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TURISMO

Poço Azul: Jóia em Meio ao Cerrado

Por Cadmo Soares Gomes

Fotos:
Cadmo e Pedro Soares Gomes
Pedras escarpadas emolduram o Poço, no qual pode-se tomar banho tranqüilamente.

Para começo de conversa, ele não é azul. Mas isso não tem importância nenhuma. O Monumento Natural do Poço Azul, no Distrito Federal, é como uma paráfrase do poema, “é rosa, mesmo tendo outro nome”.

Quase vizinho ao Parque Nacional de Brasília, o Córrego Poço Azul forma um complexo de cachoeiras e cascatas, corredeiras e uma caverna (essa o verdadeiro Poço). De tonalidade verde-esmeralda, suas águas límpidas acumulam-se numa grande cavidade rochosa de quartzo, invadindo uma caverna com entrada a céu aberto. Esse é o cenário do Poço Azul, um destino de lazer ecológico ainda menos visitado do que deveria, mas que já começa a padecer das desvantagens do turismo pouco conseqüente.

Crianças: entusiastas da coleta do próprio lixo.

São mais ou menos 40 quilômetros, do centro de Brasília até lá. Ao deixar a cidade pela Saída Norte, antes de chegar a Sobradinho, toma-se, ladeando o Parque Nacional, a via DF-001, que leva ao Lago Oeste. Após cerca de 20 quilômetros, quando o trecho asfaltado já tiver acabado, deve-se ficar atento para as placas, à direita, indicando a entrada para o Poço, que se localiza em uma propriedade privada, a Fazenda Velha, também conhecida como Fazenda Véu das Noivas.

Durante a viagem, pode-se apreciar o vigor da flora e da fauna do cerrado.

Uma vez lá, há uma taxa simbólica a ser paga pelo ingresso. Dessa taxa, uma parte será devolvida na saída, caso se opte por recolher o próprio lixo e devolvê-lo ao guardião. Percebe-se que as crianças são entusiastas dessa prática, catando latas e garrafas abandonadas até por pessoas outras que não elas mesmas. Escolhe-se como chegar ao Poço: de carro ou a pé. São uns 3 quilômetros de fácil trilha. Nesse breve trajeto, passível de ser feito confortavelmente em menos de uma hora, aprecia-se a originalidade da vegetação do cerrado e a companhia da fauna local. No dia em que fui, no começo de novembro, estava um tanto nublado e os bichos achavam-se recolhidos à espera da chuva, mas aproveitei, com meu filho Pedro, de dez anos, a presença de gaviões e colibris e até ouvimos ruídos de porco-do-mato.

A região ainda abriga animais como o lobo-guará e a anta.

O Poço é alcançado por meio de uma descida nas pedras escarpadas que o emolduram. Gostoso é observar as revoadas de andorinhas, moradoras da caverna adjacente, que brincam no cenário pedregoso. As águas convidam para o banho, que pode ser feito com tranqüilidade, uma vez que a correnteza ali tende a empurrar os nadadores para a direção segura da margem.

Alguns banhistas menos cautelosos arriscam-se a saltar das pedras do alto da cascata, prática proibida pelos donos da fazenda por razões de segurança, assim como as escaladas e o rappel, além da ingestão de bebidas alcoólicas. Infelizmente, igual à proibição de deixar lixo e resíduos, verifica-se que essas regras não são muito cumpridas pelos visitantes.

Banho no Poço: saltar do alto das pedras é muito perigoso

É visível o esforço que o pessoal da fazenda empreende para manter as trilhas e as águas limpas. Bastaria muito pouco da colaboração dos visitantes para que por ali a parte ruim da “civilização” não se fizesse ver. Uma conversa com Miguel Vieira, um dos guardiães, mostra-se cheia de informações sobre a fauna: naquela área ainda existem o lobo-guará, o porco-do-mato e até uma anta. Sobre meus comentários acerca da conservação, Miguel confidencia que o futuro promete ser melhor, porque, exatamente como eu havia atentado, as crianças são as que melhor respondem à política de devolver o lixo à entrada da fazenda.

Os donos da propriedade se empenham para manter as águas e as trilhas limpas.

Para os que querem ficar na região por mais tempo, há uma pousada a uns cem metros antes da entrada para o Poço. É bom lembrar da conveniência de levar alimentos e água, pois a infra-estrutura de atendimento ainda não está totalmente implantada.

O Poço Azul é uma jóia e como tal é digna de ser apreciada, preservada e mantida para o usufruto responsável do ser humano. Há uma consciência favorável nesse sentido, em processo de ampliação, mas não se pode negar que ainda existe um bom caminho a ser trilhado. De preferência, na companhia de gaviões e colibris.


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