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Terapias
Holísticas
A
Medicina Interpretativa
Ao
realizar um diagnóstico, o médico deve saber interpretar as
queixas do paciente. Para tanto, pode utilizar vários recursos
alternativos, como contos de fadas e o mapa astral, que ajudam
a identificar a origem oculta da doença e a promover a cura
de maneira mais ampla.
Por
Sérgio Mortari
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Conto
de fadas: recurso para interpretar os sintomas.
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É
a prática que permite ao médico ir além da decodificação da
queixa física e buscar o padrão oculto que está produzindo
determinado quadro de sintomas. Por um lado, a descoberta
dessa causa subjacente será a fonte de ampliação do conhecimento
que o paciente tem de si mesmo; por outro, a partir do entendimento
do real significado da doença apresentada torna-se possível
buscar um tratamento amplo, que sirva para o bem-estar do
corpo físico e da mente.
Toda
doença traz em si a semente de uma nova forma de vida, de
um recomeço em novas bases, com valores mais sólidos, pois
a própria moléstia já indica que algo precisa ser mudado.
Para
os povos mais antigos, a doença era considerada uma manifestação
de um deus agravado, que exigia atenção e uma outra postura
em relação a ele. Hoje em dia, podemos dizer que ocorre um
processo semelhante, só que o deus injuriado é algo que queremos
esquecer, que não queremos questionar, embora nos incomode
muito. Isso é o que Jung denominou sombra, ou seja, tudo aquilo
que não desejamos tomar consciência, que não aceitamos e não
queremos ver. Mas, como esse aspecto faz parte de nós, sua
maneira de se fazer notar é através de um distúrbio físico.
A
maioria dos pacientes, na verdade, sente enorme dificuldade
em falar sobre os seus problemas mais profundos, muitas vezes
até por desconhecê-los, e é aí que entram os sintomas – a
forma mais clara de sugestão do que se passa no íntimo das
pessoas.
Para
acessarmos o agente gerador dos sintomas físicos, dispomos
de vários recursos eficientes: os contos de fada, as fábulas,
a mitologia, os testes projetivos, como a grafologia, e o
mapa astrológico.
Através
da utilização desses mecanismos, podemos resolver um impasse
muito freqüente: na maioria das vezes, o doente consegue descrever
com bastante clareza seus sintomas e falar sobre eles sem
maiores constrangimentos, mas quando falamos sobre sua significação,
criamos uma situação embaraçosa. Uma paciente, por exemplo,
me relatou com precisão os sintomas que a faziam perceber
quando e como iria ter terríveis cólicas renais. Sugeri a
ela conversarmos sobre parceria, relacionamentos, ressentimentos
e processos de eliminação, pois essas são as palavras-chave
para se compreender os distúrbios que afetam os rins. Sua
resposta foi: “Mas eu só quero um remédio para curar minha
cólica!”
Para
que ela entendesse melhor o que estava “escondido” na sua
dor nos rins, expliquei-lhe então que o rim é um órgão duplo
e que sua função é extrair, concentrar e eliminar do sangue
parte dos resíduos orgânicos, como uréia e ácido úrico. O
rim não é, portanto, apenas um filtro, mas uma glândula cuja
secreção é seletiva, para que ele funcione normalmente. A
partir daí, mostrei-lhe a clara analogia entre a cólica e
sua simbologia: o cálculo nos rins é o resíduo que, por não
ter sido eliminado, petrificou-se; o sentimento que provocou
uma sensação desagradável, como uma mágoa, e não foi resolvido,
tornou-se ressentimento. Ressentir significa sentir de novo,
ou seja, perpetuar aquela mágoa.
Quando
utilizamos o recurso dos contos de fada para um conhecimento
mais profundo do paciente, pedimos que ele indique o de sua
preferência, aquele que acha que tem algo a ver com ele, mesmo
não sabendo dizer por quê. É fácil entender, por exemplo,
as dores nas costas de um pacientes que escolhe o conto “Joazinho
e o Pé de Feijão”. Basta considerarmos que, simbolicamente,
os ossos correspondem aos princípios de responsabilidade,
firmeza e cumprimento das normas estabelecidas. O conto começa
assim: era uma vez um menino muito pobre, que precisava ajudar
sua mãe no sustento da família (assumia grandes responsabilidades
para atender necessidades alheias). Para tanto, levava a vaca,
único bem que possuíam, à feira para vender seu leite (cumpria
a norma estabelecida). Certo dia, Joãozinho voltou para casa
sem a vaca e sem dinheiro. Questionado pela mãe, disse que
trocara a vaca por feijões mágicos (acreditou que tinha conseguido
resolver os problemas da mãe). Indignada com o fato, a mãe
mandou-o dormir sem comer nada (não só não resolveu os problemas
dos outros como arrumou problemas para si mesmo). Como os
feijões eram realmente mágicos, no dia seguinte, eles transformaram-se
numa enorme árvore que ia até o céu. Subindo na árvore, o
menino chegou a um castelo encantado, que era propriedade
de um gigante muito mau (responsabilidades insuportáveis para
resolver problemas dos outros). Após inúmeras situações de
muito perigo, Joãozinho saiu vitorioso (descobriu que devia
cuidar da sua vida) e voltou muito rico para casa (encontrou
o caminho da cura).
A
análise grafológica, por sua vez, é um recurso que projeta
com muita fidelidade as características mais verdadeiras das
pessoas. A folha do caderno de caligrafia ilustra bem o que
devemos considerar nesse estudo. Sinteticamente, temos de
trabalhar os espaços referentes às zonas superior, média e
inferior da linha. A superior considera a religiosidade, a
intelectualidade, enfim, as qualidades mais elevadas. O dia-a-dia,
o objetivo e o imediato encontram-se na zona média. A parte
mais instintiva e material localiza-se na zona inferior. Devemos
considerar ainda o lado esquerdo da linha (ligado ao passado
e à introversão) e o direito (referente ao futuro, às esperanças
e à sociabilidade). Problemas no intestino grosso, por exemplo,
podem estar sugeridos numa zona inferior enfatizada, já que
estão relacionados com as palavras-chave ambição e inconsciente.
O
estudo do mapa natal é outro recurso que pode fornecer indícios
importantes de predisposição a doenças. A colocação de Marte,
Saturno e Netuno pode sugerir os maiores riscos a que a saúde
está sujeita. Marte está relacionado aos processos infecciosos
e ao sistema muscular. Netuno mascara a realidade e leva à
busca de mecanismos que alterem o estado de consciência. Saturno
vincula-se, por exemplo, aos problemas ósseos. A Lua rege
os líquidos, as secreções, os fluidos do corpo. Júpiter está
associado aos excessos alimentares e, portanto, à obesidade.
Mercúrio dá indicações sobre possíveis alterações no sistema
nervoso. Urano, por sua vez, está presente nos processos com
reações não controladas, como os espasmos.
Serviço
Dr. Sérgio Mortari: Rua Dr. Jesuíno Maciel, 427, São Paulo,
SP, 04615-001, fone (11) 542-4022; e-mail: sergiomortari@originet.com.br
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