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Transcendendo: Corpo

Edição 340 - Janeiro 2001
 

Entrevista
Raphael Nogier
Tratando os vícios

Carmina Sophia
A auriculoterapia, assim como a acupuntura tradicional, não exige maiores conhecimentos em medicina.

PLANETA – Mas qual é a porcentagem de cura? Eu não gostaria de tirar a esperança dos fumantes que desejam se curar do vício...
Nogier – As grandes estatísticas têm provado que a aurículo é a melhor forma para auxiliar o fumante. Mas é uma ilusão pensar que está tudo resolvido depois de alguns meses; vários anos depois de a pessoa estar se abstendo de fumar é que se pode considerar o problema sanado. O mesmo se dá em relação às drogas e ao álcool. E é importante deixar claro que não basta só botar agulhas; a acupuntura auricular tem de fazer parte de um contexto de mudança global, no qual se inclui a psicoterapia, por exemplo.

PLANETA – É uma mudança inclusive interior, espiritualizante?
Nogier – Por que não? O tabaco é um problema muito, muito difícil. A companhia Philip Morris considera que o indivíduo precisa parar de fumar durante sete anos para se ter segurança de que não voltará a ser fumante. Antes disso, ele continua sendo alvo da publicidade.

PLANETA – Nos Estados Unidos existe um programa de recuperação de drogados que dá como opção ao indivíduo ir para a cadeia ou fazer um tratamento de um ano com ajuda da acupuntura. Existe algo parecido na França?
Nogier – Não, não há essa estrutura na França, mas no Canadá existe.

PLANETA – E o que o senhor acha disso?
Nogier – Embora eu não tenha experiência própria no caso, acho que deve ajudar, porque temos aí a coisa colocada na globalidade, na modificação geral.

PLANETA – Há cerca de três ou quatro anos, médicos brasileiros vêm tentando monopolizar o uso da acupuntura. Com isso excelentes profissionais não-médicos, técnicos, terão de abrir mão da prática. Como o senhor vê isso, dr. Nogier? Essa situação também ocorre na Europa?
Nogier – De maneira geral, espera-se que o médico conheça mais o erro que o não-médico. No caso específico da França, creio que o médico tem pouco tempo para trabalhar com a acupuntura. Talvez a solução fosse fazer como nos países escandinavos, nos quais existem médicos que supervisionam indivíduos que praticam a acupuntura. No caso específico da Escandinávia, onde tenho uma experiência pessoal, o médico tem responsabilidade em relação a qualquer coisa que aconteça com o paciente. Então, ele se encarrega de cuidar o melhor possível da formação de todo o pessoal auxiliar, porque cai tudo nas suas costas.
O problema básico, na verdade, é fazer um diagnóstico, saber se aquele caso tem uma indicação precisa para acupuntura. Feito isso, o tratamento passa a ser realizado pelo técnico, uma vez que a acupuntura em si não exige maiores conhecimentos em medicina. Eu mesmo sou tratado por um acupunturista não-médico. Por quê? Porque essa pessoa tem mostrado resultados muito bons. Estou perfeitamente satisfeito com ela.

 

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