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Cinema
Eduardo
Araia
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A
vida como mestre
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Divulgação
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Michael
Douglas em Garotos Incríveis: reformulações importantes
aos 50 anos.
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Vários
ocultistas insistem que cada pessoa deve tomar as rédeas de sua
vida – caso contrário, é a vida que se autoconduzirá, em geral rumo
à estagnação e ao tédio. Grady Tripp, o personagem de Michael Douglas
em Garotos Incríveis, vem ilustrar a tese: ele próprio um
ex-“garoto incrível”, ou superdotado, autor de um livro de grande
sucesso, vive, já entrando nos 50, como professor de inglês numa
faculdade em Pittsburgh, às voltas com seu editor (Robert Downey
Jr.) que quer a todo custo a seqüência do best-seller. Desleixado
no casamento, ele é abandonado pela mulher, enquanto mantém um longo
e ardente caso com a esposa do diretor da escola (Frances McDormand).
Parece que a única coisa que o interessa são as novas gerações de
superdotados e seus percalços. Mas algumas mudanças importantes
nesse quadro vão exigir que Tripp (palavra que, sem um “p”, significa
viagem em inglês) reformule seu modo de pensar e agir.
Lidando
com professores, alunos e momentos de transição, Garotos Incríveis
remete a outros filmes famosos nessa área, como Sociedade dos Poetas
Mortos ou Ao Mestre, com Carinho, mas possui um vigor próprio, escorado
sobretudo na direção de Curtis Hanson (Los Angeles, Cidade Proibida)
e na atuação de Michael Douglas. Vale uma visita ao cinema.
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Rindo com estereótipos
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Jim
Carrey em papel duplo: garantia de risos.
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Rindo
com estereótipos Filme roteirizado e dirigido por Bobby e Peter
Farrely (Debi & Lóide, Quem Vai Ficar com Mary?) é certeza
de humor sem medo de apelação, mas a metralhadora giratória dos
irmãos acerta com freqüência em estereótipos cuja revisão, se ainda
não foi feita, é obrigatória na beirada do século 21. Em Eu,
Eu Mesmo & Irene, em cartaz nos cinemas brasileiros, eles atacam
dois deles logo de saída, quando o pacatíssimo e inofensivo policial
Charley Baileygates (Jim Carrey) envolve-se, após sua cerimônia
de casamento, numa hilariante discussão com o motorista da limusine
– um anão negro, Shonté, que acusa o recém-casado de discriminá-lo
e menosprezar sua inteligência por ele ser anão e negro.
Na
verdade, Shonté é um acadêmico renomado e sua atividade como motorista
faz parte de um estudo sociológico. Sua inteligência é ingrediente
fundamental da trama, já que a esposa de Charley vai traí-lo e finalmente
trocá-lo por Shonté, deixando-o com trigêmeos – todos com a cor
do anão e Q.I. elevadíssimo. O policial cuida dos garotos sem dar
espaço para os que aventam a possibilidade de que eles não sejam
seus filhos, mas esse caráter tão bondoso e devotado vai, com o
tempo, cindir-se em duas personalidades: uma, o Charley que todos
conhecem, e a outra, Hank, um grosseirão agressivo e metido a conquistador,
mas tão ineficiente quanto seu parceiro em lidar com a violência
dos oponentes. Ambos vão se apaixonar por Irene (Renée Zellwenger),
suspeita de cumplicidade em crimes que envolvem a polícia de outra
cidade, e a caçada policial vai fornecer mais combustível para a
trama.
Mesmo
com sua dose apelativa, Eu, Eu Mesmo & Irene possui muitos
momentos de riso. Boa parte deles está nos diálogos dos trigêmeos
sobre temas acadêmicos, nos quais surgem complexos conceitos científicos
expressos no jargão típico dos negros de filmes americanos. E Jim
Carrey tem uma chance de ouro de fazer sucesso em suas duas frentes
de trabalho: o humor carregado de caretas e o duplo papel num só
filme. Descontados os excessos, o filme é boa diversão.
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