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Entrevista
A
Fantástica Energia do Prazer
O
economista Flávio de Almeida Prado – defensor da tese de que
só é eficiente quem faz algo com satisfação – mostra aqui
por que as empresas precisam adotar, com urgência, a cultura
do prazer.
Por
Fátima Afonso
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Rob
Gracil/Aspen/Divulgação
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PLANETA
– Embora se reconheça pouco à vontade em relação a
números, você se formou em economia pela Universidade de Cornell,
nos Estados Unidos. Essa contradição teria, de alguma forma,
determinado os seus estudos sobre o prazer na área profissional?
Flávio – Tem tudo a ver. Meu pai fez a cabeça de todos
os filhos para que estudassem economia. Durante meu curso,
fui tomando consciência de que economia não era minha praia,
não me dava prazer nenhum. Passou a ser um verdadeiro drama
continuar estudando, sabendo que era mau aluno e certamente
não faria daquilo minha profissão. No sistema americano, me
formei apenas com o mínimo de créditos necessários, e aproveitei
para estudar uma gama grande de outros assuntos que me interessavam;
tinha prazer de assistir às aulas relacionadas a eles. Naquela
época, mesmo sem ter codificado as leis do prazer, senti na
carne que elas não podiam ser contrariadas.
PLANETA
– Explique-nos, em linhas gerais, os fundamentos da sua
teoria do prazer.
Flávio – Decididamente o prazer é uma energia, e uma
energia fantástica, que atua como o vento. Se segue o caminho
do seu prazer, você vai – como diz a expressão popular – de
vento em popa, com este vento de popa impulsionando; se não
está naquela direção, você o tem de frente, freando. E, se
sua força não for suficiente, ele lhe carregará para trás.
Isso resulta nesta grande verdade: quem tem prazer faz melhor.
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Divulgação
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| Flávio
de Almeida Prado: teoria sobre prazer e eficiência. |
PLANETA
– Em Prazer, a Ener-gia dos Vencedores (Editora Mercuryo),
você afirma que a capacidade prazerosa de uma pessoa tem relação
direta com o seu nível cultural. Por que, então, encontramos
tanta gente culta infeliz?
Flávio – O aprendizado, em si, é para o ser humano
uma fonte de prazer. Observe como as crianças correm para
seus pais para contar o que aprenderam naquele dia. Por outro
lado, veja também que, se eu passo a dominar um assunto, como
o jogo de xadrez, um esporte ou um idioma estrangeiro, ele
se transforma em mais uma fonte de possíveis prazeres, que
me seriam impossíveis sem aquele conhecimento. Quem não conhece
futebol, que prazer pode ter ao assistir a uma partida? Quanto
mais se conhecer algo, maiores poderão ser os prazeres daí
derivados. Não concordo com a sua última afirmação, em termos
estatísticos, de que pessoas cultas são mais infelizes, absolutamente.
O que ocorre é que os picos, tanto de prazer como de desprazer,
podem ser maiores, e uma grande fonte de desprazer dos cultos
é ter de lidar com a ignorância predominante.
PLANETA
– De certa maneira, a sociedade moderna parece cultuar
o que você chama de falsos prazeres, caso da riqueza e do
poder. Que tipo de problemas isso pode gerar para o ser humano?
Flávio – Se um prazer é falso, como uma jóia falsa,
ele nos leva por caminhos errados. E o caminho errado, cedo
ou tarde, nos leva a uma desilusão. Quanto mais tarde, maior
ela se torna. Não sou moralista, e nada tenho contra a riqueza;
já fui até muito rico. Mas só mesmo depois de descobrir coisas
mais importantes, como o prazer, por exemplo, é que as pessoas
se dão conta da falsidade do caminho anestesiante da riqueza.
Se não vierem a conhecê-las, morrem com a sensação de que
não chegaram a lugar nenhum.
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