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Petra
A
Globalização do Espírito
Estrategicamente
posicionada numa encruzilhada de rotas que ligavam o Oriente
ao Ocidente, a próspera cidade de Petra (onde é hoje o sul
da Jordânia) pode ser considerada o mais antigo exemplo de
globalização econômica, cultural e religiosa da história.
Texto
e Fotos de Marco Lopez
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| Vista
parcial de Petra: intercâmbio de bens e idéias com
vários povos. |
Não
é exagero dizer que Petra foi o primeiro entreposto,
mais de 2 mil anos atrás, do longo processo mais ou
menos organizado de intercâmbio econômico, cultural,
tecnológico, religioso, de bens e idéias, que
conhecemos hoje como globalização. Instalada
estrategicamente numa encruzilhada de rotas das caravanas
de camelos que na Antigüidade ligavam o Oriente ao Ocidente,
a lendária cidade de pedra rosa-avermelhada, quase
tão antiga quanto o próprio tempo, é
misteriosa como seus construtores, os nabateus. Um povo de
origem semita mencionado na Bíblia, beduínos
nômades saídos do deserto da atual Arábia
Saudita que entre o fim do século 7 e o início
do século 6 a.C. migraram para regiões menos
agrestes, estabelecendo-se entre o Mar Vermelho e o Mediterrâneo,
onde hoje fica a parte sul da Jordânia.
Fixaram-se
num estreito vale semi-árido e cercado por montanhas,
repleto de cavernas e fácil de defender, onde passaram
a dedicar-se à agricultura, ao comércio e ao
lucrativo negócio de assaltar as caravanas que trafegavam
pelas proximidades, levando escravos de todas as raças,
sedas da China, peles de animais e marfim da África
e da Ásia, especiarias do Sudeste Asiático (Java
e outras ilhas indonésias, Indochina), pimenta e ópio
da Índia, e também religiões, filosofias,
tecnologias, literatura, pintura, escultura, música,
arquitetura, tradições místicas...
Hábeis
homens de negócios, os nabateus não demoraram
a perceber que, pelo menos naquele tempo, seria mais lucrativo
ser policial do que assaltante. Passaram a vender proteção
aos mercadores contra outros salteadores, forneciam-lhes abrigo
em seu vale oculto e ofereciam todo tipo de serviços.
Ficaram ricos e transformaram a capital de seus domínios
numa cidade cosmopolita, urbanizada, que chegou a rivalizar
com Roma em esplendor e poder. Chamavam-na RQM (leia-se Reqemos,
segundo o historiador judeu Flávio Josefo) em sua língua
de raiz semita, que com o passar do tempo deu origem ao árabe
falado hoje. A ela são atribuídas as referências
no Velho Testamento (Gênese, Deuteronômio) a respeito
de uma certa cidade de Sela.
O
significado da palavra Sela, Pedra (ou Rocha),
é o mesmo do nome grego Petra, como a conhecemos desde
a Antigüidade, por meio das descrições
de autores como Estrabão e Plínio. O alcance
de suas atividades pode ser medido por uma crônica chinesa
do final do primeiro século antes de Cristo, relatando
que a corte de Chang Chien havia recebido presentes
(suborno?) de Li Kan, identificada por acadêmicos
como a cidade escavada na rocha vermelha do outro lado do
mundo.
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