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Reconectando: Jornadas

Edição 340 - Janeiro 2001
 

Petra
Arquitetura, água e rotas comerciais

Panorâmica do vale semi-árido onde foi fundada a cidade: proteção garantida pelas montanhas.

Apesar de todo o progresso, os nabateus não deixaram registros escritos. Por isso, suas referências históricas são documentadas exclusivamente por estrangeiros – a primeira menção confirmada a respeito de sua existência data de 312 a.C., num fragmento do historiador latino (da Sicília) Diodoro Sículo a respeito de uma expedição punitiva contra a cidade, realizada pelo general Antígono. Nesse período, Petra era provavelmente um depósito para mercadorias saqueadas.

Sob o governo de uma sucessão de reis competentes, os nabateus conseguiram obter controle de um território cada vez maior, dominando quase todas as rotas comerciais que ligavam o Egito, a Síria, a Arábia e as passagens para a Ásia. A mudança os colocou em contato com o que havia de mais sofisticado no Ocidente daqueles dias, a cultura helênica.

Tinham especial predileção por uma arquitetura grandiosa, com base em elementos gregos e assírios, aplicada para construir tumbas, fato que indica a importância do culto aos mortos. Seus monumentos, túmulos quase sempre (com exceção de um templo dedicado ao deus Dushares), têm fachadas espetaculares escavadas na rocha macia (arenito e pedra calcária), com portas gigantescas. Dentro, porém, não há nada – apenas uma câmara mortuária aberta na rocha. Em geral, a única decoração é o colorido da pedra em que a cidade foi escavada, um degradê psicodélico de tons róseo-avermelhados, azulados, amarelados...

Na arquitetura grandiosa, a única decoração é o colorido natural das pedras.

Água sempre foi uma questão estratégica no Oriente Médio, e engenharia hidráulica era outra especialidade dos nabateus. Petra foi equipada com um amplo e eficiente sistema de barragens e cisternas cavadas na rocha, além de uma rede de encanamentos feitos com barro cozido ao sol, para captar, armazenar e distribuir a água das chuvas. Uma fonte existente no local, denominada em árabe Wadi Musa (Vale de Moisés), refere-se à lenda, passada à história através de registros dos cruzados, de que ali, durante o Êxodo bíblico, Moisés tocou com seu cajado uma pedra, de onde jorrou água, salvando os judeus de morrer de sede.

Por volta de 300 a.C., a área de influência dos nabateus estava consolidada, tendo Petra como sua capital. O Oriente Médio, sempre instável, atravessava um período de tranqüilidade trazido pela Pax Romana, o que abria grandes oportunidades de comércio. O trânsito de caravanas não parava de crescer e os negócios dos nabateus prosperavam, atraindo a cobiça dos vizinhos. Como guerras atrapalham o comércio, os nabateus preferiam, sempre que possível, pagar tributo aos militarmente mais fortes para evitar conflitos.

 

Leia mais:

A Globalização do Espírito

Arquitetura, água e rotas comerciais

As crenças dos nabateus

A lenda de Petra

Explorando a cidade

 


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