ARCANO
I
O MAGO
Descrição
da simbologia – A primeira lâmina do tarô simboliza a atividade
originária e o poder criador que existe no homem. O Mago é o homem
perfeito, confiante em si mesmo e em plena posse das faculdades
físicas e morais. É representado de pé, numa atitude que indica
vontade pronta para agir. Com a mão direita segura um bastão (eixo
do mundo, que se eleva para o céu), um dos quatro emblemas do trabalho.
A mão esquerda, indicando a terra, mostra que a missão do homem
é reinar neste mundo. O duplo gesto indica que a vontade humana
deve refletir na terra a vontade divina.
A fronte
do Mago é cingida por um chapéu em forma de oito deitado, signo
do infinito. O cinto é representado por uma serpente que morde a
própria cauda, símbolo da eternidade. Na mesa à sua frente aparecem
os outros três emblemas que completam o baralho: o ouro, a espada
e a copa. No seu traje, de várias cores, destaca-se o vermelho.
Todos esses atributos simbolizam o domínio da situação:empunhando
as armas mágicas da consciência, o homem pode conquistar o mundo.
Esta
carta costuma aparecer também com outros nomes: Saltimbanco, Prestidigitador,
Conjurador, Trovador, etc. Conta-se que, na sua origem, queria representar
o artista, o bufão ou o comediante ambulante que, de cidade em cidade,
ia, com um grupo de atores, levando comédias, augurando boas notícias
e vendendo elixires fantásticos. As autoridades viam esses grupos
com desconfiança, pois também eram veículos de idéias “heréticas”,
que transmitiam de um país a outro.
Representação
abstrata – O início dos atos da vida material e mental, aspectos
para os quais mais se habilita. A prestidigitação (do latim digitus,
dedo, e praestigium, ilusão, artifício) consiste em tocar nas coisas
com os dedos, modificando-as diante do mundo visível. Inteligência,
habilidade, destreza, astúcia, presença de espírito; iniciativa,
vontade, energia, poder, criação, ânimo disposto a se confrontar
com os perigos; diplomacia, finura, persuasão, personalidade.
No
sentido negativo: falta de escrúpulos, intriga, exploração do outro,
discussões, disputas; timidez, vontade fraca, vacilação, nervosismo,
indecisões, tendência à impulsividade. No conjunto: ação e movimento.
Interpretações
divinatórias – O Mago é a carta do tarô que mais sofre influência
das outras cartas que se agrupam à sua volta ou a acompanham. Alude
à modificação perpétua da matéria, cuja compreensão, na verdade,
escapa ao homem, sendo, por isso, um convite à penetração na realidade
invisível, que se dissimula sob a visível. Soma de várias possibilidades,
anuncia uma ascensão nas esferas do futuro.
Exerce
sua influência nos mundos material, mental e anímico. Não se trata,
portanto, de uma carta espiritual, pois os segredos a que se refere
são meramente técnicos. Sua presença no jogo indica a modificação
e o ponto de partida de qualquer coisa. No plano mental: capacidade
de ação e de livre-arbítrio, independência; um aviso e uma criação
encontram-se à disposição do consultante; ação próxima. No plano
anímico: movimento; circunstâncias materiais favorecerão o consultante.
Como a carta contém um lado de ilusão, há necessidade de observar
as outras para melhor definir a direção do movimento. No plano físico:
um novo fato vai orientar a vida do consultante; pode significar
o encontro com um homem jovem, tanto para a mulher quanto para o
homem. Recomenda ação, trabalho, vontade, fé em si mesmo, esforço
e racionalidade para resolver os problemas.
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