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Transcendendo: Corpo

Edição 340 - Janeiro 2001
  Entrevista
Raphael Nogier
Nas Raízes da Auriculoterapia

Em recente visita ao Brasil, o médico francês Raphael Nogier, cujo pai descobriu a auriculoterapia, concedeu esta entrevista a PLANETA. Também participaram da conversa, que acabou abrangendo pontos da acupuntura tradicional, o dentista Darwin Caldeira Ribeiro e o médico Jorge Boucinhas, brasileiros que desenvolvem alguns trabalhos com o dr. Nogier.

Por Fátima Afonso

Foto: Carmina Sophia

Raphael Nogier: representante francês da auriculoterapia

PLANETAQuais as diferenças básicas entre a acupuntura tradicional e a auriculoterapia?
Nogier – A acupuntura é uma técnica chinesa ancestral, que repousa, até certo ponto, nas noções filosóficas de yin e yang, que são energias complementares. Na acupuntura tradicional, a gente pica os pontos para controlar essa energia, que passa pelos meridianos. Na auriculoterapia não há essa idéia de energia; ela é uma técnica pura e simplesmente ocidental, descoberta em 1951 por meu pai, Paul Nogier, e que repousa em noções neurofisiológicas. A idéia básica é que a representação do sistema nervoso é feita de tal maneira que, na orelha, nós encontramos pontos que representam diferentes órgãos. Ou seja, colocando agulhas nas orelhas nós podemos agir sobre as funções desses órgãos ou sobre as dores nas áreas relacionadas a eles.

PLANETA – É possível fazer diagnóstico através da auriculoterapia?
Nogier – Sim. Se nós encontrarmos dor na área da orelha que representa o estômago, por exemplo, sabemos que há algo errado, algo problemático nesse órgão. Também podemos, através de aparelhos eletrônicos, medir a resistência oferecida pela pele da orelha à passagem da corrente elétrica; assim, é possível detectar (já que conhecemos o mapeamento do corpo na orelha) o ponto que apresenta disfunção.

PLANETAExiste alguma relação entre o uso de brincos e a prática instintiva, digamos assim, da auriculoterapia?
Nogier – Realmente é uma coisa interessante essa história dos brincos. Basta lembrar que, em certa época, o hábito de colocar os brincos tinha funções bem específicas. Algumas amas, por exemplo, faziam as crianças usarem brinquinhos no ponto tradicional do olho, o que, entre outras finalidades, parecia ter como objetivo prevenir infecções oculares na criança. Já os piratas árabes utilizavam um brinquinho de ouro nesse ponto provavelmente para aumentar a sua acuidade visual e com isso ver os navios a serem pirateados bem antes de eles próprios serem vistos.
Darwin – O Bjorn Borg usava uma agulha grande no ponto do olho, e ele enxergava melhor do que qualquer outro tenista, colocando a bola no limite da linha de fundo da quadra.

PLANETA – Mas, hoje em dia, usam-se brincos até na região da orelha correspondente à coluna vertebral, por exemplo. Isso não pode, de alguma maneira, afetá-la?
Nogier – Sim, é possível não somente prejudicar a coluna, como o corpo em geral.

 

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