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Jano
15
bilhões de anos em 365 dias
O
que estaria vendo Jano nesta passagem de século
e milênio? Qual futuro nos espera para além desta
marca especial do tempo do calendário cristão
gregoriano?
Peço
que os leitores me acompanhem numa abstração
de André Carneiro, escritor brasileiro de ficção
científica, que, num ensaio sobre ciência e parapsicologia,
avalia os hipotéticos 15 bilhões de anos de
nosso universo como se estivessem condensados num só
ano. É como se nos encontrássemos, hoje, no
último dia do calendário desse ano, já
à meia-noite de 31 de dezembro. Vamos resumir:
No primeiro instante deste ano virtual e durante toda
a sua primeira hora teria ocorrido o Big Bang, a explosão
inicial que teria dado vida ao universo.
Só no mês de maio, aproximadamente, é
que teria então se formado a Via Láctea.
Todo o Sistema Solar, nosso endereço galáctico,
teria sido criado por volta de setembro; e em meados desse
mês a Terra teria se formado, esfriando-se em sua órbita.
Saltemos para 28 de dezembro; data em que foram extintos
os dinossauros que dominaram o planeta nos últimos
270 a 65 milhões de anos. Cabe lembrar que reduzindo
tudo a um só ano, cada segundo que passa leva consigo
pelo menos 500 anos de história.
Já estamos em 31 de dezembro, último
dia do ano. São precisamente 22h30min; falta hora e
meia para a meia-noite; para nós é tudo o que
nos resta para a passagem do milênio. Pois bem, às
22h30 surgiu sobre o planeta o primeiro Homo sapiens.
Avancemos um pouco nosso relógio: são
23h53min. Sete minutos nos separam de 2001; podem colocar
nesse interregno, resumidamente e pela ordem, a Guerra de
Tróia, todo o início, ascensão e queda
do Império Romano, o nascimento de Jesus por essa época,
e tudo o mais que ocorreu nas Idades Antiga, Média,
Moderna e Contemporânea.
23h59min: estamos a um minuto do século 21,
tempo suficiente para que a Europa viva seu Renascimento,
descubra-se o Novo Mundo, a ciência moderna se institucionalize
a partir de Galileu e Newton, ocorra a Revolução
Industrial, a Francesa, etc., e mais recentemente soframos
duas guerras mundiais...
A rigor, só mesmo numa insignificante parcela
desse derradeiro minuto é que podemos colocar a máquina
a vapor, a eletricidade, o telégrafo, a telefonia,
o invento dos automóveis, o rádio e a televisão,
os aviões, o domínio do raio X, as experiências
atômicas, a explosão em Hiroshima, os computadores,
a corrida espacial e o bebê de proveta. Toda a história
da humanidade está ocorrendo agora, nestes últimos
e infinitésimos segundos de nosso ano imaginário.
Somos platéia especialíssima, testemunha de
um tempo insólito!
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