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Transcendendo: Alma

 

Relações Humanas
Liberdade e Ação

Juvenal Pereira
Vida a dois: influência recíproca para promover o crescimento do casal.

Um grupo saudável e aberto à verdade está livre de autoridades que policiam o pensamento das pessoas e, portanto, nele ninguém é rotulado como “rebelde”. Isso não significa que um membro do grupo pode fazer absolutamente o que quiser. A liberdade se dá dentro dos limites referenciais definidos pelo grupo. A permanência de um indivíduo se justifica enquanto houver uma razoável identidade de metas e de métodos. Nesse contexto, o pensamento deve ser livre, mas a ação, uma vez acertada de comum acordo, deve ser coordenada. Se eu não concordo com as metas e métodos de um movimento espiritualista, de uma empresa, ou de qualquer outro grupo humano, então devo seguir meu próprio caminho. Ficar e boicotear é sintoma de falta de respeito por mim mesmo e pelos outros. Afastar-me a tempo e com inteligência desperta admiração e respeito.

A questão da lealdade é sempre decisiva para os grupos e relacionamentos humanos. Christmas Humphreys, discutindo métodos de liderança no movimento teosófico(2), escreveu que, no caminho espiritual, não deve haver uma lealdade externa e mecânica à instituição ou ao líder. Toda lealdade, para ele, deve ser para consigo mesmo. Alguém só pode ser leal aos outros se, primeiro, for leal à sua própria consciência. Devemos ser leais para com todos no sentido de ser sinceros com eles, e não no sentido de fazer o que eles querem que façamos. Lealdade não é submissão, mas franqueza e transparência. Nosso único e supremo mestre só pode ser a voz da nossa própria consciência. É a ela que devemos obedecer. A submissão cega a autoridades externas é em geral um instrumento da preguiça e da acomodação, gerando sofrimento dobrado mais adiante.

A busca de poder pessoal também deve ser observada cuidadosamente, em nós e nos outros. Ela costuma disfarçar-se sob aparências nobres e altruístas, mas a nossa capacidade de observação deve ser maior que a nossa vontade de enganar a nós próprios. O poder que devemos buscar é criativo, solidário, altruísta, e não manipulador. Manipular os outros é grave sintoma de impotência interior. O bom líder não tem necessidade de dirigir o processo o tempo todo, mas usa sua força nos momentos críticos e nas questões fundamentais.

A necessidade de procedimentos éticos nos mecanismos de poder e liderança é um enigma que devemos decifrar. Somos todos líderes, porque tomamos decisões próprias e influenciamos decisões alheias. Mas como lideramos? Nossa atitude é sempre contagiosa: agindo com sinceridade, influenciamos poderosa e positivamente a todos com quem entramos em contato. Então, somos bons mestres e discípulos, aprendendo com a vida através do método científico-experimental da tentativa e do erro. Mas quando chegarmos ao auge da sabedoria talvez digamos a mesma frase famosa de Sócrates: “Só sei que nada sei.”

Porque teremos percebido que é possível ter acesso à sabedoria, mas é impossível ser “dono” de qualquer parte importante dela. Então seremos capazes de liderar silenciosamente, como fazem os sábios. Eles raramente dão ordens, mas preferem inspirar ações através das suas atitudes diante da vida. E escolheremos democraticamente nossos líderes entre os que comprovaram, ao longo do tempo, ter intenções puras e bom discernimento.

Notas:
(2) A Liderança e a Lealdade, de Christmas Humphreys, Loja Brasília da Sociedade Teosófica, 2000. Ver pp. 5-7.

O que há para se ler
Organização Espiritual Sem Exploração, de Rohit Mehta, Ação Teosófica, Brasília, 2000; A Liderança e a Lealdade, Christmas Humphreys, Loja Brasília da S. Teosófica, Brasília, 2000. Esses dois livretes podem ser obtidos gratuitamente escrevendo-se para “Ação Teosófica”, Caixa Postal 5.111, Ag. Brazlândia, Brasília, DF, 72701-970.

 

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