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Petra
As
crenças dos nabateus
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Deir ou “Monastério”: tumba reaproveitada como igreja
cristã. |
Quando
a situação tornou-se insustentável,
o rei Rabbel II parece ter negociado um acordo com os romanos
que o assediavam. Enquanto estivesse vivo, Petra teria sua
soberania assegurada, mas, depois disso, poderiam assumir
o controle. Em 106 a.C., com o rei morto, Trajano anexou-a
ao Império Romano, permitindo à cidade manter
seus deuses e costumes, além da maior parte dos lucros
com o comércio. Os negócios prosperaram ainda
mais. Petra atingiu seu ápice, transformando-se numa
metrópole (título conferido pelo Senado romano)
com mais de 30 mil habitantes.
Pouco é conhecido a respeito das crenças
dos nabateus. Sua religião incorporou influências
ocidentais, orientais e africanas. O nome de sua principal
divindade, Dushares (ou Dus Sara) significa deus do
es-Sara, a região de montanhas onde fica Petra,
entre o Mar Vermelho e o Mediterrâneo, área citada
no Velho Testamento como Seir. Em seu clássico
estudo sobre as antigüidades da Jordânia, G. Lankester
Harding observa: Jeová é mencionado como
sendo Deus de Seir, em outras palavras, o mesmo
que Dushares, e Jeová também habitava um bloco
de pedra, chamado às vezes de Beth El, a Casa de Deus,
e era cultuado principalmente em locais elevados (no topo
de montanhas), como Dushares. Conforme lembrou Harding,
a imagem mais sagrada do deus nabateu era abstrata
uma simples pedra negra adorada em Petra (origem também
da Caaba muçulmana em Meca?). No período helenístico
foi equiparado ao deus grego Dioniso (equivalente ao romano
Baco), sendo representado com uma videira.
Nessa
forma, Dushares-Dioniso era um deus da fertilidade, do
vinho, das bacanais e da bebedeira, e, segundo especialistas,
seu culto era uma verdadeira orgia em busca do êxtase
místico: Mulheres sob efeito de sua influência
dançavam nuas agitando tochas e ramos de tirso. Podia
personificar-se num bode ou num touro, ambos símbolos
da fertilidade animal, e nas procissões dionisíacas
um gigantesco falo costumava ser carregado pelos celebrantes.
Era visto como um deus que morre e ressuscita as cerimônias
dedicadas a ele eram encaradas como uma jornada ao mundo subterrâneo,
onde se encontram os mortos, seguida pelo retorno ao plano
dos vivos, com o iniciado renascido para uma nova
vida.
Outra
associação interessante de Dushares é
com Hermes, um dos deuses mais populares do panteão
grego, entidade central do hermetismo e da alquimia, também
associado ao egípcio Thot e ao Exu da mitologia iorubá.
Mensageiro do Olimpo, Dushares-Hermes era o protetor dos viajantes
e dos comerciantes, mas também dos ladrões.
As casas gregas antigas costumavam ter à sua frente
uma pilha de pedras ou um pilar de formato fálico em
homenagem ao filho de Zeus que, além de ser chamado
o bom pastor dos rebanhos, também conduzia
os espíritos dos mortos para o além. Entre os
romanos, era conhecido como Mercúrio, o deus do comércio
e da indústria, originariamente uma das antigas divindades
do lucro, riqueza e prosperidade (dei lucri) que, ao ser associada
a Hermes, tornou-se o deus dos comerciantes e mercadores.
Embora se admita hoje a hipótese de que o nome Mercúrio
tenha raiz etrusca, atribuiu-se durante muito tempo sua origem
ao latim mercari, fazer negócios, mesma
fonte de nossa palavra mercado. Em Petra, Dushares-Hermes-Mercúrio
era adorado ao lado de sua companheira Atagartis, a deusa-mãe
síria, protetora da fertilidade.
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