depois de comunicar
a um colega que se sentia mal e pedir-lhe que o acompanhasse
à saída, João se viu fora da situação
angustiante inicial, começou a sentir-se muito melhor.
No entanto, o susto tinha sido suficientemente forte para
que procurasse a ajuda do médico de cabeçeira,
o qual, após o oportuno reconhecimento e constatação
de que o estado de saúde do jovem era invejável,
diagnosticou-lhe um distúrbio psicossomático,
prescrevendo-lhe alguns tranqüilizantes. Como João
já se sentia tranqüilo e confiava plenamente na
eficácia do tratamento prescrito, resolveu provar a
si mesmo os progressos que obtivera, introduzindo-se em uma
situação similar à primeira (dessa vez,
num cinema abarrotado de espectadores). Quando, passados poucos
minutos, voltou a experimentar idênticos sintomas aos
da vez anterior, vendo-se de novo obrigado a sair literalmente
fugindo da sala, toda sua boa disposição veio
abaixo. Seus níveis de ansiedade flutuante dispararam
com a idéia de que alguma coisa não ia bem em
seu organismo.
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