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Transcendendo: Alma

 

Auto-observação e sexo

Quem está em harmonia com todas as coisas não destrói. Pelo contrário, age de modo a aumentar o que é bom e belo.

PLANETAUm dos pontos-chave de O Caminho do Autoconhecimento é a prática da auto-observação, ou seja, a observação do que ocorre internamente...
Radha – O autoconhecimento deve começar com a auto-observação. Os psicólogos sabem que medos profundos, frustrações e outros fatores psicológicos ocultos afetam o comportamento. Uma pessoa que está frustrada, por exemplo, tende a criar discórdia ao seu redor. Ela pode até não estar consciente disso e, depois de criar discórdia, culpar todos os outros pelo problema. Só pela auto-observação podemos perceber que a causa não está fora, mas dentro de nós. E, então, descobrimos que quase todos os nossos problemas têm sua origem profunda na nossa própria psique e não dependem das circunstâncias externas. Alguém pode estar igualmente frustrado em meio a riquezas ou à pobreza. Mas, se há uma real compreensão interior, não há frustração, e pode haver felicidade com muito pouco. Se quisermos resolver os problemas da sociedade humana, penso que a auto-observação é necessária, e é preciso fazê-la com firmeza, perseverança e honestidade. Então podemos confiar em nós mesmos, porque não atribuímos causas ao mundo externo: sabemos que todas as causas são internas, e alcançamos o autocontrole.

PLANETAEm uma carta de um mestre de sabedoria há uma passagem afirmando que grande parte do sofrimento humano é causada por um exagero da função natural do sexo, hoje transformado em mercadoria...
Radha – Bem, a mente humana é capaz de aumentar enormemente impulsos que, nos estágios pré-humanos, eram necessários à sobrevivência. No estágio humano, dizem os sábios, os impulsos têm de ser contidos e mantidos dentro dos limites do estritamente necessário. O que quero dizer é o seguinte: há necessidade de alimento; nenhuma criatura pode sobreviver sem comida. Assim, a natureza incluiu a fome em seu sistema, de modo que as espécies continuem. Do mesmo modo, o impulso pelo intercurso sexual está incluído no sistema. A natureza põe um limite a isso nos estágios pré-humanos. Se você tem um gato, sabe que ele deixa de comer no momento em que sua fome está satisfeita. Ninguém consegue fazê-lo comer mais do que o necessário. Mas a mente humana diz: “A comida está deliciosa. Deixe-me provar mais um pedaço.” E a pessoa come o que não é necessário. Com o sexo ocorre a mesma coisa. O animal tem atividade sexual durante um período particular, tem filhotes, e então pára, até a próxima estação. Mas a mente humana continua pensando no sexo. Assim, o que é um instinto natural se torna luxúria. O exagero causa grande mal ao cérebro, e o indivíduo faz mal a muitas pessoas na tentativa de satisfazer a luxúria.

PLANETAA teosofia não propõe um moralismo autoritário, portanto, mas levanta uma questão científica, de relação de causa e efeito?
Radha – Claro, de resultados práticos. Além disso, o que é um ser humano? Se não há capacidade de observar, de produzir ordem e controle dentro da sua mente, o ser humano se torna uma espécie de “animal degenerado”. Porque os instintos animais estão presentes, mas a restrição natural, que é colocada no animal pela natureza, não existe. Surge então um “animalismo” sem limites, e o ser humano perde um dos aspectos da sua condição humana. Colocar e aceitar limites é uma parte essencial do processo humano. Quando se perde isso, há grande infelicidade. O excesso sexual é semelhante a qualquer dependência ou vício, e talvez faça mais mal que outros vícios.

PLANETAPor que os teosofistas têm necessidade de investigar a verdade por si mesmos? Isso não é uma perda de tempo e energia? Não bastaria que alguém mais evoluído nos dissesse em que devemos acreditar, ao invés de termos de descobrir tudo por nós próprios?
Radha – Uma coisa que o sentido comum nos ensina é que “a crença divide as pessoas”. Há guerras por causa de crenças. Crueldades imensas são perpetradas por causa de crenças. Os costumes e crenças supersticiosas restringem o crescimento do indivíduo. Se colocarmos um papagaio em uma gaiola, e o impedirmos de viver sua vida natural e de experimentar o céu, o espaço, etc., podemos estar confinando a alma do animal e impedindo-o de crescer na vida. Do mesmo modo, as crenças são extremamente nocivas. Elas separam as pessoas, criam conflitos, criam competição. A verdade nunca pode ser percebida através da crença. A verdade não é um conjunto de conceitos. Não pode ser colocada em palavras: é necessário experimentá-la. Por exemplo: seria possível conhecer a verdade sobre a paz por meio da crença? Não. Só quando nós próprios vivemos a paz é que podemos conhecer a verdade sobre ela.

 

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