ENTREVISTA
Inty Mendoza
No
Caminho da Fé
Estudioso
da filosofia oriental, Inty Mendoza juntou-se ao chinês
Sim Soon Hock para transformar uma série de palestras
sobre a doutrina budista em sete livros que tratam das riquezas
do homem santo. O primeiro, recentemente publicado, fala da
fé e é o tema central desta entrevista que Inty
deu a PLANETA.
Por
Fátima Afonso
PLANETA
O livro Fé (Axis Mundy), de sua autoria e do
chinês Sim Soon Hock, é o primeiro título
de As 7 Riquezas do Homem Santo. De onde nasceu
a idéia de produzir essa coleção?
Inty Essa coleção nasceu de palestras
e reuniões que nós realizamos periodicamente
na Associação Ad Lumen de Filosofia Oriental,
em Jundiaí. Esse tema foi escolhido por fazer parte
da doutrina budista. Isso era um pouco do que nós estávamos
estudando na época e, até certo ponto, foi escolhido
meio ao léu, sem que houvesse uma intenção
específica de transformar esse material em livro. A
idéia surgiu no meio do processo e nós passamos
a organizar melhor o material; foi feito um trabalho de revisão
e complementação relativamente longo, já
que as palestras foram dadas em 98 e o livro só ficou
pronto agora.
PLANETA Como é que você conheceu
o Sim?
Inty Eu o conheci numa outra associação
de filosofia oriental de São Paulo, a Associação
Para Estudos de Confúcio e Mencius. O senhor Sim, que
é de Cingapura, acabou vindo para o Brasil fazer palestras
a convite dessa organização e eu fazia todo
o trabalho de tradução das suas palestras.
PLANETA
Você chegou a viver na China?
Inty Eu fiz algumas viagens para Taiwan, mas
o maior período de tempo que eu fiquei lá foram
cinco meses. Foram viagens para entrar em contato com alguma
coisa muito específica de filosofia, budismo e confun-cionismo.
PLANETA
Homens santos, segundo vocês, foram todas aquelas
pessoas que serviram de inspiração para o despertar
espiritual da humanidade, como Cristo, Buda, São Francisco
de Assis e Confúncio. Quais seriam os homens santos
dos dias atuais?
Inty Agora, trabalhando ativos, eu não
sei...
PLANETA Chico Xavier poderia ser considerado
um homem santo?
Inty Eu acredito que sim.
PLANETA Qual é a diferença básica
entre o ser humano comum e o homem santo?
Inty Você mede o homem santo
pelo ensinamento, pelo exemplo que ele deixa. Até que
ponto o seu legado é inspirador para um processo de
autoconhecimento de todo ser humano e não de uma determinada
doutrina ou para o engrandecimento de uma instituição
específica? Quer dizer, não é uma coisa
assim tão situada no tempo e no espaço; o homem
santo é aquele que consegue vencer as eras, porque
o seu ensinamento está tão relacionado à
própria vivência da realidade humana que é
uma coisa que vai inspirar todas as pessoas, em todas as culturas.
PLANETA
Nesse sentido, nós poderíamos dizer que
há muitos homens santos que passam despercebidos...
Inty Sem dúvida nenhuma; eu acredito
que a grande maioria é assim: pessoas com uma existência
de grande qualidade que não entram para a história,
mas cumprem com o seu papel.
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