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A
Reencarnação
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A
verdade não pode ser percebida através da crença, nem
ser colocada em palavras: é necessário experimentá-la.
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PLANETA
– O que a senhora pensa da reencarnação?
Radha – A questão da reencarnação tem sido bastante
pesquisada nos últimos tempos. O pesquisador mais destacado
nessa área foi Ian Stevenson, e foi reunida uma quantidade
considerável de evidências a respeito. Mas, além disso, acredito
na reencarnação porque creio que todo o movimento da vida
avança no sentido de manifestar externamente a perfeição latente
ou potencial, e isso não pode ocorrer em uma só encarnação.
Se você acredita em uma só encarnação, está condenando milhões
de seres humanos a uma completa confusão e muitos deles a
uma estupidez eterna.
PLANETA
– Mas, se há reencarnação, o que é, afinal, que reencarna?
Não é o eu pessoal, ao contrário do que alguns pensam...
Radha – Existe uma individualidade que está além do
eu pessoal. A literatura teosófica diz que a verdadeira individualidade
está no mundo das causas. Essa individualidade se desenvolve
gradualmente através de muitas encarnações. Através das experiências
de uma determinada encarnação, algo de essencial se soma à
consciência daquela individualidade. Depois de um tempo, surge
nela o desejo de ter mais experiências e passar por outras
colheitas. Assim, ela volta a encarnar. Poderíamos dizer que
é o desejo de experiências que faz o indivíduo encarnar novamente.
Mas o processo ocorre trazendo certas tendências, acumuladas
em encarnações prévias, que nem sempre são agradáveis para
quem faz a colheita.
PLANETA
– A teosofista norte-americana Joy Mills disse que a renúncia,
considerada indispensável no caminho espiritual, “é como desistir
do excesso de bagagem”, bagagem mental, emocional...
Radha – Para mim, o grande desafio é renunciar ao egoísmo,
o que tem uma relação com a questão do excesso de bagagem.
Mas, mesmo depois que a bagagem mental foi abandonada, o sentido
básico de “eu” permanece. Isso também tem de ser deixado de
lado, na chamada “grande renúncia do eu”: o abandono da própria
noção de que existimos como entidades separadas do resto.
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Através
das experiências de uma determinada encarnação, algo
de essencial se soma à consciência da individualidade.
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PLANETA
– A senhora acredita que é possível, ao mesmo tempo, ter
auto-estima e ser altruísta?
Radha – Eu não usaria a palavra auto-estima, embora
saiba que os psicólogos usam termos semelhantes. Eu diria
que o importante é reconhecer a existência de algo que é imensamente
valioso, na parte mais profunda do nosso próprio ser, assim
como no interior de tudo o que há.
PLANETA
– Então, quando estivermos prontos para isso, poderemos
reconhecer que somos fundamentalmente sagrados, e secundariamente
imperfeitos.
Radha – Os hindus antigos contavam aquela história
sobre um príncipe que pensava que era um mendigo. Se você
pensa que é um mendigo, se comporta da maneira correspondente.
Mas, se reconhecer que é uma pessoa de linhagem real, você
se comporta com dignidade. Essa imagem, como todas as analogias,
tem suas limitações, mas pode ser útil.
PLANETA
– Era uma vez atma, a consciência suprema. Porém um dia
ela acordou pensando que fosse kama-manas, a mente inferior,
e não foi nada fácil redescobrir sua natureza divina…
Radha – Sim, algo semelhante.
PLANETA
– Qual é, em duas ou três frases, a essência da sabedoria
teosófica?
Radha – Penso que é a fraternidade universal, associada
à liberdade de busca. Os dois fatores, combinados, fazem parte
da essência. Um, sem o outro, é insuficiente.
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A Reencarnação
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