Preces
Negativas
O
Lado Sombrio das Orações
Nem
sempre orar por uma pessoa representa uma atitude caridosa.
Numa pesquisa do Instituto Gallup, feita em 1994, 5% dos americanos
assumiram ter rezado pelo mal de alguém. Até quando se reza
com a melhor das intenções, na verdade, a prece pode ser uma
tentativa de controlar o pensamento e as atitudes do outro.
Por Larry Dossey
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Foto:
Ana Nogueira
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Há
feiticeiros entre nós. Mães e pais, homens
de negócio e médicos, amigos e vizinhos: pessoas
que vão à igreja aos domingos e rezam.
Se feiticeiro lhe parece uma expressão
muito forte, considere uma pesquisa de 1994, feita pelo Instituto
Gallup: segundo ela, 5% dos americanos já rezaram pelo
mal de outras pessoas. E esses são apenas os um-em-vinte
que admitem o fato; é sem dúvida muito maior
a verdadeira prevalência do uso da prece para prejudicar
os outros. Qual é a diferença entre uma prece
feita para prejudicar alguém e a maldição
de um feiticeiro?
Comecei a pesquisar seriamente o potencial nocivo da
prece em 1993, logo depois da publicação de
meu livro Palavras que Curam, no qual discuto várias
experiências científicas que sugerem claramente
que os efeitos da prece são reais. Muitos leitores
acolheram essa informação com entusiasmo, gratos
por descobrir que a fé que têm na prece pode
ter base científica. No entanto, uma pequena minoria
enviou cartas indignadas, tachando de heresia, blasfêmia
e pecado os experimentos com a prece.
Zangados, alguns fiéis prometeram rezar para
eu ver as coisas do jeito certo do jeito deles. No
começo, fiquei feliz com tanta atenção
o livro se tornou um campeão de vendas. Senti-me
grato por essa vontade que as pessoas tinham de rezar por
mim e respondi agradecendo pela preocupação
e pelas preces. Depois, comecei a pensar melhor nessas preces.
Parecia-me que, em geral, eram tentativas de virar minha cabeça
para baixo, de me transformar à força em outra
pessoa. Senti que queriam reorganizar radicalmente o meu pensamento
e instalar suas opiniões no lugar das minhas. É
impossível distinguir algumas dessas preces dos feitiços
e maldições tentativas de controlar o
pensamento e o comportamento de uma vítima contra a
sua vontade.
Paradoxalmente, essas pessoas afirmavam que estavam
agindo movidas apenas por amor e preocupação.
Talvez estivessem, mas suas preces não davam a impressão
de generosidade e suas palavras não tinham o som do
amor. Acabei com aversão a esse tipo de prece.
(O texto aqui apresentado é um excerto da introdução do livro
Cuidado com o que Você Pede nas Suas Orações... Você Pode
Ser Atendido! de Larry Dossey, lançado recentemente pela
Editora Cultrix. Tradução: Carlos A. L. Salum e Ana Lucia
Franco.)
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