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A
floresta ameaçada
Por
Tica Minami
Assessora de comunicação do Greenpeace
Brasil, organização sem fins lucrativos que luta pela
preservação do meio ambiente. Saiba mais sobre o Greenpeace:
0800-112510 ou pela Internet: www.greenpeace.org.br
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| Desmatamento
ilegal das nossas florestas: crime que coloca em risco os
vários ecossistemas brasileiros. |
Considerado
o país de maior biodiversidade do mundo, o Brasil tem sua
riqueza natural constantemente ameaçada. A área de
desmatamento na Amazônia, por exemplo, vem crescendo anualmente
e a exploração ilegal de madeira ameaça a preservação
da maior floresta tropical do mundo.
Elaborado
em 1965, o Código Florestal Brasileiro regulamenta a proteção
e uso dos ecossistemas florestais naturais do País. A atualização
do dispositivo torna-se necessária em decorrência da
devastação de grandes áreas de florestas nativas
e da ocupação desordenada de terras, além da
necessidade de incorporar novos conceitos relativos ao desenvolvimento
sustentável.
Desde
o final de 1999, a bancada ruralista do governo representada
pelo deputado federal Moacir Micheletto (PMDB-PR) e pela Confederação
Nacional da Agricultura (CNA) vem articulando a aprovação
de um projeto de lei que modifica o Código Florestal. Se
aprovado, o projeto permitiria o desmatamento de até 80%
da área de propriedades localizadas no Cerrado, e de até
50% de propriedades na Amazônia. A proposta dos ruralistas
extingue conquistas ambientais obtidas há mais de 30 anos.
Além de permitir a ampliação legal do desmatamento,
o projeto do deputado paranaense reduz e, em alguns casos, elimina
as áreas de preservação permanente, responsáveis
pela preservação e conservação dos recursos
hídricos. O projeto ainda permite plantios florestais homogê-neos
de espécies exóticas, como o pinus e o eucalipto,
em áreas de reserva legal, destinadas atualmente para manutenção
e manejo racional de florestas nativas.
O projeto
do deputado Micheletto apóia-se no argumento de que o desenvolvimento
econômico das regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil
só será possível com a pecuária extensiva
e a abertura de novas áreas para a monocultura como
plantio de soja e algodão.
Tal
argumento, no entanto, não se sustenta quando se leva em
conta, por exemplo, a aptidão agrícola da região
amazônica, seu histórico de desmatamento e a velocidade
na queda de produtividade das áreas já abertas. Só
na Amazônia legal existem, hoje, mais de 16 milhões
de hectares de terras desmatadas, em estado de degradação
e abandono. Além disso, outros grandes ecossistemas brasileiros
como o Cerrado, manguezais e Mata Atlântica
estão ameaçados pelo projeto do deputado Micheletto.
Em
contrapartida, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) aprovou,
depois de 30 reuniões de trabalho com 730 entidades de diversos
setores da sociedade, uma proposta alternativa para alteração
do Código Florestal, garantindo, entre outras coisas, que
80% da área total das propriedades particulares na Amazônia
seja destinada à reserva legal.
Tal
proposta demonstra a vontade da sociedade civil brasileira em compatibilizar
um novo modelo de desenvolvimento agropecuário com a conservação
dos recursos naturais para as gerações futuras, promovendo
o desenvolvimento sustentável das nossas florestas naturais.
No entanto, o desmatamento não é a única ameaça
aos ecossistemas brasileiros. A sociedade precisa estar atenta às
outras implicações técnicas e ambientais da
proposta defendida pelos ruralistas. A luta pela preservação
da Amazônia continua.
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