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Da
Redação
As
Sementes do Bem
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| Presídios
brasileiros: carência de trabalhos para a recuperação
dos presos. |
Logo
depois de uma longa conversa com Nuno Cobra, ouvi no rádio
do carro, a caminho da redação, declarações
de um político defendendo, fervorosamente, a privatização
dos presídios brasileiros. A matéria não podia
ser mais sincrônica: o tema havia sido tratado de passagem
mas de forma certeira e lúcida na entrevista
que fizera há pouco com o preparador físico (talvez
fosse melhor dizer preparador de almas).
Conhecido
na mídia por haver feito um trabalho junto a grandes nomes,
como Ayrton Senna, Rubinho Barrichello e Patrícia Medrado,
Nuno desenvolveu um método que tem como base seis itens:
sono, alimentação, atividade física, relaxamento,
meditação e programação mental. A partir
daí, ele trabalha, sobretudo, a auto-estima do cliente
o que parece ser, de fato, o grande segredo de seu sucesso.
Há
anos, quando era ainda um ilustre desconhecido, ele usou a mesma
técnica com detentos de uma cadeia pública de Paraguaçu
Paulista, no interior de São Paulo. Os resultados não
podiam ser melhores: aqueles presos acabaram por se tornar pais
de família e cidadãos produtivos. A tese de Nuno é
simples: despertar, através do esporte, o lado bom do presidiário,
o qual, como todo ser humano, traz em si a semente do bem. Sua teoria,
de certa maneira, me faz recordar os ensinamentos deixados por Cristo
e outros grandes mestres, já que traz nas entrelinhas uma
alta dose de amor ao próximo.
O que
me pergunto é: por que idéias como essa não
são postas em prática pelo governo brasileiro? A privatização
dos presídios todos nós sabemos provavelmente
colocará mais ordem no sistema carcerário, mas, com
certeza, muito pouco fará pela real recuperação
dos presos. Até porque a intenção não
parece ser mesmo essa. O grande problema talvez, nesse e em diversos
outros casos, é que a maioria dos homens ainda tem dificuldade,
como ensina o próprio Nuno Cobra, em ver as coisas
boas em um mundo de coisas ruins. Pior: muitos ainda não
aprenderam a dar ao espírito e à mente o seu devido
valor ironicamente, uma lição deixada nesta
edição por um preparador físico...
Fátima
Afonso, redatora-chefe
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