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Edição 342

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Transcendendo: Mente

Edição 342 - Março 2001
  Pedagogia Espiritualizante
A Educação do Futuro

As novas tendências na educação giram em torno de um aprendizado multidimensional e têm como principal meta a expansão da alma humana.

Por Carlos Cardoso Aveline

Alex Soletto

A educação não acontece só nas escolas e universidades. Todo ser huma no é um educador, seja na condição de diretor de empresa, professor ou simplesmente como pai, tio e irmão mais velho. Educamos os outros enquanto educamos a nós próprios.

É claro que a educação é recíproca. Também aprendemos com nossos alunos, filhos e com todos que estão sob nossa influência. Crianças, estudantes e trabalhadores devem ensinar cada dia mais ativamente, questionando as situações e garantindo sua autonomia criadora.

Os problemas da educação escolar brasileira incluem baixos níveis de aprendizado, indisciplina, falta às aulas, violência e consumo de drogas nas escolas e universidades. Este quadro reflete o relativo fracasso de um modelo de educação formal que é estreito e autoritário. Com escolas mal aparelhadas, turmas demasiado grandes, o professor não pode dar o atendimento devido a cada estudante. As atividades escolares ficam limitadas a um nível exclusivamente mental, com memorização de informações pouco importantes para a vida real. Faltam atividades criativas e trabalhos práticos em que cada aluno possa expressar seu potencial humano.

O sistema de ensino tradicional, só parcialmente renovado, não ensina a viver, mas abafa a criatividade da criança e do adolescente. A juventude tem uma necessidade irreprimível de transformar e reinventar a vida. Esse impulso natural não pode ser reprimido em vão. Quando a força renovadora da juventude não é canalizada construtivamente para que faça a vida melhorar, ela se expressa de modo destrutivo e autodestrutivo. Assim, um extremo leva ao outro: uma educação feita de cima para baixo, que não acompanha a evolução do espírito humano e condena o aluno à passividade, acaba abrindo espaço para os exageros opostos da rebeldia cega, inclusive o uso de drogas e de violência.

Para evitar a segunda alternativa, o jovem deve ser cada vez mais seu próprio mestre, exercendo seu poder básico de escolha e assumindo os deveres de um ser responsável diante da vida. Ele deve contar com o apoio dos mais velhos neste processo, para que possa formular de modo equilibrado um projeto de vida próprio e autêntico. Nisso, a responsabilidade das salas de aula é grande. O medo de mudar os processos educacionais deve ser deixado de lado. A expansão da alma humana deve ser a meta. Psicologia, meditação, técnicas de resolução de conflitos, inteligência emocional, inteligências múltiplas, consciência planetária, filosofia estóica, judô, tai chi chuan e raja ioga deveriam ser algumas das disciplinas praticadas nas escolas de primeiro e segundo grau e em todos os cursos de nível superior.

Entre essas disciplinas, simultaneamente teóricas e práticas, deveriam estar: plantio de horta orgânica, reflorestamento com espécies nativas, defesa ambiental no meio urbano e desenvolvimento econômico ecologicamente sustentável. Disciplinas tradicionais como química, física, português e geografia deveriam ser ensinadas conforme a sua utilidade para que se alcance objetivos sociais e individuais concretos: paz, saúde, felicidade, equilíbrio ambiental, justiça social e relações internacionais corretas. Os professores deveriam ser reciclados a partir dessa visão humanista mais ampla.

A situação atual das escolas e universidades reflete também a indiferença sutil e até a maldisfarçada violência das gerações mais velhas contra os jovens. O fenômeno faz parte de um drama maior, que o psicanalista argentino Arnaldo Rascovsky chamou de filicídio. A verdade dolorosa é que matamos nossos filhos. Isso acontece de muitas maneiras, e não apenas quando nossas mulheres fazem aborto. O filicídio psicológico ocorre também quando não damos às crianças a estabilidade emocional, a atenção e o estímulo de que necessitam. Matamos os jovens quando os treinamos para matar ou morrer e os mandamos para a guerra. Pensar que o desprezo coletivo pela juventude não é culpa nossa, que só temos responsabilidade pelos nossos filhos biológicos é um raciocínio falso. De certo modo, todas as crianças brasileiras são nossos filhos, e até nossos irmãos. Os problemas coletivos são responsabilidade de cada indivíduo.



Leia mais:

A educação do futuro

Filicídio psicológico

Estamos todos nos educando

Revolução na sala de aula

 


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Os veículos para
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O encontro da alma, corpo e mente



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