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Robôs quase humanos

Robôs inteligentes voltam-se contra os humanos, seus criadores, e assumem o controle do mundo. Há décadas o cinema, a televisão e os quadrinhos exploram o tema em todas as suas variações. Bem, o terceiro milênio já chegou e ainda não apareceram os robôs realmente inteligentes. Mas há especialistas que não deixaram de acreditar neles. Hans Moravec, um dos fundadores do departamento de robótica da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, prevê que até o ano 2040 as máquinas terão atingido o nível da inteligência humana e, talvez, até mesmo o nosso nível de consciência. Passo seguinte? Fácil: elas nos superarão. Moravec chega a imaginar uma possível relação simbiótica entre o homem e a máquina, onde ambos se “fundiriam num estado pós-biológico” capaz de multiplicar nossos poderes intelectuais (e também os poderes intelectuais da máquina). Marvin Minsky, experto em inteligência artificial, prevê um futuro similar. As pessoas “instalarão” seus cérebros em substitutos mecânicos ativados por um computador e assimilarão miríades de informações e experiências úteis. Ele pergunta: será isso o fim da espécie humana ou a próxima etapa da evolução da espécie? Tudo depende do ponto de vista.

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Invasão dos extraterrestre

No Instituto Seti de Mountain View, Califórnia, um grupo de cientistas sérios procede a um verdadeiro garimpo dos sinais de rádio vindos do cosmos, em busca de sinais de vida inteligente extraterrestre. Até agora, nada. Mas, suponhamos que de um momento para outro esses sinais cheguem, enfim, até nós. Não apenas os extraterrestres existiriam, mas estariam nos avisando que vão chegar em breve para uma visita. Mais de um escritor de ficção científica criou cenários catastróficos para esse encontro. Mas, segundo os verdadeiros especialistas, o problema mais sério nesse caso não seria em absoluto a possibilidade de um conflito direto com tais visitantes do espaço exterior. Eles poderiam, por exemplo, desejar utilizar os recursos terrestres e do Sistema Solar em seu próprio benefício (as águas dos oceanos, cheias de hidrogênio, poderiam servir para alimentar uma nave espacial movida a fusão). Poderiam, talvez até sem querer, introduzir na Terra alguns bichos extraterrestres que achem deliciosa a carne humana, como fizeram os europeus ao introduzir gatos, cachorros e porcos em ilhas do Pacífico, os quais simplesmente acabaram com a fauna nativa.

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E a Terceira Guerra Mundial

Uma guerra nuclear parece agora improvável. Mas, há apenas uns 12 anos, a queda do império soviético também parecia improvável. Convém não esquecer, também, que Estados Unidos e Rússia possuem juntos, hoje, mais de 19 mil ogivas nucleares. Situações políticas se transformam e evoluem. Mas bombas são sempre mortais. A possibilidade de um ataque nuclear acidental, por seu lado, não deve ser descartada. Outros tipos de armamentos foram desenvolvidos nos últimos anos e seu uso pode ter conse-qüências mundiais. O Japão começou a fazer experiências com armas biológicas logo após a Primeira Guerra Mundial. Os Estados Unidos e a União Soviética aceleraram suas pesquisas no setor durante os anos da Guerra Fria. Em comparação ao armamento nuclear, as armas biológicas são muito baratas, simples de produzir e fáceis de esconder. Mas são tão ou mais difíceis de controlar, o que pode representar uma grande tentação para as organizações terroristas. John Leslie, da Universidade de Guelph, Ontário, ressalta que as experiências genéticas poderão possibilitar a criação de armas biológicas “étnicas”, concebidas para atacar com prioridade um grupo racial em particular.

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E se tudo for só um sonho?

Por último, uma questão filosófica que desde sempre atazana as mentes dos filósofos: a nossa será uma existência fantasma que nos engana e nos faz crer que ela é real? Essa questão – filosófica, mas também metafísica e religiosa, já que está na própria base de grandes sistemas espirituais como o budismo e o taoísmo chinês – é velha como o mundo. Agora, ela invade também as cabeças de cientistas, notadamente das áreas mais avançadas da física. Piet Hut, do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, em Nova Jersey, vê nela uma analogia com o “perigo de desaparecimento do vazio”. Não, não se trata de mais uma das fobias apocalípticas atualmente em moda. O que esse cientista quer dizer é que aquilo que consideramos ser o aspecto “vazio” de nosso mundo pode não ser a forma mais estável de vazio que pode ser encontrada no universo. Existe, portanto, “a possibilidade de que nosso vazio seja substituído por uma forma mais estável de vazio que, ao causar uma nova expansão do cosmos, mudaria as leis da física e provocaria uma explosão de energia destruidora”. Em outras palavras, aquilo que chamamos de realidade pode não ser a forma mais estável de existência. No quarto século antes de Cristo, o filósofo taoísta Chuang Tzu formulou exatamente esse mesmo problema, mas de um modo muito mais poético. Ele descreveu um sonho impressionante, no qual era uma borboleta que não tinha nenhuma consciência da sua existência como pessoa. Ao acordar, Chuang Tzu se perguntou: “Será que há pouco eu era Chuang Tzu sonhando ser uma borboleta, ou sou agora uma borboleta sonhando ser Chuang Tzu?”
Ao discutir a verdadeira natureza da realidade, essa fábula coloca provavelmente a questão mais importante a ser decifrada ao longo desse recém-nascido terceiro milênio. Pelos filósofos, pelos artistas, pelos religiosos e pelos… cientistas.

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