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Como
Não Envelhecer Antes do Tempo
O
nosso universo é reduzido
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Marcelo
Min
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Total
concentração nas tarefas cotidianas: exercício para
despertar a mente.
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Em
seu estudo seminal Sobre a Psicologia da Meditação,
os psicólogos Robert Ornstein e Claudio Naranjo afirmam que
a nossa suposta visão da realidade é, na verdade, uma construção
mental subjetiva e tendenciosa na qual selecionamos um pequenino
grupo de idéias e estímulos e eliminamos sistematicamente
o resto. O homem e a mulher comuns acreditam que aquilo que
vêem ao seu redor quando descem a rua é um reflexo exato do
que realmente existe. Ornstein e Naranjo insistem que essa
idéia é impossível de ser mantida, mesmo no nível mais elementar,
se considerarmos as inumeráveis formas de energia que nos
cercam a todo momento – eletricidade, magnetismo, radiação,
ondas luminosas, sinais de rádio, raios X, para não mencionar
as nossas próprias químicas interior e descargas elétricas,
os nossos pensamentos, sentimentos, sensações, impulsos musculares.
Já
que somos bombardeados por essa ampla saraivada vibratória
em todos os momentos de nossas vidas, uma grande quantidade
de energia deve ser gasta para que tudo isso faça sentido.
Fazemos isso, em primeiro lugar, nos descartando e simplificando
a maioria das informações que chegam aos nossos cérebros e,
em segundo, separando e classificando esses dados em concisos
pacotes de consciência e reação; como se fossem bytes de consciência.
O
resultado desse esforço mental de organização é que o nosso
universo se torna reduzido ao nível da nossa própria capacidade
de compreendê-lo e processá-lo. Literalmente, “sintonizamos”
a nossa consciência nos canais que são mais fáceis de conectar
e bloqueamos o resto. “Quando nos tornamos experientes em
lidar com o mundo”, escrevem Ornstein e Naranjo, “tentamos
cada vez mais fazer com que outras coisas da massa de informações
que chegam aos nossos receptores tenham um ‘sentido’ consistente.
Desenvolvemos sistemas ou categorias estereotipados para classificarmos
os estímulos que nos alcançam. Esse conjunto de categorias
que desenvolvemos é limitado, muito mais limitado do que a
riqueza dos estímulos. (...) Esperamos que os carros façam
um determinado ruído, que os sinais de trânsito sejam de uma
determinada cor, que o odor da comida seja de determinada
maneira e determinadas pessoas digam determinadas coisas”.
Ornstein
e Naranjo dizem que, como um resultado desse processamento
estereotipado, o que nós realmente percebemos não são
absolutamente carros ou sinais de trânsito ou comidas reais.
São invenções dos nossos limitados sistemas internos de processamento
que vêem o que o hábito nos diz para vermos e que são filtrados
através das lentes das nossas próprias subjetividade, imaginação
e sugestionabilidade. Sendo assim, em última análise, todo
o nosso senso de realidade vem a ser construído não sobre
as coisas como realmente são, mas sobre modelos interpretativos
baseados em uma versão excessivamente editada e intensamente
processada das experiências passadas e do futuro.
Então,
ficar habituado é o subproduto de todas as rotinas e escaninhos
aos quais as nossas mentes se entregam durante décadas. Perto
da meia-idade, esse mecanismo se torna predominante em nós,
censurando, classificando, distorcendo, julgando, supondo,
rotinizando, mecanizando tudo o que vemos, sentimos e pensamos.
O ficar habituado se estabelece, por exemplo, quando não escutamos
mais o que as pessoas estão nos dizendo (porque as nossas
noções preconcebidas nos dizem que já sabemos a verdade).
Isso acontece quando ficamos entorpecidos diante das belezas
sutis que nos cercam, quando paramos de ver as coisas como
se fosse pela primeira vez, como uma criança é capaz de fazer.
Ficar habituado é quando nos ouvimos expressar as mesmas desgastadas
opiniões, quando nos pegamos contando uma história que já
contamos centenas de vezes antes, exatamente da mesma maneira.
Ficar habituado é falarmos automaticamente de coisas sobre
as quais nada sabemos. É supor sem entender, julgar sem avaliar,
reagir a partir de uma tendência em vez de um fato evidente.
Resumindo, é uma redução da nossa percepção ao invés de uma
expansão da nossa consciência.
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