Vote em IstoÉ na final do Top 3, o voto popular do IBest.
 NUMEROLOGIA
 TARÔ
 HORÓSCOPO
 CAPA
 ÍNDICE
 ENTREVISTAS
 CHATS ANTERIORES

 CANAIS

 Guia Cósmico
 Área 51
 Encantamentos
 Transcendendo
 Reconectando
 Paranormal

 BIBLIOTECA PLANETA

 Edições Anteriores
 Especiais

 BUSCA

Procure outras matérias

 

 


Edição 342

ASSINATURAS
EXPEDIENTE
PUBLICIDADE
NEWSLETTER
FALE CONOSCO


 
Ilustrações: Christiane S. Messias

TV verdade ou TV mentira?

Depois do período apoteótico dos programas kitsch à la Sílvio e Xuxa – ainda em pleno florescimento no Brasil e também na Itália e na Espanha –, assistimos agora ao sucesso crescente do sórdido e do grotesco no espaço televisivo. Mais cedo ou mais tarde desembarcarão possivelmente no Brasil os videoteipes de O Ônibus, que no ano passado foi sucesso na televisão espanhola. A idéia dos produtores foi reunir nove ou dez pessoas desconhecidas umas das outras no interior de um ônibus de dois andares especialmente preparado e cheio de microfones e de câmaras. Eles rodam pela Espanha afora, comem, brigam, fazem amor, defecam e mostram de maneira geral comportamentos compulsivos e aberrantes. Cada um dos seus gestos é retransmitido direto, 24 horas por dia, por um canal da TV espanhola. Os telespectadores podem escolher entre diferentes câmaras e diferentes ângulos de visão. O show aparece travestido de concurso: há um prêmio oferecido ao passageiro que conseguir ficar dentro do ônibus até o final de cem dias – prazo de duração do programa. O Ônibus deu o maior Ibope.Atentos aos índices de audiência do Ibope e interessados nos contratos de patrocínio e de publicidade que deles decorrem, produtores de TV já cunharam inclusive um termo para designar essa nova tendência: reality television, “televisão real”. Primeiro tema para reflexão: se o que se faz agora é televisão real, o que se fez antes – as novelas, por exemplo – o que seria, “televisão mentira”?

Algumas cabeças pensantes já começam a estudar seriamente esse fenômeno que parece ser um dos mais determinantes dos rumos que a televisão adotará daqui em diante. Ziauddin Sardar, jornalista do New Stateman, de Londres, explica tudo em termos da relação voyeurisme/exibicionismo. O voyeurisme (o prazer de ver cenas ou coisas ilícitas, em francês) é parente próximo do narcisismo. Quando lançamos nosso olhar sobre pessoas que manifestam algum comportamento anormal ou bizarro, quando nós as surpreendemos nos seus momentos mais íntimos, ou quando as vemos cumprir os seus gestos mais banais, na verdade é a nós mesmos que observamos. O voyeurisme nos atrai porque nos permite projetar nosso próprio inferno sobre os outros. O que nos encoraja e alimenta quando nos deleitamos nesse tipo de contemplação constitui, na verdade, um processo de desumanização que diminui o respeito e a consideração que temos pelos outros. O desejo de ver na tela de nossa TV pessoas mais frágeis, mais complicadas, mais perdidas e confusas do que nós mesmos nos conforta e tranqüiliza em relação à mediocridade e à solidão de nossa própria existência.

Como diz Ziauddin Sardar, “há um processo de desumanização por que os indivíduos são transformados em meros objetos; não temos a obrigação de compreendê-los, não precisamos lamentar o estado em que se encontram, nem nos preocupar com a sorte deles. A televisão voyeurista faz das pessoas o seu último bem de consumo. Retornamos com ela a uma nova modalidade de espetáculo de circo”.

 


<< anterior

| ISTOÉ ONLINE | DINHEIRO | ISTOÉ GENTE | ÁGUA NA BOCA | EDIÇÕES ANTERIORES |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE |
© Copyright 1996/2001 Editora Três