| |
Como
Não Envelhecer Antes do Tempo
Atenção,
Atenção, Atenção !
Quando
nos habituamos ao mundo que nos cerca, acabamos ignorando
os prazeres simples da vida e deixando de lado as pequenas
alegrias. Contra esse processo, que pode nos levar a um envelhecimento
psicológico mais rápido, recomenda-se a atenção cuidadosa.
Por
Harry R. Moody e David Carroll(*)
|
Mujica
|
 |
Como
acadêmico e administra- dor, trabalhei no campo do en- velhecimento
por quase metade da minha vida. Contudo, ainda fico extremamente
confuso sobre o que, psicologicamente, nos seres humanos os
faz envelhecer. Quando esse processo realmente começa?
Um
colega meu, o psicólogo dr. Robert Kastenbaum, também ficou
intrigado com essa questão – tão intrigado que desenvolveu
uma teoria bastante surpreendente para explicá-la. Ele acredita
que o envelhecimento psicológico começa na infância.
O
que o dr. Kastenbaum quer dizer com essa estranha afirmação
é que, quando ficamos mais velhos, desenvolvemos uma diminuição
gradual de reação à estimulação persistente, um processo que
ele chama de ficar habituado.
Em
termos psicológicos, ficar habituado significa tornar-se gradualmente
desatento a um estímulo repetitivo, o tique-taque de um relógio,
por exemplo, ou o som de pés se arrastando no apartamento
do andar de cima. No início, esses sons nos perseguem durante
o dia e nos mantêm acordados à noite. Depois, um filtro passa
a funcionar nos nossos cérebros e, com o tempo, começa a bloquear
os sons. Um dia despertamos e percebemos que nos tornamos
tão acostumados a esses ruídos que, para todos os efeitos,
eles não existem mais.
Essa
“válvula mental de redução”, como Aldous Huxley a ela se referia,
é essencial no que diz respeito à nossa vida e à nossa lida
cotidianas; sem ela, ficaríamos enlouquecedoramente distraídos
com as milhares de impressões irrelevantes que atingem os
nossos sentidos a cada momento.
Contudo,
o ficar habituado de que fala Kastenbaum é um grau mais sutil
do que a pura reação física. É uma redução da nossa consciência,
bem como dos nossos sentidos, um processo no qual, com o tempo,
os estímulos comuns da vida, os prazeres simples e as pequenas
alegrias, perdem a qualidade por força da simples repetição.
Esse
processo se inicia na infância, no momento em que começamos
a observar o mundo. Em princípio, tudo o que nos rodeia é
brilhantemente vivo e animado – o gorjeio do pardal, o gosto
do sorvete, a visão das nuvens de verão. Então, os anos se
passam. Quando escutamos o gorjear de milhares de pardais,
quando lambemos a nossa décima milésima casquinha de sorvete,
quando vemos a nossa milionésima nuvem passar sobre a nossa
cabeça, a imediação da nossa reação a esses estímulos diminui.
Finalmente, ficamos insensíveis à sua beleza. O ficar habituado
se estabelece e, com ele, uma sensação de nos tornarmos rígidos,
endurecidos – mais velhos.
(*) O Texto aqui apresentado é um excerto do capítulo
5 do livro Os Cinco Estágios da Alma, de Harry
R. Moody e David Carroll, lançado recentemente pela
Nova Era. Tradução: Beatriz Penna.
Leia
Mais:
Atenção,
Atenção, Atenção !
A
novidade e o hábito
Viver
fora do momento
O
nosso universo é reduzido
Para
escapar da armadilha
|