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Reconectando: A Grande Teia

 

Uma Ética da Não-violência
A Conquista da Paz

O século 20 termina com um crescente desejo de paz pulsando na humanidade. Mas não é possível compreender as causas da violência no mundo atual sem uma auto-avaliação do próprio ser humano.

Por Romeo Graciano

Kiko Cabral

Violência. A própria palavra dispara uma série de significados aterrorizantes, que denotam o uso da força, a violação física ou psicológica, a transgressão da nossa integridade. Nas últimas décadas do século 20, o tema da violência concentrou grande parte da atenção da coletividade planetária, preocupada em discutir e encontrar meios para conter o avanço desse mal nas sociedades modernas.

Movimentos, campanhas, estudos e diferentes interpretações para o fenômeno nos ajudaram a vê-lo como algo mais complexo do que a abordagem sensacionalista procura mostrar. De um lado, somos levados a reconhecer que vivemos em uma cultura da violência, algo inevitável dentro da realidade mundana. De outro lado, é evidente o uso apelativo da violência, pelos meios de comunicação e a classe dirigente, para mobilizar a população, cada vez mais insegura e amedrontada nos grandes centros.

São Paulo é um modelo dessa desafiadora situação de vida urbana. Para combater a violência e suas causas, temos o Instituto São Paulo Contra a Violência, que, em parceria com a Secretaria de Segurança Pública, inaugurou em outubro um novo serviço de disque-denúncia contra a criminalidade (no primeiro dia de funcionamento, foram recebidas mais de 1.300 ligações). Há também movimentos como o Sou da Paz, nascido da iniciativa de universitários a favor do desarmamento, e campanhas anunciadas em adesivos nos vidros dos carros, expondo denúncias como “Já Fui Assaltado! Diga Não à Violência”.

Um retrato das mudanças de comportamento do paulistano causadas pelas ameaças da violência aparece nos resultados de uma pesquisa do Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEV), divulgada em março: 47% da população evitam sair à noite, 29% mudaram seu trajeto de casa para o trabalho/escola, 10% deixaram de usar uma linha de ônibus e 15% evitam conversar com vizinhos.

Não é novidade o fato de as sociedades do Terceiro Mundo apresentarem elevado grau de deterioração, por motivos de crises política, social, econômica, moral e ética. A exclusão social e as profundas desigualdades que sustentam o apartheid paulistano sinalizam um perigo crescente, considerando que, no futuro próximo, está previsto o inchaço da população dos centros urbanos. E o crescimento da violência entre os jovens está entre os aspectos mais preocupantes.

Segundo estudo da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), o Brasil si tua-se entre os países com as taxas mais elevadas de homicídios entre jovens de 15 a 24 anos. Analisando a violência estrutural que nos cerca – como a tônica na realização pessoal, a competitividade sem ética, o ter sobrepondo-se ao ser, o sexismo, a degradação das condições básicas de vida, o consumismo desenfreado, a corrupção, a impunidade e tantas outras –, conclui-se que os jovens acabam introjetando e devolvendo essa mesma violência à realidade, na sua busca de modelos de comportamento. Excluídos e aviltados, muitos deles acabam descobrindo sua razão de ser em grupos de delinqüentes ou viciados, preferindo manifestarem uma personalidade negativa a terem de se reconhecer como um “zero à esquerda”. E assim dão o troco à rejeição de que são alvos.

 

Leia mais:

A Conquista da Paz

A violência na mídia e o crime real

Eliminando a violência dentro de nós

A ética da não-violência

 


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