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Relações
Humanas
A
democracia começa dentro de nós
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Akthar
Hussein/Sipa-Press
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Grupos
espiritualistas: falta de clareza sobre os processos
de liderança e suas implicações.
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A
percepção de que a liderança é tanto interna quanto externa
constitui uma chave para a democracia e a harmonia nos processos
coletivos. Só quem conhece e respeita seus próprios sentimentos
pode respeitar os sentimentos dos outros; e só quem debate
as coisas da vida consigo mesmo está preparado para debatê-las
com os outros. A democracia não começa só na família. Começa
em todas as dimensões da vida. A vida social é uma continuação
por outros meios da vida psicológica e interior, e vice-versa.
Os dilemas da sociedade brasileira atual retratam no mundo
externo o que vai dentro de cada cidadão. O auto-exame coloca
questões desafiadoras. Somos honestos com nossos próprios
sentimentos, ou distorcemos a realidade? Desistindo de manipular
e vendo as coisas como são, ajudamos a purificar a atmosfera
mental coletiva.
A
esta altura do alvorecer da era global, os grupos e instituições
espiritualistas não devem mais omitir-se em relação aos processos
de liderança, grandes articuladores do carma coletivo, isto
é, do processo total de ações e reações que determina o rumo
da evolução humana. Nosso destino depende inteiramente dos
processos de tomada de decisão, e é alimentado a cada instante
por ações físicas, emocionais e mentais, em grande e pequena
escala. Essas ações precisam ser reformuladas para que surja
– sem atrasos – a nova era de paz e solidariedade. Nessa transformação,
novas formas de liderança são absolutamente necessárias. Mas
as mudanças são profundas e não podem ocorrer sem lutas e
resistências, dentro e fora de cada um de nós.
É
verdade que os movimentos espiritualistas resgatam hoje tradições
de sabedoria milenares. Isso não significa, porém, que eles
devam ser politicamente retrógrados ou conservadores. Ao contrário:
a sabedoria eterna vive no momento presente e se renova a
cada instante. Ela necessita de ar puro, e funciona como um
fogo questionador que ilumina a vida e queima as ilusões por
onde passa. Mas, do ponto de vista da preguiça mental, é mais
fácil imitar a forma externa do que perceber a essência da
sabedoria. Em conseqüência disso, há um número considerável
de candidatos a gurus e supostos iluminados disputando posições
de liderança nos movimentos espiritualistas. Essa competição
por poder e espaço causa boa dose de confusão. Além disso,
freqüentemente há uma tendência de idealizar líderes, movimentos
ou instituições. Quanto maior a idealização, mais dolorosa
a decepção que virá depois. Isso pode e deve ser evitado desde
o início, se houver eficácia e sentido prático. Quem não sobe
a um pedestal não será derrubado. Quem não coloca ninguém
na posição de ídolo não sofrerá grandes decepções. Uma coisa
é certa: os sábios jamais se dedicam ao auto-elogio. A vaidade
“espiritual” é exclusividade dos tolos. Um autêntico mestre
de sabedoria escreveu, certa vez:
“O
falatório acerca dos ‘mestres’ deve ser silencioso, mas
firmemente eliminado. Que a devoção e o serviço sejam somente
para aquele Supremo Espírito do qual cada um é uma parte.
Nós trabalhamos anônima e silenciosamente...”(1)
Notas:
(1) Cartas dos Mestres de Sabedoria, compiladas por C. Jinarajadasa,
Editora Teosófica, Brasília, pp. 106-107.
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