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Desapego,
prática e yoga
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sabedoria é o conhecimento que produz relações harmoniosas;
que nos desperta para o nosso próprio potencial. |
PLANETA
– Um mestre de sabedoria escreveu que o constante reexame
das nossas intenções e metas pessoais é um mecanismo fundamental
para a evolução interior...
Radha – Certamente. O reexame das metas, e também do
modo pelo qual nós buscamos essas metas, deve ser constante.
Muitos não sabem qual é o propósito da vida. Na ausência dessa
clareza, eles se agarram a qualquer coisa que possam obter
através da possessividade, do desejo de poder ou dinheiro.
São como crianças pequenas que pegam e puxam para si qualquer
coisa, até o cabelo ou o nariz da mãe!
PLANETA
– Como a senhora define a virtude do desapego?
Radha – É não estar envolvido psicologicamente com
algo. O desapego permite olhar como uma testemunha para todas
as coisas. A literatura oriental fala da “consciência da testemunha”,
e isso é desapego.
PLANETA
– Por que a sabedoria deve ser prática?
Radha – Você pode ter uma quantidade imensa de conhecimento
científico, técnico, filosófico, religioso, etc. sem que ele
altere seu comportamento ou a sua relação com os outros seres.
Esse tipo de conhecimento não é sabedoria. A sabedoria é o
conhecimento que produz relações harmoniosas; que nos desperta
para o nosso próprio potencial. Ela nos torna conscientes
de que em todos e em cada um há a possibilidade de crescer
até a bondade e alcançar a iluminação. Assim, sabedoria é
algo totalmente diferente do conhecimento comum. Os hindus
antigos ensinavam que há dois tipos de conhecimento: o conhecimento
menor, comum, e o conhecimento maior, da verdade sobre todas
as coisas, que não está fragmentada. Do ponto de vista dela,
você não pode falar da “verdade sobre a árvore”, da “verdade
sobre Buda”, ou da verdade sobre outra coisa – esses são apenas
aspectos da existência una. Alcançar a verdade é alcançar
a compreensão dessa unidade, do Uno, como dizia Plotino. Se
você olha a vida desse ponto de vista, tudo parece diferente,
e você age de modo diferente, porque sabe que tudo é parte
da unidade.
PLANETA
– Para muitos, ioga é uma combinação de posturas físicas
com exercícios de respiração. Mas, no livro O Caminho do Autoconhecimento:
a senhora afirma que “ioga é altruísmo”...
Radha – Numa tradução do clássico hindu Bhagavad-Gita,
Annie Besant usa a palavra ocidental correta para “ioga”.
Esta é uma palavra difícil de traduzir. Tem sido traduzida
como “integração”, etc., mas Besant usa a palavra “harmonia”
– uma harmonia que abrange tudo, que é total. Há um motivo
para usar esse termo, em vez de qualquer outro. Às vezes,
a essência da ioga, que é descrita como o êxtase do samadhi,
também é descrita como uma “completa ausência de dualidade”.
A mente dualista, naturalmente, separa as coisas. Mas quando
há completa não-dualidade, não há separatividade. Ioga certamente
não é apenas fazer exercícios. Os exercícios podem ser uma
pequena parte da preparação necessária. Depois de fazer os
exercícios, sejam eles posturas ou exercícios de respiração,
certas práticas éticas devem ser adotadas. Em função disso
é que há uma série de práticas e abstenções, chamadas niyama
e yama. Tudo isso deve levar a um estado de harmonia que é
feito de altruísmo. Se estiver em harmonia com todas as coisas,
você não destrói. Você age de modo que aumenta sempre o que
é bom e belo.
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