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Edição 342

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TERRA VIVA

Guerra à Contaminação Tóxica

Por Tica Minami
Assessora de comunicação do Greenpeace Brasil, organização sem fins lucrativos que luta pela preservação do meio ambiente. Saiba mais sobre o Greenpeace: 0800-112510 ou pela Internet: www.greenpeace.org.br

Greenpeace/Rodrigo Baleia
O Artic Sunrise em campanha no Brasil: ação contra a poluição tóxica.

Imagine conviver com um inimigo invisível, que não reconhece fronteiras e coloca em risco a vida do planeta. Pode parecer roteiro de filme, mas acredite: ele existe e, de um jeito ou de outro, chega até você. Por isso, em janeiro, o navio do Greenpeace MV Arctic Sunrise esteve no Brasil em campanha contra este inimigo comum: a poluição tóxica. Ao trazer à tona casos de contaminação no País, o Greenpeace denunciou publicamente os agressores da natureza, pressionando governos e indústrias a agir no sentido de eliminar a poluição química persistente.

Os Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs), parte dessa problemática, são compostos não-degradáveis na natureza ou em nossos corpos, onde podem se acumular – ou seja, não são destruídos facilmente no meio ambiente, podendo ultrapassar fronteiras, viajando grandes distâncias. Além disso, se acumulam ao longo da cadeia alimentar, aderindo às camadas de gordura e permanecendo para sempre no organismo dos seres vivos.

Greenpeace/A. Kishimoto
Ativistas na Gerdau: saída de efluentes bloqueada.

A exposição aos POPs já foi relacionada a uma série de efeitos na saúde, como câncer, distúrbios hormonais, problemas nos sistemas reprodutor, nervoso e imunológico. Mas a ameaça não pára por aí: gerações futuras também serão comprometidas, pois esses contaminantes passam de mãe para filho através da placenta e do leite materno, prejudicando seu desenvolvimento de forma irreversível. A fim de garantir um futuro livre de poluição tóxica, o Greenpeace declarou guerra aos POPs. Em sua passagem por Porto Alegre (RS), a organização ambientalista denunciou a Siderúrgica Gerdau Riograndense por poluir o meio ambiente com PCBs (óleo popularmente conhecido por ascarel). Doze ativistas se acorrentaram ao portão da empresa, enquanto a saída de efluentes líquidos da siderúrgica era bloqueada. O caso foi encaminhado ao Ministério Público de Sapucaia do Sul e à Federação Estadual de Proteção ao Meio Ambiente (Fepam), que estão investigando o processo de produção da siderúrgica. No Rio de Janeiro, o Greenpeace apresentou relatório científico comprovando a contaminação industrial por POPs e metais pesados na Baía de Guanabara. Todos os contaminantes apontados no estudo da organização serão incluídos no programa de monitoramento da Federação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema).

Além disso, 20 ativistas invadiram o incinerador da Bayer, em Belford Roxo, Baixada Fluminense, para exigir da multinacional alemã um compromisso de descarga zero de POPs no meio ambiente. A empresa foi denunciada pelo Greenpeace por contaminar o rio Sarapuí, afluente da Baía de Guanabara, com PCBs. O Ministério Público e a Feema, baseados no relatório científico da organização, vão exigir que a Bayer realize mais análises em seus efluentes e pare com a descarga de contaminantes na natureza.


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