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Edição 344

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DA REDAÇÃO

Da Redação
As Sementes do Bem

Prensa Três
Cláudio Versiani
Presídios brasileiros: carência de trabalhos para a recuperação dos presos.

Logo depois de uma longa conversa com Nuno Cobra, ouvi no rádio do carro, a caminho da redação, declarações de um político defendendo, fervorosamente, a privatização dos presídios brasileiros. A matéria não podia ser mais sincrônica: o tema havia sido tratado de passagem – mas de forma certeira e lúcida – na entrevista que fizera há pouco com o preparador físico (talvez fosse melhor dizer “preparador de almas”).

Conhecido na mídia por haver feito um trabalho junto a grandes nomes, como Ayrton Senna, Rubinho Barrichello e Patrícia Medrado, Nuno desenvolveu um método que tem como base seis itens: sono, alimentação, atividade física, relaxamento, meditação e programação mental. A partir daí, ele trabalha, sobretudo, a auto-estima do cliente – o que parece ser, de fato, o grande segredo de seu sucesso.

Há anos, quando era ainda um ilustre desconhecido, ele usou a mesma técnica com detentos de uma cadeia pública de Paraguaçu Paulista, no interior de São Paulo. Os resultados não podiam ser melhores: aqueles presos acabaram por se tornar pais de família e cidadãos produtivos. A tese de Nuno é simples: despertar, através do esporte, o lado bom do presidiário, o qual, como todo ser humano, traz em si a semente do bem. Sua teoria, de certa maneira, me faz recordar os ensinamentos deixados por Cristo e outros grandes mestres, já que traz nas entrelinhas uma alta dose de amor ao próximo.

O que me pergunto é: por que idéias como essa não são postas em prática pelo governo brasileiro? A privatização dos presídios – todos nós sabemos – provavelmente colocará mais ordem no sistema carcerário, mas, com certeza, muito pouco fará pela real recuperação dos presos. Até porque a intenção não parece ser mesmo essa. O grande problema talvez, nesse e em diversos outros casos, é que a maioria dos homens ainda tem dificuldade, como ensina o próprio Nuno Cobra, em “ver as coisas boas em um mundo de coisas ruins”. Pior: muitos ainda não aprenderam a dar ao espírito e à mente o seu devido valor – ironicamente, uma lição deixada nesta edição por um preparador físico...

Fátima Afonso, redatora-chefe


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