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LIVRO:
A Tradição do Yoga
Georg Feuerstein
Prefácio: Ken Wilber
Editora Pensamento
Tradução: Marcelo Brandão Cipolla
IV.
O YOGA E O OCIDENTE
MODERNO
No
nosso esforço pela autocompreensão e pelo crescimento
psicoespiritual, temos muito a ganhar da intensificação
de nossos contatos com a herança espiritual da Índia.
É claro que não precisamos nos converter a nenhum
caminho nem precisamos aceitar sem questionamento as idéias
e práticas do Yoga. O alerta de C.G. Jung, de que não
devemos procurar transplantar as doutrinas orientais para o Ocidente,
é verdadeiro num certo nível: não há
dúvida de que a simples imitação faz mais mal
do que bem. Isso porque, se adotarmos uma idéia e um estilo
de vida sem verdadeiramente assimilá-los nas emoções
e no intelecto, correremos o risco de levar uma vida falsa. Em outras
palavras, sucumbiremos à exterioridade. Não obstante,
Jung era pessimista demais quanto à capacidade que as pessoas
têm de separar o joio do trigo, ou de aprender a integrar-se
mesmo a partir das experiências negativas.
Além
disso, sua idéia de que a constituição psíquica
dos ocidentais é radicalmente diferente da dos orientais
é manifestamente incorreta. Certamente existem diferenças
psicológicas entre os ramos oriental e ocidental da família
humana - diferenças que se revelam com evidência aos
que já viajaram muito e aos que, a negócios, cruzam
os grandes divisores de águas culturais que separam o "Oriente"
do "Ocidente" e o "Norte" do "Sul".
Essas diferenças chegam a ser até muito grandes quando
comparamos os orientais de ontem aos ocidentais de hoje, mas não
são radicais nem intransponíveis.
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