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Nas
Raízes da Alquimia
O
Segredo da vida
Junte-se
a especulação dos filósofos gregos à técnica aprimorada de
embalsamamento de corpos do Egito e o resultado disso é o
nascimento secreto de toda a alquimia, que séculos mais tarde
se desenvolveria em meio aos árabes, para retornar ampliada
à Europa renascentista.
No
Egito, eram os sacerdotes de Anúbis os mais experientes na
arte do embalsamamento. Por volta do ano 1000 a.C. a prática
atingiu seu auge. A mumificação era realizada nas oficinas
das necrópoles, e sacerdotes do mais alto grau detinham seus
segredos. A casta religiosa conhecia ainda a técnica dos artesãos
ferreiros, e trabalhar a riqueza, os metais, era uma de suas
obrigações. Fabricavam ligas por métodos alquímicos assimilados
dos sumérios e depois dos babilônios.
Podemos
assim notar que gregos e egípcios deram-se as mãos na
busca pelo segredo último da vida, o mesmo capaz de revelar
a senha da imortalidade, já que toda religião egí–pcia nada
mais era do que uma preparação para o ritual da morte. Afinal,
desconfiavam que a mesma essência capaz de manter o corpo
vivo pudesse sobreviver à derradeira experiência e ressuscitar
sob algum aspecto. Tais idéias repercutiram mais fortemente
quando da helenização sofrida pelos egípcios a partir das
conquistas de Alexandre. Por essa época, paradoxalmente, diminuíra
o ritmo da prática da mumificação, mas em suas bases já se
enraizava o anseio e a esperança de vencer a morte. Tais sentimentos
foram projetados sobretudo na alquimia, que se fortaleceria
pelos séculos seguintes. Por isso dizemos que a alquimia,
em sua práxis, alia a filosofia dos gregos à sagrada técnica
de mumificação dos egípcios.
O método de mumificação demorava inicialmente 70 dias, na
verdade dez períodos de sete, cada um deles dedicado a seu
respectivo planeta. A parte mais importante era a desidratação
do corpo. Para tanto, mergulhavam-no numa solução de natrão.
Este era trazido principalmente do oásis Uadi el-Natrun, situado
próximo ao delta, a noroeste do Cairo. A palavra natrun
compõe-se do mesmo radical do termo latino natrium,
ambos a significar o sódio, o sal da Terra, de onde vem a
palavra natura, que quer dizer natureza. Além disso,
o hieróglifo com que se escreve “sódio”, curiosamente, é o
mesmo que significa Deus.
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