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A Interpretação das Cartas

Arcano XII
O Enforcado

Christiane S. Messias

Descrição da simbologia – Simboliza a sujeição e o sacrifício a tudo o que é antinatural, nos domínios do micro e do macrocosmos, em nome de um ideal. O arcano 12 – número de expiação e salvação espiritual – apresenta a imagem de um personagem de cabeça para baixo, suspenso por um pé que está amarrado, por uma corda, a uma viga apoiada entre duas árvores, cada uma com seis ramos cortados. É um dos simbolismos mais complexos de todo o tarô. A suspensão no espaço e sacrífícios semelhantes entram nas práticas cultuais de muitos povos da humanidade: inflingia-se esse martírio aos cristãos dos primeiros séculos. Está também relacionada à idéia de levitação, vôo onírico, proveniente de um isolamento místico. Frazer observa que o homem primitivo procura manter a vida de suas divindades, conservando-as isoladas entre o céu e a terra, lugar onde não podem ser afetadas por influências comuns ou terrenas. A posição invertida traduz por si mesma a idéia de purificação, por subverter a ordem terrena ou natural. Os 12 ramos cortados fazem alusão à extinção das 12 principais expressões da vida humana, simbolizadas no zodíaco. Relacionado ao signo de Peixes, o Enforcado representa aquele que, em vez de viver a vida da terra, vive num mundo de sonho idealista.

Representação abstrata – Tensa expectativa em conseqüência da descida às profundezas da vida e do eu. A oscilação é a dor por um desejo não satisfeito. No sentido positivo: capacidade de participar dos sofrimentos dos semelhantes, dar sem pensar em recompensas; direção sábia por parte do inconsciente, agilidade mental; perdão aos inimigos, adaptação às circunstâncias, tentação material vencida, sacerdócio; ânimo para deixar de lado considerações práticas e submeter-se apenas ao eu interior; idealismo, atividade intensa da alma, perfeição moral, abnegação, sacrifício voluntário por uma causa elevada, liberação do egoísmo instintivo, esquecimento de si mesmo, desinteresse absoluto; intervenção a distância, telepatia, tesouros espirituais. Sentido negativo: falta de sentido prático, projetos irrealizáveis, falta de determinação; ilusões, indecisão, impotência para agir no mundo concreto; excesso de confiança, desejos generosos, mas estéreis; o artista que concebe a beleza, mas não sabe traduzi-la em obras; projetos ocultos e duvidosos; evasão psíquica, vacilação, luta interior que cede à fuga psicológica.

Interpretações divinatórias – No sentido material, uma das piores cartas do tarô, indicando sempre que o consultante tomou uma direção errada. No plano mental: hesitação, perturbação da consciência, falta de uma visão clara; recomenda a necessidade de recuo, de interrogar sobre o caminho a seguir e de encaminhar-se para uma nova direção. No plano anímico: libertação através de um sacrifício; se no plano físico equivale a uma perda, no espiritual significa um ganho, pelo abandono daquilo que impedia, obstruía e levava à indecisão e falta de vontade. No plano físico: cegueira, no caso de amor; fraude, no plano das associações; no casamento significa adultério, traição, abandono; fuga e desagregação, decepção, armadilhas no caminho, ingratidão. Recomenda compreender as adversidades como resultado de um falso julgamento da situação, pois aquilo que o consultante deseja não tem o valor que lhe atribui.

 

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Arcano VII - O Carro

Arcano VIII - A Justiça

Arcano IX - O Ermitão

Arcano X - A Roda da Fortuna

Arcano XI - A Força

Arcano XII - O Enforcado

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