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Siwa
O
Oráculo de Amon
Por
abrigar o Oráculo de Amon, Siwa oásis
egípcio localizado perto da fronteira com a Líbia
atraiu para suas terras visitantes ilustres, como o
poeta grego Píndaro e Alexandre, o Grande.
Por
Marco Lopez
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| Tomada
geral de Siwa, no Egito: fama esquecida ao longo da
história. |
É
preciso percorrer um longo e tortuoso caminho para chegar
até Siwa. O oásis egípcio, localizado
no meio de um dos desertos mais inóspitos do planeta,
a uns 70 quilômetros da fronteira com a Líbia,
era praticamente inacessível a viajantes ocidentais
até bem pouco tempo. O primeiro europeu a penetrar
no chamado Grande Mar de Areia (o Deserto Ocidental ou Deserto
Líbio) e conseguir chegar a Siwa foi o inglês
W. G. Browne, em 1792. Deixou um relato de sua jornada, destacando
a hostilidade dos moradores: Sempre que saíamos
dos aposentos a nós designados éramos saudados
por uma torrente de abusos verbais, antes de sermos atacados
a pedradas. A animosidade não era dirigida apenas
a estranhos. Ao longo dos séculos, diversas expedições
armadas foram enviadas por faraós, paxás e presidentes
para sufocar rebeliões ou conter os ânimos dos
habitantes locais, impedindo que exterminassem a si próprios
em intermináveis e sangrentas brigas de família
ou de vizinhos.
O
tempo de conflitos permanentes já passou, mas na
última década do século 20 ainda era
necessário obter documentos especiais junto ao exército
do Egito para viajar até lá. A todos que
pretendem visitar Siwa é exigida uma permissão
militar, que poderá ser negada caso a permanência
prevista seja superior a uma semana. Visitas a vilarejos que
ficam nas imediações do oásis necessitam
de uma autorização adicional, raramente concedida.
O aviso num dos mais completos guias de viagem sobre a região
deve-se ao fato de que hoje o deserto em torno de Siwa abriga
bases militares estratégicas e é politicamente
sensível por causa da fronteira líbia. Embora
a advertência seja séria, não deve ser
encarada muito estritamente, como aliás tudo no Egito
moderno. Desde que subi no ônibus sujo, barulhento e
malcuidado um dos dois que partem diariamente de Alexandria
para as dez horas de extenuante viagem até Siwa ,
nunca me foi pedido qualquer tipo de permissão ou documento,
incluindo passaporte. Isso apesar de o ônibus ter parado
algumas vezes em barreiras militares, para que soldados mal-encarados,
armados com fuzis de assalto AK-47, subissem a bordo à
procura de extremistas muçulmanos. E, quanto ao limite
de uma semana de permanência, jamais alguém perguntou
há quanto tempo eu estava na cidade, embora fosse óbvio
que havia expirado há muito o meu hipotético
prazo de visita.
A reputação hostil, registrada a partir
do período medieval, é um contraste irônico
à imagem que Siwa cultivava na Antigüidade, como
a morada do Oráculo de Amon. Sua fama espalhava-se
por todo o Mediterrâneo, atraindo visitantes ilustres,
como Píndaro, o principal poeta lírico grego.
Ou o general espartano Lisandro, que em 405 a.C. capturou
a frota de Atenas, transformando Esparta na principal força
do mundo helênico. Ou ainda Pausânias, o célebre
viajante, poeta e cronista grego que esteve no oásis
no ano160. Aristófanes, em sua peça Os Pássaros,
menciona o Oráculo de Amon em Siwa como tendo a mesma
importância que o Oráculo de Apolo, em Delfos,
e o de Zeus, em Dodona. Heródoto conta que, por volta
de 550 a.C., Creso, rei da Lídia, precisou consultar
um oráculo de confiança, para decidir que atitude
tomar diante de Ciro, rei da Pérsia, que na época
iniciava a criação daquilo que viria a ser o
Império Persa. O confronto era inevitável e,
para definir sua estratégia, Creso enviou emissários
aos sete principais oráculos da Antigüidade, sendo
que um deles era o do oásis de Siwa.
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