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Pedagogia
Espiritualizante
A
Educação do Futuro
As
novas tendências na educação giram em
torno de um aprendizado multidimensional e têm como
principal meta a expansão da alma humana.
Por
Carlos Cardoso Aveline
A
educação não acontece só nas
escolas e universidades. Todo ser huma no é um educador,
seja na condição de diretor de empresa, professor
ou simplesmente como pai, tio e irmão mais velho. Educamos
os outros enquanto educamos a nós próprios.
É
claro que a educação é recíproca.
Também aprendemos com nossos alunos, filhos e com todos
que estão sob nossa influência. Crianças,
estudantes e trabalhadores devem ensinar cada dia mais ativamente,
questionando as situações e garantindo sua autonomia
criadora.
Os
problemas da educação escolar brasileira
incluem baixos níveis de aprendizado, indisciplina,
falta às aulas, violência e consumo de drogas
nas escolas e universidades. Este quadro reflete o relativo
fracasso de um modelo de educação formal que
é estreito e autoritário. Com escolas mal aparelhadas,
turmas demasiado grandes, o professor não pode dar
o atendimento devido a cada estudante. As atividades escolares
ficam limitadas a um nível exclusivamente mental, com
memorização de informações pouco
importantes para a vida real. Faltam atividades criativas
e trabalhos práticos em que cada aluno possa expressar
seu potencial humano.
O
sistema de ensino tradicional, só parcialmente
renovado, não ensina a viver, mas abafa a criatividade
da criança e do adolescente. A juventude tem uma necessidade
irreprimível de transformar e reinventar a vida. Esse
impulso natural não pode ser reprimido em vão.
Quando a força renovadora da juventude não é
canalizada construtivamente para que faça a vida melhorar,
ela se expressa de modo destrutivo e autodestrutivo. Assim,
um extremo leva ao outro: uma educação feita
de cima para baixo, que não acompanha a evolução
do espírito humano e condena o aluno à passividade,
acaba abrindo espaço para os exageros opostos da rebeldia
cega, inclusive o uso de drogas e de violência.
Para
evitar a segunda alternativa, o jovem deve ser cada vez
mais seu próprio mestre, exercendo seu poder básico
de escolha e assumindo os deveres de um ser responsável
diante da vida. Ele deve contar com o apoio dos mais velhos
neste processo, para que possa formular de modo equilibrado
um projeto de vida próprio e autêntico. Nisso,
a responsabilidade das salas de aula é grande. O medo
de mudar os processos educacionais deve ser deixado de lado.
A expansão da alma humana deve ser a meta. Psicologia,
meditação, técnicas de resolução
de conflitos, inteligência emocional, inteligências
múltiplas, consciência planetária, filosofia
estóica, judô, tai chi chuan e raja ioga deveriam
ser algumas das disciplinas praticadas nas escolas de primeiro
e segundo grau e em todos os cursos de nível superior.
Entre
essas disciplinas, simultaneamente teóricas e práticas,
deveriam estar: plantio de horta orgânica, reflorestamento
com espécies nativas, defesa ambiental no meio urbano
e desenvolvimento econômico ecologicamente sustentável.
Disciplinas tradicionais como química, física,
português e geografia deveriam ser ensinadas conforme
a sua utilidade para que se alcance objetivos sociais e individuais
concretos: paz, saúde, felicidade, equilíbrio
ambiental, justiça social e relações
internacionais corretas. Os professores deveriam ser reciclados
a partir dessa visão humanista mais ampla.
A
situação atual das escolas e universidades
reflete também a indiferença sutil e até
a maldisfarçada violência das gerações
mais velhas contra os jovens. O fenômeno faz parte de
um drama maior, que o psicanalista argentino Arnaldo Rascovsky
chamou de filicídio. A verdade dolorosa é que
matamos nossos filhos. Isso acontece de muitas maneiras, e
não apenas quando nossas mulheres fazem aborto. O filicídio
psicológico ocorre também quando não
damos às crianças a estabilidade emocional,
a atenção e o estímulo de que necessitam.
Matamos os jovens quando os treinamos para matar ou morrer
e os mandamos para a guerra. Pensar que o desprezo coletivo
pela juventude não é culpa nossa, que só
temos responsabilidade pelos nossos filhos biológicos
é um raciocínio falso. De certo modo, todas
as crianças brasileiras são nossos filhos, e
até nossos irmãos. Os problemas coletivos são
responsabilidade de cada indivíduo.
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