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Sabedoria
Indígena
O
ser humano distante da natureza
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Wielewicki
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de alimentos e água pura, os rios, segundo
a cultura indígena, merecem a bondade que daríamos
a qualquer irmão |
Recuperar
a capacidade de conviver com o mundo natural é
avançar em direção àquele futuro
em que as cidades trarão para si o melhor do campo,
e o campo terá em si o melhor das cidades. Então
desaparecerão as doenças físicas e emocionais
causadas pela tensão nervosa das grandes cidades. Desaparecerão
fenômenos como a síndrome do pânico, a
insegurança das ruas modernas ou a violência
contra os agricultores sem terra. E ainda respiraremos melhor,
como os indígenas faziam. Também nesse aspecto,
temos a aprender com eles:
O ar é precioso para o homem vermelho,
pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro. O animal,
a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro.
O homem branco parece não sentir
o ar que respira. Como um animal que agoniza há vários dias,
ele é incapaz de sentir o mau cheiro. (...) Ensinem às suas
crianças o que ensinamos às nossas crianças. Tudo o que ocorrer
com a terra ocorrerá com os filhos da terra. Se os homens
desprezam o solo, estão desprezando a si mesmos. A terra não
pertence ao homem. O homem pertence à terra.” (Preservação
do Meio Ambiente - Manifesto do Chefe Seattle ao Presidente
dos EUA, Editora Interação/Fundação
SOS Mata Atlântica, SP, 1989.)
Um
testemunho menos conhecido, mas não menos belo, foi deixado
a nós pelo chefe Urso-em-pé, dos lakota. Ele disse, lembrando
de tempos anteriores:
Os velhos lakota amavam o solo e sentavam-se
ou reclinavam-se no chão com o sentimento de estarem
próximos de um poder maternal. Era bom para a pele
tocar a terra, e os velhos gostavam de se descalçar
e andar com os pés nus sobre a terra sagrada. As tendas
eram erguidas sobre a terra, e os altares feitos de terra.
O solo era tranqüilizante, revigorador, purificador e
medicinal. Por isso é que os velhos índios ainda
se sentam diretamente na terra, fonte de suas forças
vitais. Para eles, sentar-se ou deitar-se no chão permite
pensar com mais profundidade e sentir com mais clareza; podem
penetrar nos mistérios da vida e descobrir seu parentesco
com outras formas de vida ao redor. (...) Os velhos lakota
eram sábios. Sabiam que o coração do
homem distante da natureza se torna duro; sabiam que a falta
de respeito pelas coisas vivas leva imediatamente à
falta de respeito pelos humanos. (Pés
Nus Sobre a Terra Sagrada, Compilador: T.C. McLuhan, Ed.
L&PM, Porto Alegre, 1994.)
Urso-em-pé mencionou aqui uma causa central
da violência e degeneração da vida emocional
das grandes cidades. Dominadas hoje por meios eletrônicos
de comunicação, cuja influência
parece crescer lado a lado com a falta de comunicação
real entre seres humanos, as cidades degeneram pelo seu distanciamento
da natureza e dos seus ritmos vitais básicos. Como
um animal em cativeiro que perde a alegria de viver, o ser
humano distante da natureza é preso por suas preocupações
pessoais, e dificilmente encontra paz, dentro ou fora de si.
O resultado é a violência: primeiro em pensamento
e sentimento, depois na realidade externa.
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