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Preces
Negativas
O
medo da prece
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Foto:
Ana Nogueira
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preces, muitas vezes, mostram-se como uma tentativa
de controlar o outro. |
Graças
a Palavras que Curam,
surgiram oportunidades de discutir o tema prece por todo o
país. Havia sempre alguém que perguntava: Se
há evidências de que a prece ajuda, há
provas de que ela possa causar danos? A reação
do público a essa pergunta era curiosa. Quem a fazia
recebia olhares críticos, como se tivesse entrado em
território proibido.
Não
confiamos totalmente na prece, talvez porque conjure poderes
que não podemos compreender e controlar. A ambivalência
em relação à prece está entranhada
na língua. Em inglês, a palavra deprecate, que
significa também depreciar, está ligada à
raiz latina de prece: precarius. Em seu livro The Gods
of the Greeks, o mitologista Karl Kerényi observa
que o nome grego do deus da guerra, Ares, tinha o mesmo
som de ara (maldição),
palavra que tinha também o sentido de prece
e era como que outro nome para guerra. Assim,
parece que a prece sempre esteve associada à violência
e ao dano.
O medo da prece surge até mesmo quando ela é
usada de maneira caridosa, como aconteceu certa vez num serviço
de saúde mental na Nova Inglaterra. Uma psicoterapeuta
foi chamada pelo diretor da clínica para explicar por
que seus pacientes se recuperavam e tinham alta antes dos
pacientes dos outros terapeutas. Por que seus pacientes
melhoram mais depressa? O que você faz de diferente?,
perguntou ele. Ela revelou que rezava por seus pacientes e
isso talvez explicasse as diferenças entre os resultados
clínicos. Diante disso, foi convocada uma reunião
urgente com o pessoal da clínica para discutir a situação.
Todos ficaram extremamente nervosos em relação
a essa terapia altamente controversa. Assim, a terapeuta recebeu
ordens para parar de rezar, porque isso dava a seus pacientes
uma vantagem injusta.
Florence
Nigthingale, a fundadora da moderna enfermagem, era uma
mulher profundamente espiritual, preocupada com o potencial
de manipulação que a prece tem. A excelência
de Deus, dizia ela, é ser inexorável. Se fosse
possível influenciá-lo, estaríamos à
mercê dos que tentam fazê-lo mudar de idéia
através de suas preces. Ela falava do velho James
Martin, que preferia padronizar todas as preces, porque
nada impedia que as pessoas rezassem para o dinheiro
sair do bolso dele e entrar no delas. Alguns dizem que
se ressentem da prece porque ela é uma invasão
indesejada de seu espaço psicológico.
Acho que lá no fundo se esconde o medo primordial de
sermos controlados ou prejudicados pelos pensamentos e desejos
dos outros e uma repulsa diante da possibilidade de
possuirmos também o poder de prejudicar os outros com
nossas mentes.
Os gregos não eram tão suscetíveis
assim diante do potencial de prejudicar os outros através
da mente. Em suas Leis, Platão abordou o assunto de
frente. Recomendou que fossem condenados à morte os
que usassem feitiços, encarnações
e outras bruxarias com propósitos malignos...
E se levássemos a sério as evidências
a favor dos efeitos negativos da mente? Será que nós,
como Platão aconselhou, processaríamos os que
fazem preces negativas? E se condenássemos os 5% população
que cometeram prece negativa? Será que
seriam presos? Não é provável. As grades
não impedem ninguém de rezar.
Atualmente, nos Estados Unidos, 11 escolas de medicina
oferecem cursos que tratam da espiritualidade na clínica
médica e 60 praticamente a metade das escolas
de medicina do país têm interesse em desenvolver
tais programas. Essa tendência reflete um reconhecimento
crescente da importância que a prática religiosa
e a prece têm em relação à saúde.
Mas, à medida que as evidências dos efeitos positivos
da prece forem se tornando mais conhecidas, a medicina precisará
enfrentar o dano potencial que também é associado
a essas práticas.
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