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Sabedoria
Indígena
A
alma da vida universal
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Foto:
Helio Campos Melo
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| A
natureza, assim como o homem e todas as coisas existentes,
carrega a alma da vida universal |
A
idéia central da ecologia profunda é abandonar
a visão de que a natureza é apenas um amontoado
de recursos naturais. Todo egoísmo tem
uma vocação inevitável para o fracasso,
e as políticas de preservação ambiental
implantadas no século 20 fracassaram amplamente porque
partiam de uma filosofia baseada na idéia de que o
homem pode usar e abusar da natureza. Quando você parte
de uma premissa falsa, seu raciocínio e sua prática
estão destinados à derrota. Só quando
deixamos de lado a impressão ilusória de que
o homem é o centro do universo passa a ser possível,
para nós, perceber que pertencemos à natureza,
somos seus filhos e devemos respeitá-la. A premissa
correta, centro da filosofia do futuro, afirma que a alma
da vida universal está presente em todas as coisas,
e o homem é parte dela. Cabe a ele, agora, ser consciente
disso. Assim a preservação ambiental terá
êxito. Nas palavras do chefe Seattle:
Os rios são nossos irmãos, eles
saciam nossa sede. Os rios transportam nossas canoas e alimentam
nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês
devem lembrar e ensinar às suas crianças que
os rios são nossos irmãos, e seus também,
e vocês devem, daqui em diante, dar aos rios a bondade
que dariam a qualquer irmão.
Em uma análise comparativa, poucos deixariam
de afirmar que nossa civilização tecnológica
é mais avançada que a dos índios peles-vermelhas.
Mas o que estamos fazendo com nossas crianças? Abandonando-as?
Matando-as? Prostituindo-as? O que são os assaltantes
das grandes cidades além de crianças abandonadas
que cresceram aprendendo violência?
Considerando
o que estamos fazendo com nossos rios e florestas e também
o grau de violência, corrupção e poluição
que há em nossas cidades, em que coisas somos de fato
melhores, e em que aspectos somos mais bárbaros, mais
violentos e atrasados que os indígenas das Américas
tradicionais?
Não há um lugar calmo nas cidades
do homem branco, afirma a carta dos duwamish: Nenhum
lugar para escutar o desabrochar de folhas na primavera ou
o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou
um selvagem e não compreenda. O ruído parece
apenas insultar os ouvidos. E o que resta da vida, se o homem
não pode escutar o choro solitário de um pássaro
ou o coaxar dos sapos em volta de uma lagoa à noite?
Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio
prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face
do lago, e o próprio aroma do vento, limpo por uma
chuva do meio-dia, ou perfumado pelos pinheiros.
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