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A Interpretação dos Arcanos Maiores

Os Ciclos da Evolução do Inconsciente

Publishing Group Library
O Imperador e a Imperatriz, pintados sob a orientação de Waite: símbolos do pai e da mãe.

A interpretação que se segue do significado de cada um dos arca- nos maiores representa simplesmente uma das inúmeras possibilidades de leitura em relação a cada símbolo e pretende fornecer ao leitor uma base operatória nas tiragens. Cada carta está assim dividida: descrição da simbologia; representação abstrata; interpretações divinatórias. Para as duas primeiras partes, foram usados os seguintes autores, cujos livros se encontram citados na bibliografia: Juan-Eduardo Cirlot, Alberto Cousté, Oswald Wirth, Piotr Demiánovich OusDescrição da simbologia – A primeira lâmina do tarô simboliza a atividade originária e o poder criador que existe no homem. O Mago é o homem perfeito, confiante em si mesmo e em plena posse das faculdades físicas e morais. É representado de pé, numa atitude que indica vontade pronta para agir. Com a mão direita segura um bastão (eixo do mundo, que se eleva para o céu), um dos quatro emblemas do trabalho. A mão esquerda, indicando a terra, mostra que a missão do homem é reinar neste mundo. O duplo gesto indica que a vontade humana deve refletir na terra a vontade divina. A fronte do Mago é cingida por um chapéu em forma de oito deitado, signo do infinito. O cinto é representado por uma serpente que morde a própria cauda, símbolo da eternidade. Na mesa à sua frente aparecem os outros três emblemas que completam o baralho: o ouro, a espada e a copa. No seu traje, de várias cores, destaca-se o vermelho. Todos esses pensky, Paul Huson, J. Repollés. As interpretações divinatórias foram extraídas do livro Cartas e Destino, de Hadés.

Além disso, foram consideradas as informações fornecidas pela profa. Ana Matilde Pacheco e Chaves sobre os vários ciclos das cartas – que ela compara ao processo de individuação junguiano – e que podem ser assim resumidos:

O conjunto das sete primeiras cartas representa o desenvolvimento das qualidades do arcano O Mago, cuja culminância é o imperador vitorioso – O Carro. O homem veio ao mundo tendo à sua disposição as quatro funções psíquicas representadas pelos quatro naipes: espadas/pensamento; cálice/sentimento; bastão/intuição; ouros/sensação. É também o princípio masculino, ativo, que pode ser associado ao animus. A Grã-Sacerdotisa representa a necessidade de parar, de se tornar receptivo para se aprimorar espiritualmente, e pode ser associada à anima. Na sua trajetória inicial, o homem aprende primeiro a lidar com os pais – A Imperatriz e O Imperador. Depois, entra em contato com as instituições socializadoras – a religião e a escola – simbolizadas pelo arcano O Sumo-Sacerdote. Aprende a fazer uma escolha e o reconhecimento de sua identidade sexual, transferindo os laços edípicos para outras pessoas do sexo oposto. Se a decisão é bem feita, ele assume a persona – O Carro – como veículo para viver em sociedade e conduzir a própria vida. Essa primeira fase da vida representa a atitude extrovertida.

O segundo ciclo é representado pelo conjunto das cinco cartas seguintes e corresponde à segunda parte da vida, à atitude introvertida e ao início do processo de individuação. Esse conjunto apóia-se no conceito de que a realidade, tal como a conhecemos, é ilusória. A Justiça é o primeiro passo para esse reconhecimento e ensina a pesar, a medir e a eliminar o que é desnecessário. O Ermitão é a volta ao passado para se iluminar – a auto-análise e a busca de fatores que condi-cionaram a atitude presente. O autoconhecimento leva à constatação da mecanicidade do mundo como fator dominante e dos determinismos biológicos e sociológicos – A Roda da Fortuna. Dependendo de como compreende tais determinismos, o homem sobe ou desce a roda. Começa então a enfrentar aquilo que vem a ser a sua herança biológica, representada pela carta A Força – os instintos de agressão e sexualidade. Esta carta corresponde ao confronto com a sombra. Prosseguindo, entra em contato com seu caos interior e sua impotência básica – O Enforcado.

O conjunto das próximas três cartas completa o ciclo anterior e representa os elementos que deverão ser usados ou combatidos, para se obter uma evolução interna. Se supera a preguiça e desamarra o nó do Enforcado, estabelece relação com A Morte, aprendendo a cortar o que não presta, transformando-se inevitavelmente; se for bem-sucedido, chega ao rejuvenescimento. Ingressa, então, em um novo plano mais elevado, de outro nível, operando uma transmutação alquímica interior, representada pelo arcano A Temperança. Feito tudo isso, pode cair na tentação de usar o que aprendeu para obter poder sobre os outros – O Diabo.

O ciclo seguinte, de quatro cartas, é a conseqüência externa do anterior. A Casa de Deus – destruição; A Estrela – reconhecimento de que há influências cósmicas; A Lua – ilusões que impedem o homem de chegar àquilo que ele é; O Sol – a necessidade de encarar a realidade e abandonar A Lua.

O ciclo das duas últimas cartas numeradas representa propriamente o início da evolução espiritual: O Julgamento – criação de um novo “eu”, de uma individualidade; O Mundo – o homem completo, que reconcilia a extroversão e a introversão. Se falha no processo, chega ao Louco, ao zero, e começa tudo de novo.

 

LEIA MAIS:

Os Ciclos da Evolução do Inconsciente

ARCANO I: O MAGO

ARCANO II: A GRÃ-SACERDOTISA

ARCANO III: A IMPERATRIZ

ARCANO IV: O IMPERADOR

ARCANO V: O SUMO-SACERDOTE

ARCANO VI: O NAMORADO



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