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Entrevista
Liriam
Estephano
A crise como espelho
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Sichov/Sipa-Press
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Em
geral, começamos a nos questionar sobre a existência
após uma grande dor.
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PLANETA
– Um propósito maior não envolveria também aspectos do
estágio espiritual de cada um? Liriam – Sem dúvida.
Digo sempre que o ser humano é composto de três aspectos ou
partes: físico, psíquico e espiritual. Hoje cultuamos muito
o físico; começamos a nos preocupar com o psíquico, mas, muitas
vezes, esquecemos o lado espiritual. Se uma dessas três partes
não for trabalhada, nós, enquanto seres inteiros, ficaremos
“capengas”. É necessário, mais do que nunca, acreditarmos
em algo acima de nós, termos fé. Não importa qual religião
seguimos ou qual filosofia temos, o que importa é acreditar
sempre.
A
crise é o espelho do nosso propósito,
ela nos coloca face a face com as grandes questões da existência.
PLANETA
– Em geral, o homem só passa a se questionar sobre o significado
da sua existência diante de um grande sofrimento, como uma
separação, uma doença grave ou a perda de alguém muito querido.
A dor é realmente necessária para o crescimento interior ou
esse é mais um dos nossos muitos vícios culturais? Liriam
– Não acredito que seja um vício cultural. Como dizia Jung,
é por meio do sofrimento que crescemos. Se o Paraíso fosse
bom, Eva não comeria a maçã. Psicologicamente falando, a maçã
simboliza a tomada de consciência. Para que possamos crescer
é necessário nos conscientizarmos de por que estamos aqui;
precisamos entrar em contato com o bom e o ruim, o fácil e
o difícil. Afinal, só percebemos a luz porque um dia vivemos
na escuridão. Não podemos esquecer que a vida vai nos dando
sinais de que precisamos mudar; se não os ouvirmos, ela irá
cada vez mais aumentar sua intensidade na forma de chamamentos,
até literalmente puxar o nosso tapete. A crise é o espelho
do nosso propósito, ela nos coloca face a face com as grandes
questões. O benefício de uma crise é que deixamos de lado
as inquietações e conflitos insignificantes, a falta de controle,
e nos conscientizamos de que a vida é curta, cheia de imprevistos
e emoções, e isto não volta. Por isso, todos os momentos são
preciosos. Precisamos aprender a viver cada momento, a entender
e a lidar com as crises.
PLANETA – Como alguém que passa o tempo todo mergulhado
no trabalho e nos problemas do cotidiano pode despertar para
o seu verdadeiro propósito neste mundo?
Liriam – Temos de “abrir nossos olhos” e começar a
perceber que o mundo é muito mais do que trabalho e problemas
cotidianos. Temos de abrir os olhos e enxergar nossa “alma”,
nossa essência, aprender a ouvir mais o que diz nossa intuição.
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