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Transcendendo: Alma

Edição 340 - Janeiro 2001
  Preces Negativas
O Lado Sombrio das Orações

Nem sempre orar por uma pessoa representa uma atitude caridosa. Numa pesquisa do Instituto Gallup, feita em 1994, 5% dos americanos assumiram ter rezado pelo mal de alguém. Até quando se reza com a melhor das intenções, na verdade, a prece pode ser uma tentativa de controlar o pensamento e as atitudes do outro.

Por Larry Dossey

Foto: Ana Nogueira

Há feiticeiros entre nós. Mães e pais, homens de negócio e médicos, amigos e vizinhos: pessoas que vão à igreja aos domingos – e rezam.

Se feiticeiro lhe parece uma expressão muito forte, considere uma pesquisa de 1994, feita pelo Instituto Gallup: segundo ela, 5% dos americanos já rezaram pelo mal de outras pessoas. E esses são apenas os um-em-vinte que admitem o fato; é sem dúvida muito maior a verdadeira prevalência do uso da prece para prejudicar os outros. Qual é a diferença entre uma prece feita para prejudicar alguém e a maldição de um feiticeiro?

Comecei a pesquisar seriamente o potencial nocivo da prece em 1993, logo depois da publicação de meu livro Palavras que Curam, no qual discuto várias experiências científicas que sugerem claramente que os efeitos da prece são reais. Muitos leitores acolheram essa informação com entusiasmo, gratos por descobrir que a fé que têm na prece pode ter base científica. No entanto, uma pequena minoria enviou cartas indignadas, tachando de heresia, blasfêmia e pecado os experimentos com a prece.

Zangados, alguns fiéis prometeram rezar para eu ver as coisas do jeito certo – do jeito deles. No começo, fiquei feliz com tanta atenção – o livro se tornou um campeão de vendas. Senti-me grato por essa vontade que as pessoas tinham de rezar por mim e respondi agradecendo pela preocupação e pelas preces. Depois, comecei a pensar melhor nessas preces. Parecia-me que, em geral, eram tentativas de virar minha cabeça para baixo, de me transformar à força em outra pessoa. Senti que queriam reorganizar radicalmente o meu pensamento e instalar suas opiniões no lugar das minhas. É impossível distinguir algumas dessas preces dos feitiços e maldições – tentativas de controlar o pensamento e o comportamento de uma vítima contra a sua vontade.

Paradoxalmente, essas pessoas afirmavam que estavam agindo movidas apenas por amor e preocupação. Talvez estivessem, mas suas preces não davam a impressão de generosidade e suas palavras não tinham o som do amor. Acabei com aversão a esse tipo de prece.



(O texto aqui apresentado é um excerto da introdução do livro Cuidado com o que Você Pede nas Suas Orações... Você Pode Ser Atendido! de Larry Dossey, lançado recentemente pela Editora Cultrix. Tradução: Carlos A. L. Salum e Ana Lucia Franco.)

 

Leia Mais:

O Lado Sombrio das Orações

O medo da prece

O poder do pensamento humano

Orações e maldições

Aviltando o Todo-Poderoso

 


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