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Reconectando: A Grande Teia

Edição 340 - Janeiro 2001
 

Sabedoria Indígena
Lições de Ecologia Profunda

Muito antes de a ciência moderna estabelecer as bases para uma nova relação entre o homem e a natureza, os índios da América já colocavam em prática os princípios da ecologia profunda.

Por Carlos Cardoso Aveline

Press Service/Usia

Em vários aspectos, o mais novo e o mais velho se unem hoje para renovar e ampliar radicalmente nosso modo de enxergar a realidade. Nas últimas décadas do século 20, a vanguarda da física redescobriu a filosofia esotérica através de Fritjof Capra, David Bohm e outros. O químico da Nasa Jim Lovelock descobriu que o planeta Terra pode ser considerado um ser vivo – como pensava o mundo grego – e criou a teoria de Gaia. Na biologia, Rupert Sheldrake resgatou velhos conceitos da filosofia do Oriente, especialmente o akasha e a luz astral, através de modernos métodos experimentais. Essas mudanças na visão científica do mundo estabelecem as bases para uma relação inteiramente nova entre ser humano e ambiente natural, e nos fazem compreender, também, que podemos aprender grandes lições avaliando melhor a filosofia de vida dos primeiros habitantes da América.

Segundo a ecologia profunda, todos os seres têm – em princípio – igual direito à vida. Essa corrente de pensamento aberta e sem dogmas foi criada na Noruega no início da década de 70 pelo filósofo e músico Arne Naess. Nos últimos anos, os livros e seminários dedicados ao tema têm ganhado espaço rapidamente, inclusive no Brasil.

Embora seja moderno na aparência e inspire uma nova geração de cientistas, esse modo de enxergar a vida é antigo e tradicional. O maior e mais famoso manifesto de ecologia profunda que conheço foi escrito pelo chefe Seattle, dos índios norte-americanos duwamish, em 1855, isto é, 11 anos antes de o biólogo alemão Ernest Haeckel propor pela primeira vez, em 1866, a criação de uma “nova disciplina” a ser chamada no futuro de “ecologia”. O chefe Seattle perguntou ao presidente norte-americano Franklin Pearce, que lhe havia proposto comprar as terras indígenas:

“É possível comprar ou vender o céu e o calor da terra? Tal idéia é estranha para nós. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como você poderá comprá-los? Cada pedaço desta terra é sagrado para o meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada areia da praia, cada bruma nas densas florestas, cada clareira e cada inseto a zumbir são sagrados na memória do meu povo. A seiva que corre através das árvores carrega as memórias do homem vermelho.”



Contatos com o autor podem ser feitos através da Caixa Postal 5111, agência Barzilândia, Brasília, DF, 72701-970.


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