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Entrevista
Raphael
Nogier
Tratando os vícios
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Carmina
Sophia
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| A
auriculoterapia, assim como a acupuntura tradicional,
não exige maiores conhecimentos em medicina. |
PLANETA
Mas qual é a porcentagem de cura?
Eu não gostaria de tirar a esperança dos fumantes
que desejam se curar do vício...
Nogier As grandes estatísticas têm
provado que a aurículo é a melhor forma para
auxiliar o fumante. Mas é uma ilusão pensar
que está tudo resolvido depois de alguns meses; vários
anos depois de a pessoa estar se abstendo de fumar é
que se pode considerar o problema sanado. O mesmo se dá
em relação às drogas e ao álcool.
E é importante deixar claro que não basta só
botar agulhas; a acupuntura auricular tem de fazer parte de
um contexto de mudança global, no qual se inclui a
psicoterapia, por exemplo.
PLANETA É uma mudança inclusive
interior, espiritualizante?
Nogier Por que não? O tabaco é
um problema muito, muito difícil. A companhia Philip
Morris considera que o indivíduo precisa parar de fumar
durante sete anos para se ter segurança de que não
voltará a ser fumante. Antes disso, ele continua sendo
alvo da publicidade.
PLANETA
Nos Estados Unidos existe um programa de
recuperação de drogados que dá como opção
ao indivíduo ir para a cadeia ou fazer um tratamento
de um ano com ajuda da acupuntura. Existe algo parecido na
França?
Nogier Não, não há essa
estrutura na França, mas no Canadá existe.
PLANETA E o que o senhor acha disso?
Nogier Embora eu não tenha experiência
própria no caso, acho que deve ajudar, porque temos
aí a coisa colocada na globalidade, na modificação
geral.
PLANETA Há cerca de três
ou quatro anos, médicos brasileiros vêm tentando
monopolizar o uso da acupuntura. Com isso excelentes profissionais
não-médicos, técnicos, terão de
abrir mão da prática. Como o senhor vê
isso, dr. Nogier? Essa situação também
ocorre na Europa?
Nogier De maneira geral, espera-se que o médico
conheça mais o erro que o não-médico.
No caso específico da França, creio que o médico
tem pouco tempo para trabalhar com a acupuntura. Talvez a
solução fosse fazer como nos países escandinavos,
nos quais existem médicos que supervisionam indivíduos
que praticam a acupuntura. No caso específico da Escandinávia,
onde tenho uma experiência pessoal, o médico
tem responsabilidade em relação a qualquer coisa
que aconteça com o paciente. Então, ele se encarrega
de cuidar o melhor possível da formação
de todo o pessoal auxiliar, porque cai tudo nas suas costas.
O problema básico, na verdade, é fazer um diagnóstico,
saber se aquele caso tem uma indicação precisa
para acupuntura. Feito isso, o tratamento passa a ser realizado
pelo técnico, uma vez que a acupuntura em si não
exige maiores conhecimentos em medicina. Eu mesmo sou tratado
por um acupunturista não-médico. Por quê?
Porque essa pessoa tem mostrado resultados muito bons. Estou
perfeitamente satisfeito com ela.
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