Vote em IstoÉ na final do Top 3, o voto popular do IBest.
 NUMEROLOGIA
 TARÔ
 HORÓSCOPO
 CAPA
 ÍNDICE
 ENTREVISTAS
 CHATS ANTERIORES

 CANAIS

 Guia Cósmico
 Área 51
 Encantamentos
 Transcendendo
 Reconectando
 Paranormal

 BIBLIOTECA PLANETA

 Edições Anteriores
 Especiais

 BUSCA

Procure outras matérias

 

 


Edição 342

ASSINATURAS
EXPEDIENTE
PUBLICIDADE
NEWSLETTER
FALE CONOSCO

 
           

Transcendendo: Religião

Edição 342 - Março 2001
 

ENTREVISTA
Inty Mendoza
Os rituais religiosos

Ford Madox Brown, Jesus Lavando os Pés de Pedro/Tate Gallery, Londres
Homem santo: ensinamentos que inspiram toda a humanidade.

PLANETA – Ao contrário da maioria das religiões tradicionais que pedem ao homem que tenha fé em um ou vários seres superiores, vocês afirmam que a fé do indivíduo em si mesmo é a única verdadeira. Explique-nos por quê.
Inty
– Principalmente por ser uma experiência pessoal. Também considero muito importantes esses referenciais externos para a constituição da fé, porque transcendem um pouco as barreiras do nosso próprio egoísmo, as limitações, etc. Mas, se a fé não for uma experiência baseada na própria compreensão de si mesmo, acaba sendo mais um conceito, um paliativo para quando surge aquela sensação de inao caminho, a verdade, a vida”. Não basta todo mundo falar isso e pronto, estamos todos resolvidos em termos espirituais. É preciso acreditar naquele que diz “eu sou o caminho, a verdade e a vida” por perceber que tudo isso ecoa profundamente no meu próprio espírito, na alma, na minha consciência. Ou seja, tudo o que Cristo, no caso, manifestou ali é também um potencial que eu carrego e que, na medida do possível, tenho de despertar dentro de mim, principalmente.

PLANETA – Ou seja, não seria uma fé que larga tudo na mão de um deus ou de um santo poderoso. Na verdade, com a ajuda deles, eu posso ser poderosa...
Inty
– Sem dúvida nenhuma, essa é a grande mensagem que procuramos deixar com o livro. Não é o deus poderoso que vai fazer algo pra você, se você não quiser fazer alguma coisa por si mesma.

PLANETA – A fé ocidental é colocada, em geral, em um ser exterior. Nós podemos considerar que no Oriente esse processo é inverso?
Inty
– Não chega a ser inverso. Jung, por exemplo, afirma que a religiosidade oriental é mais introvertida e a ocidental é mais extrovertida, por uma própria tendência psicológica dessas duas culturas, porque isso se formou dessa maneira. Utilizando um pouco essa imagem, dá para perceber que a religiosidade do Oriente buscava mais o autoconhecimento, era uma coisa mais meditativa; a tradição budista e mesmo o taoísmo com seus mestres recolhidos nas montanhas são um grande exemplo disso. Por outro lado, a fé ocidental é mais coletiva e, nessa coletividade, você acaba criando um referencial externo. Eu acredito, porém, que estamos numa época em que não dá para generalizar nesse ponto; fica tudo num meio de caminho. Quer dizer, nem a religiosidade oriental é agora realmente uma busca da compreensão de si mesmo, nem a ocidental é voltada totalmente para o exterior.
Eu acho que, com o modo de vida que temos hoje, é muito difícil mantermos o mesmo modo operante religioso de séculos atrás. A nossa maneira de viver, de pensar, as informações que chegam até nós, tudo faz com que seja difícil. O grande desafio do homem moderno, não importa a que religião ele pertença, é estar trazendo essa tradição milenar para o século 21, para essa loucura que estamos vivendo. Puxar a fé para a fé na consciência, para a fé em si mesmo, faz dessa proposta uma maneira de qualquer pessoa, dentro de qualquer religião, se alimentar das suas próprias raízes, da sua própria fonte, e conseguir colocar isso na sua vida prática, no seu cotidiano.

PLANETA – Qual o papel dos rituais religiosos no desenvolvimento da fé?
Inty
– O ritual é o exercício da fé. Principalmente a questão da reverência e do louvor ao deus em quem você tem fé. Mas é difícil falar de rituais porque cada religião desenvolve isso de uma maneira diferente. Particularmente, eu acho que eles têm um significado muito grande, por causa da simbologia que carregam. Os rituais eram, inclusive, a maneira de os homens santos transmitirem seus ensinamentos. Hoje, nossas informações circulam através de livros, de uma palestra, da transmissão de conhecimento formal. Eu acho que o ritual é a maneira mais antiga de o ser humano ensinar, de passar para a frente uma experiência. Creio – e essa é uma teoria própria – que isso foi algo aprendido, observando-se a natureza: o ritual das quatro estações, o ritual do dia e da noite, dos ventos, etc.
Talvez o ritual religioso fosse um pouco essa ritualística da natureza refletida na convivência entre os homens. Por outro lado, a maneira mais direta de se transmitir algo é permitir que o outro tenha essa mesma experiência.

PLANETA – Mas, à medida que o homem vai desenvolvendo aquela fé mais interior, os rituais não vão se tornando supérfluos, menos necessários?
Inty
– Eu penso que eles vão encontrando seu lugar justo. Eu acredito que, quando a fé em si mesmo é desenvolvida, aí sim o ritual se torna uma experiência verdadeira, não imposta. Podemos achar que esse ritual institucionalizado é algo que não nos serve mais. Mas as suas raízes são uma experiência inspiradora, que vai nos ensinar muita coisa. A partir do momento em que essa sensibilidade é despertada dentro do indivíduo, o ritual se torna uma coisa realmente importante, verdadeira em seu caminho; a missa católica ou o oferecimento de incenso no budismo, por exemplo, se tornam uma coisa profundamente integrada com aquele processo interior que a pessoa está vivendo. Se essa consciência foi despertada, a simbologia usada no rito realmente expressa o que a pessoa está sentindo e buscando.

Leia mais:

No caminho da fé

Os rituais religiosos

A fé em excesso

Sofrer inutilmente é o maior pecado

 


Transcendendo

Os veículos para
a busca interior. Terapias, religiões, meditações, cura.
O encontro da alma, corpo e mente



| ISTOÉ ONLINE | DINHEIRO | ISTOÉ GENTE | ÁGUA NA BOCA | EDIÇÕES ANTERIORES |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE |
© Copyright 1996/2001 Editora Três