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Preces
Negativas
Orações
e maldições
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Foto:
Sérgio Vieira
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| Campo
de trigo: morte solicitada quando oramos pelo pão
nosso de cada dia. |
As
preces e as maldições são relacionadas?
Dion Fortune (1890-1946), estudiosa de psicologia freudiana
e uma das espiritualistas mais conhecidas da Inglaterra em
sua época, acreditava que as conexões são
profundas. Observou: Não há uma diferença
essencial entre espetar alfinetes numa imagem de cera de um
inimigo e acender velas diante de uma imagem de cera da Virgem.
Michael Murphy, co-fundador do Instituto Esalen da Califórnia
e autor de The Future of the Body, também está
convencido de que é tênue a linha que separa
pragas, feitiços e práticas religiosas. Em seu
livro, ele observa:
As tradições mais sagradas afirmam
que toda capacidade pode ser comunicada sem sinais sensoriais.
Tais capacidades (
) podem ser usadas destrutivamente.
As mesmas tradições religiosas que celebram
a transmissão metanormal de estados iluminados testemunham
também a capacidade de comunicação empregada
com propósitos egocêntricos, cruéis e
até mesmo monstruosos. Em todas as culturas religiosas
há, tradicionalmente, casos de adeptos que usam seus
poderes especiais (
) para fins egoístas.
Incluindo
as tradições judaica e cristã. Muitos
fiéis afirmam que as maldições são
usadas apenas por pessoas diabólicas, mas elas existem
na Bíblia e muitas vezes são empregadas pela
elite espiritual. O profeta Eliseu, por exemplo, fez com que
42 crianças fossem devoradas por ursas por terem caçoado
de sua careca (2 Reis 2:23-24). O apóstolo Paulo fez
um feiticeiro ficar cego (Atos 13:11). E até Jesus
fulminou uma figueira aparentemente inocente porque ela não
tinha frutos (Mateus 21:9, Marcos 11:13-14, 20-22). Esses
exemplos desafiam a tendência para fazer nítidas
distinções entre prece e maldição.
Do ponto de vista das crianças devoradas pelas ursas,
do feiticeiro que ficou cego e da figueira mirrada, será
que há alguma diferença essencial entre ser
alvo de uma praga ou de uma prece? O mais importante é
o resultado associado a esses acontecimentos, não o
seu nome.
Rejeitamos preces negativas, maldições
e feitiços porque queremos livrar a barra de
Deus, nas palavras do filósofo Alan Watts. Como
insistia uma mulher: Meu Deus é bom. Nele não
há espaço para a prece negativa. Mas negar
o lado escuro do Todo-Poderoso é inconsistente com
os ensinamentos bíblicos. Veja Isaías 45:7:
Eu formo a luz e crio as trevas, asseguro o bem-estar
e crio a desgraça: sim eu, Iahweh, faço tudo
isto. Amós 3:6: Se acontece uma desgraça
na cidade, não foi Iahweh que agiu? E Eclesiástico
11:14: Bem e mal, vida e morte, pobreza e riqueza, tudo
vem do Senhor.
Um dos maiores obstáculos para enfrentar a questão
da prece negativa é, portanto, o desejo de dar sempre
uma boa aparência à prece. Se a prece está
prejudicando alguém, disse um médico devoto,
a culpa não é da prece, mas de alguma
outra coisa. Como o quê?, perguntei.
Não sei direito, respondeu. Talvez
a mente sobre a matéria, mas não
a prece. Outros não concordam como os
5% da população retromencionados, que dizem
ter usado a prece para prejudicar os outros.
Como meu amigo médico que rejeita de cara a
idéia da prece nociva, nunca paramos para perguntar
por que a prece seria capaz de causar o mal. Será que
uma prece que negocia a morte pode servir a um propósito
válido? Será que pode ser útil?
Até mesmo um exame superficial da prece revela
por que ela pode e deve ter conseqüências negativas.
Quando rezamos pela recuperação de alguém
que está com pneumonia, Aids ou qualquer outra infecção,
estamos rezando pela morte dos milhões de microrganismos
que provocam a doença, apesar de não pensarmos
nisso. Quando rezamos para o câncer desaparecer, estamos
pedindo a destruição total das células
malignas. Quando pedimos que uma doença cardíaca
desapareça, queremos que as lesões nas coronárias
sejam totalmente obliteradas. Mesmo quando rezamos pelo pão
nosso de cada dia, estamos pedindo a morte de pés de
trigo e de seus grãos. Devemos deixar de lado tanto
melindre em relação à prece. É
melhor esperar que nossas preces tenham efeitos letais
caso contrário ficaremos na mão, com um ritual
enfraquecido que nunca realiza o que pedimos.
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