Acidente com o Fokker 100 da TAM completa 15 anos Fábio Santos O acidente com o Fokker 100 da TAM, que deixou 99 mortos em 31 de outubro de 1996 completa 10 anos. O avião prefixo PT-MRK caiu no bairro do Jabaquara, em São Paulo, logo depois de decolar do aeroporto de Congonhas. Relembre nas próximas páginas o que aconteceu naquele dia, em um dos piores acidentes aéreos do Brasil. Fokker 100 O Fokker 100 é uma aeronave de porte médio, projetada e construída pela indústria aeronáutica holandesa Fokker. O lançamento comercial da aeronave foi anunciado em 1983 e o primeiro voo aconteceu em 1987. É considerada uma aeronave ideal para pousos e decolagens em pequenos aeroportos. Capacidade: 107 passageiros Velocidade de cruzeiro: 845 km/h Envergadura: 28,08 m Comprimento: 55,53 m Motorização: Rolls-Royce Tay Mk 62015 Font: airliners.net

Voo 402

Data: 31/10/1996 Destino: Rio de Janeiro Horário de decolagem: 8h26 Passageiros: 90 Tripulantes: 06 Aeronave: Fokker 100

Rota

A aeronave prefixo PT-MRK decolava do aeroporto de Congonhas em São Paulo e tinha como destino a cidade do Rio de Janeiro. Era mais um dos voos que fazem o trecho conhecido como “Ponte-aérea RioxSP”. Decolagem O voo do Fokker 100 durou cerca de dois minutos. Às 8h26 daquela quinta-feira, o piloto José Antônio Moreno, 35 anos, e o copiloto Ricardo Luís Gomes Martins, 27 anos, iniciaram a decolagem. Problemas mecânicos Já na cabeceira da pista, o avião mostrava dificuldades para decolar. Os radares do Centro Integrado de Defesa Aérea (Cindacta) registraram que a aeronave estava com pouca altitude e velocidade abaixo da prevista logo que deixou o solo. Logo depois que tirou o trem de pouso do solo, o Fokker 100 teve uma pane no reversor da asa direita. O equipamento funciona como um freio das aeronaves no momento da aterrisagem. Perda de controle Com o reversor acionado, o avião não conseguiu ganhar velocidade e altura para decolar e começou a pender para a direita. A desestabilização foi rápida demais para o piloto tentar qualquer manobra de emergência. Pouco depois de sair do chão, a dois quilômetros do aeroporto de Congonhas, o avião bateu com a asa direita em um prédio de três andares. A queda Às 8h28 o avião explodiu. Os destroços atingiram outros prédios, concentrados na rua Luís Orsini de Castro. Naquela manhã do dia 31 de outubro de 1996, o Brasil veria um dos piores acidentes aéreos de sua história. Vítimas no solo Entre os 99 mortos estavam 90 passageiros, seis tripulantes, e três pessoas que foram atingidas no solo. Durante a queda, o avião bateu em três prédios e oito casas. Há registro de 14 carros incendiados. Primeiro grande acidente A tragédia com o Fokker 100 da TAM foi a primeira a mobilizar uma associação de familiares de vítimas de acidentes aéreos do Brasil. Os familiares não sabiam nem como recorrer neste caso. "Quando houve o acidente com o Fokker 100, algumas famílias procuraram até advogados americanos. Ninguém sabia direito como tratar", conta a advogada Regina Prado Manssur, que conseguiu judicialmente que as indenizações pelo acidente entrassem na abrangência do Código de Defesa do Consumidor, criado seis anos antes do acidente. "Um fato triste que foi um ganho para a Justiça brasileira”, disse. Indenizações De acordo com Associação Brasileira de Parentes e Amigos de Vítimas de Acidentes Aéreos (Abrava), na época, o valor do seguro obrigatório que a companhia aérea tinha de pagar para familiares de vítimas em casos como esse era de R$ 14 mil - nos Estados Unidos, o valor é de U$ 120 mil; na Europa, de 130 mil. Em 2009, a Abrapava conseguiu na Justiça aumentar o seguro para R$ 41 mil. Outros acidentes Após a queda do Fokke 100, o Brasil viveu mais três grandes acidentes envolvendo aviões comerciais. Em 2006, Boeing da Gol que seguia de Manaus para Brasília, foi atingido por um Jato Legacy e caiu, matando 154 pessoas. Em julho de 2007, um avião da TAM não conseguiu desacelerar ao pousar em Congonhas e se chocou contra o prédio da própria empresa, matando 199 pessoas. Em 2009, um avião da Air France, que seguia do Rio de Janeiro para Paris, desapareceu do radar no Oceando Atlântico, matando 228 pessoas.