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Transcendendo: Alma

  Entrevista
Liriam Estephano
Vivendo de Propósito

Em seu mais novo livro, O Poder do Propósito (Mercuryo), o psicólogo Richard J. Leider fala da importância de ouvir os desejos e chamados da vida para descobrir a própria missão, que, ligada à dos outros, resultará na era do propósito, centrada na ajuda mútua. Liriam Estephano, representante de Leider no Brasil, fala sobre a obra.

Por Fátima Afonso

Carmina Sophia

PLANETA – Em O Poder do Propósito, Richard J. Leider afirma que o homem foi criado com um propósito para manifestar seus talentos e assim dar a sua contribuição ao mundo. É impressão minha ou a maioria das pessoas passa pela vida sem se dar conta dessa incumbência que lhe foi atribuída?
Liriam – Esta questão me faz lembrar de um fato que aconteceu comigo quando da morte de Ayrton Senna. Nessa época, vivenciei um sofrimento muito grande; doía muito pensar em sua morte. Comecei a questionar o porquê disso. Está certo que foi uma morte trágica, ele era um ídolo, foi uma comoção nacional, nosso inconsciente coletivo estava ligado a esse fato. Mesmo assim, achava que ainda tinha algo além disso. Questionei durante muito tempo o que estava ocorrendo, até que me dei conta de que eu fazia parte de um processo histórico. No futuro, ao escreverem sobre a morte do maior piloto de Fórmula 1, eu, de alguma maneira, estaria presente. Percebi então que, apesar de eu ser um grão de areia, fazia parte da grande praia chamada história. E isso me fez pensar que, por mais insignificante que possa ser um grão de areia, são dessas “insignificâncias” que se faz uma praia, que, por menor que seja a minha contribuição, com certeza ela fará parte da história humana.

É verdade que a grande maioria das pessoas não sabe a que veio, qual é a sua missão. O mundo ocidental está cada vez mais materialista, menos preocupado com nosso propósito, nossa meta, nosso desejo, nosso sonho. Somos direcionados o tempo todo para conquistar, conquistar. A conquista é muito importante, só que não basta conquistar algo externo; temos de “nos conquistar”. Temos de aprender a ouvir nossos desejos, necessidades, etc. Precisamos acreditar que existe uma força acima de nós que, aliada à nossa força pessoal, nos impulsionará a descobrir qual é a nossa verdadeira missão. Como diz nosso velho poeta: “Quem passou por esta vida e não viveu pode ser mais, mas sabe menos do que eu.” Não podemos esquecer que a nossa missão ajudará a missão do outro. Somos uma grande cadeia perfeitamente interligada e esse continuum resultará num mundo pior ou melhor – isso dependerá de como cada um de nós viver. O importante não é sobreviver neste mundo, mas, sim, viver.

PLANETAPara manter-se em equilíbrio, segundo Leider, devemos descobrir aquilo que é capaz de nos motivar. Qual seria a motivação, por exemplo, de um político corrupto e antiético? Poderíamos falar, nesse caso, em motivação negativa?
Liriam – Descobrir aquilo que nos motiva, muitas vezes, não é fácil. Já que desde pequenos ouvimos frases do tipo “quando você crescer, será um grande engenheiro”, “quero que estude piano porque eu não o fiz”, “minha filha, cuidado com os homens, eles não prestam”, “mulher hoje é muito fácil, meu filho; preste atenção!” Crescemos ouvindo essas coisas e, conseqüentemente, passamos a acreditar que são verdades; não paramos para questionar, para ouvir o que o nosso coração diz nem para ouvir nossa intuição (aquela vozinha que fica falando coisas e à qual não damos a menor atenção). Chegamos muitas vezes à idade adulta frustrados, sem saber exatamente o porquê de estarmos assim. Por isso precisamos aprender a nos ouvir; só assim descobriremos o que realmente nos motiva. A motivação de um político corrupto e antiético poderia ser decorrente de uma necessidade excessiva de poder, de mando. Muito provavelmente, pessoas que foram direcionadas a conquistar e a pensar só na realização dos seus desejos, esquecendo que não estamos sós no mundo, que existem pessoas ao nosso redor e que uma atitude nossa interferirá direta ou indiretamente no outro. Para essas pessoas, os outros não têm a menor importância. Digo que o grande ditado que rege essas pessoas é “Vinde a mim; ide a vós, jamais.” Isso, de fato, passa a ser uma motivação negativa, já que elas estão preocupadas única e exclusivamente consigo mesmas. É como se fosse uma “síndrome narcisista”, onde só olham para si, para o seu próprio umbigo. Felizmente, parece que a água que ultimamente tem refletido a imagem de Narciso tem-lhe mostrado coisas que até Deus duvida.

 

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