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Encontro
com a Sombra
Para
dominar o medo
Em
princípio, qualquer objeto, idéia ou sentimento pode nos causar
medo. Seja qual for a situação em que ele se apresente, porém,
para vencê-lo precisamos identificar as emoções que o geraram.
Por
Vera Lúcia Franco
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Ilustração
de Roberto Weigand inspirada no quadro O Grito, de Edvard
Munch, sobre foto de Alex Soletto
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Um
homem caminha à noite num lugar desconhecido. Busca uma trilha
distante do mato que a ladeia, procurando proteger-se de um
ataque hostil. Em certo momento, seus sentidos se aguçam.
Ouve um estalo que parece o som de um galho quebrando, talvez
pelo peso de algum animal. Seu coração e sua respiração se
detêm por segundos para, em seguida, acelerarem. Seus intestinos
se contraem, produzindo cólicas. Se pudéssemos vê-lo no escuro,
o perceberíamos pálido, pois todo o seu sangue correu para
o centro do corpo. O homem olha assustado para trás, para
os lados, tentando visualizar algo que contraste com a negra
escuridão e lhe dê uma pista do que possa ser aquele barulho.
Quem
não conhece essas sensações? Quem já não as sentiu algumas
vezes em sua vida? Qualquer um saberia denominá-las em seu
conjunto: medo.
Sempre
que somos expostos a algo que nos atemoriza, essas sensações
são sentidas em toda a sua plenitude. Observamos no homem
de nosso exemplo que, mesmo sem ter percebido algo de concreto
que pudesse lhe causar medo, seu organismo se preparou como
um todo para uma reação de fuga. A associação galho quebrado
é igual ao peso de um animal lhe antecipou a possibilidade
de perigo. É importante observar que, se, por um lado, essa
“conduta antecipatória” pode evitar certas dificuldades, por
outro, pode levar à desistência de possíveis realizações pessoais.
Somada à paralisação das atividades antes desempenhadas, tal
renúncia é considerada o maior prejuízo nos quadros clínicos
produzidos pelo medo.
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Max
Pinto
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| A
solidão, assim como a proximidade da morte, as doenças
e o sofrimento, é algo temido pela maioria das pessoas. |
Observemos
que, no caso do nosso assustado amigo, não são somente seus
sentidos que se aguçaram; sua imaginação também se acendeu,
aumentando seu medo através de temores ou suspeitas. Na verdade,
imaginamos o que mais tememos. Lembro-me que, quando assisti
ao filme “O Exorcista”, campeão de audiência por seus efeitos
especiais inéditos, já havia lido o livro. Minha imaginação,
portanto, já tecera um diabo que era bem mais atemorizante
do que o concebido pelo diretor do filme. E, quanto mais o
imaginário estiver presente, mais difícil será combater o
medo através da razão, pois o cenário imaginado é uma realidade
para quem o cria. É por isso que, muitas vezes, os mortos
assustam mais do que os vivos.
O
fato é que o mundo interno possui também uma realidade objetiva,
semelhante em algum aspecto à realidade do mundo externo.
Uma vez ativadas, as imagens do inconsciente profundo adquirem
um grau de realidade parecido com a que percebemos através
dos órgãos dos sentidos. Lembremos as miragens que atacam
os viajantes sedentos no deserto ou as alucinações dos esquizofrênicos,
as quais mostram uma realidade que não conseguimos enxergar,
mas que é bem real para eles.
Em
princípio, qualquer tema, objeto, idéia, animal, etc., por
mais inocente que seja, pode se transformar em algo muito
temido. Um gato preto que atravesse o nosso caminho, por exemplo,
é considerado por muitos como símbolo de azar e mau presságio,
sendo, portanto, assustador.
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